Medicamento inovador aprovado pela Anvisa reduz em até 27% o declínio cognitivo em casos iniciais e começa a ser disponibilizado no país a partir de junho de 2026
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
Uma nova esperança no combate ao Alzheimer começa a ganhar espaço no Brasil em 2026. O medicamento lecanemabe, comercializado como Leqembi, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em dezembro de 2025 e deve chegar ao mercado brasileiro a partir de junho. Apesar de ser frequentemente chamado de “vacina”, o tratamento é, na verdade, um anticorpo monoclonal que atua diretamente na causa da doença, retardando sua progressão — um avanço considerado histórico por especialistas.
O que é o novo tratamento
O lecanemabe é um medicamento desenvolvido para pacientes com Doença de Alzheimer em estágio inicial. Diferente das terapias tradicionais, que tratam apenas os sintomas, ele age na remoção das placas de beta-amiloide acumuladas no cérebro — uma das principais características associadas à doença.
Por utilizar o sistema imunológico para atacar essas proteínas, o tratamento acabou sendo popularmente confundido com uma vacina. No entanto, tecnicamente, trata-se de uma imunoterapia passiva, e não de um imunizante preventivo.
Resultados comprovados em estudos
Os dados mais relevantes vêm de ensaios clínicos de fase 3 publicados em revistas científicas e analisados por agências reguladoras internacionais. Os estudos indicaram que pacientes tratados com lecanemabe apresentaram uma redução de cerca de 27% no declínio cognitivo ao longo de 18 meses, em comparação com aqueles que receberam placebo.
Esse resultado foi considerado significativo dentro da neurologia, já que, até então, nenhum medicamento havia demonstrado impacto direto na progressão da doença com esse nível de evidência.
Quem pode usar
O tratamento não é indicado para todos os pacientes. Segundo diretrizes aprovadas pela Anvisa, o uso é restrito a pessoas em fases iniciais da doença, como:
- Comprometimento cognitivo leve
- Demência leve associada ao Alzheimer
Além disso, é necessária a confirmação da presença de placas beta-amiloides por exames específicos, como PET scan ou análise de líquor.
Como funciona a aplicação
O lecanemabe é administrado por infusão intravenosa a cada duas semanas, sempre em ambiente clínico supervisionado. O acompanhamento médico contínuo é essencial, já que o tratamento pode causar efeitos adversos, como alterações cerebrais detectáveis em exames de imagem.
Custo e acesso no Brasil
O custo estimado do tratamento no Brasil gira em torno de R$ 11 mil por mês, o que levanta debates sobre acessibilidade e possível incorporação ao sistema público de saúde. Ainda não há definição sobre cobertura pelo SUS ou por planos de saúde.
Outros avanços na mesma linha
Além do lecanemabe, outro medicamento semelhante também recebeu aprovação recente no Brasil: o Kisunla. Ambos fazem parte de uma nova geração de terapias que tentam modificar o curso da doença, e não apenas aliviar sintomas.
Por que isso é um marco
Especialistas consideram a chegada desses medicamentos um divisor de águas na neurologia. Embora não representem a cura do Alzheimer, eles inauguram uma nova abordagem terapêutica baseada na intervenção precoce e na modificação da progressão da doença.
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