Protestos de estudantes na França chegam ao dia mais grave e deixam governo Macron em alerta

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas em mais de 40 cidades; manifestações são motivadas por problemas nas escolas e já provocam confrontos com a polícia
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

Os protestos liderados por estudantes na França atingiram na terça-feira (6) o momento de maior mobilização desde o início do movimento, há quase três semanas. A manifestação, que começou com reivindicações relacionadas às condições das escolas, ganhou proporções nacionais e passou a representar um novo desafio para o governo do presidente Emmanuel Macron.

Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 256 mil pessoas participaram dos atos em mais de 40 cidades. Em Paris, foram contabilizados 56 mil manifestantes. As organizações estudantis, porém, estimaram números ainda maiores: aproximadamente 450 mil participantes em todo o país e 100 mil na capital.

A mobilização começou em escolas da região de Paris e rapidamente se espalhou para outras partes do país. Além dos estudantes do ensino médio, universitários, professores, pais e integrantes de sindicatos também passaram a participar dos protestos.

Entre as principais reivindicações estão a contratação de mais professores, redução da superlotação nas salas de aula, melhoria da estrutura dos prédios escolares e mudanças no sistema de acesso ao ensino superior. Os estudantes também protestam contra a violência policial durante as manifestações.

Confrontos aumentam a tensão

Em algumas cidades, os atos terminaram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Em Paris, houve lançamento de gás lacrimogêneo, pedras e uma barricada incendiada.

A atuação da polícia passou a ser um dos principais pontos de tensão. Mais de 6 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, segundo as autoridades, sendo a maioria menores de idade. Também foram abertas investigações sobre possíveis abusos cometidos por agentes durante as manifestações.

Dois casos envolvendo estudantes aumentaram a repercussão do conflito. Em Saint-Ouen-l’Aumône, um adolescente de 14 anos ficou gravemente ferido no rosto após ser atingido por uma granada de gás lacrimogêneo, e o policial responsável pelo disparo foi indiciado. Em Lens, outro estudante, de 15 anos, perdeu uma das mãos após um incidente envolvendo uma granada de efeito moral. As circunstâncias do caso ainda são investigadas.

Macron reúne ministros para discutir crise

Diante da escalada das manifestações, Emmanuel Macron reuniu-se no Palácio do Eliseu com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e os ministros do Interior, Laurent Nuñez, e da Educação, Édouard Geffray.

O governo tenta responder às reivindicações sem perder o controle diante da crescente tensão nas ruas. Lecornu rejeitou acusações de que haveria uma orientação política para reprimir os estudantes e defendeu a atuação das forças de segurança.

Nesta quarta-feira (7), o ministro do Interior anunciou ainda a suspensão temporária do uso de granadas de efeito moral pela polícia durante os protestos, enquanto as circunstâncias dos incidentes são esclarecidas.

O movimento ocorre cerca de seis meses antes da próxima eleição presidencial francesa e já desperta preocupação sobre uma possível ampliação da crise. Com novas manifestações previstas, o governo Macron enfrenta o desafio de responder às demandas dos estudantes e, ao mesmo tempo, impedir que os protestos se transformem em uma mobilização ainda maior.

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