Dirigentes foram ouvidos pelo Ministério Público de São Paulo, que investiga suspeitas de gastos irregulares e contratos com empresas de fachada nas gestões anteriores do clube.
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
O presidente interino do Corinthians, Osmar Stabile, e o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Romeu Tuma Júnior, prestaram depoimento ao Ministério Público de São Paulo na tarde da última quinta-feira (14). Ambos foram chamados a esclarecer o uso dos cartões corporativos do clube e os mecanismos de controle e prestação de contas da presidência.
A oitiva faz parte de uma investigação aberta no fim de julho, que apura possíveis crimes cometidos por ex-dirigentes do Corinthians e empresas associadas ao clube. Entre os delitos investigados estão: apropriação indébita, estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa.
Empresa fantasma entra no foco do MP
Nos últimos dias, o MP intensificou a apuração sobre o Oliveira Minimercado, uma empresa suspeita de ser fachada. Segundo documentos obtidos entre 18 e 31 de outubro de 2023, o estabelecimento emitiu R$ 32.580 em notas fiscais ao Corinthians, mas está registrado em um endereço residencial onde, segundo moradores, nunca funcionou nenhum comércio.
Os sócios identificados, Alexsander Marques Canudo (em 2023) e Geovana Batista de Oliveira (atual responsável), serão intimados a depor como investigados. Até o momento, nenhum dos dois foi localizado pelo MP.
O Ministério Público também apura se o grupo possui outras empresas de fachada. No mesmo endereço do suposto mercado, há ainda uma associação registrada com fins culturais e artísticos que passou a ser investigada.
Empresário nega irregularidades
Ao ser indagado sobre o suposto envolvimento, o empresário Alexsander Marques Canudo negou qualquer irregularidade:
“A empresa funcionava, sim, no endereço informado, com produção e venda de marmitex. Pode ser que hoje não haja movimentação, mas à época, as operações eram reais. As notas fiscais foram emitidas conforme contratos específicos com poucos clientes. A prestação de serviço ao Corinthians foi legítima e executada”, disse por mensagem de texto.
Entenda o caso
O caso teve início no dia 30 de julho, quando o MP-SP instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar possíveis gastos irregulares com cartões corporativos nas gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez (2018–2020) e Duílio Monteiro Alves (2021–2023).
Pouco depois, o Ministério Público passou a investigar também o relatório de despesas de outubro de 2023, revelado pelo ge. Esse documento foi assinado por Denilson Grillo, ex-motorista de Duílio, que agora também é investigado e será ouvido nos próximos dias.
Na semana passada, a investigação foi novamente ampliada: o MP solicitou ao clube as faturas dos cartões corporativos também durante a gestão do atual presidente, Augusto Melo, entre janeiro de 2024 e maio de 2025.
O promotor responsável pelo caso, Cássio Roberto Conserino, já ouviu o gerente financeiro do Corinthians, Roberto Gavioli, e requisitou diversos documentos à diretoria do clube e aos conselhos Deliberativo e de Orientação.
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