Pesquisa publicada na revista Nature Communications mostra que cada gestação provoca mudanças únicas no cérebro materno e pode influenciar atenção, emoções e saúde mental
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
Um estudo científico recente revelou que o cérebro das mulheres continua a se transformar a cada nova gravidez. Pesquisadores da Universidade de Amsterdã identificaram que não apenas a primeira gestação provoca mudanças neurológicas significativas, mas que a segunda gravidez também desencadeia alterações próprias no cérebro materno. Os resultados foram publicados em fevereiro de 2026 na revista científica Nature Communications.
A pesquisa acompanhou 110 mulheres e utilizou exames de neuroimagem para observar como o cérebro se reorganiza ao longo da gestação. As participantes foram divididas em três grupos: mulheres na primeira gravidez, mulheres na segunda gestação e um grupo de controle formado por mulheres que nunca engravidaram. O objetivo era compreender como o cérebro materno se adapta à experiência da maternidade ao longo do tempo.
Segundo os cientistas, os resultados mostram que cada gravidez deixa uma “marca” distinta na estrutura e no funcionamento cerebral. Enquanto a primeira gestação provoca mudanças mais amplas em áreas relacionadas à empatia, ao processamento emocional e ao vínculo social, a segunda gravidez tende a concentrar alterações em redes cerebrais ligadas à atenção, à resposta a estímulos e ao controle comportamental.
A principal autora do estudo, Elseline Hoekzema, pesquisadora do Amsterdam UMC, explica que a descoberta ajuda a ampliar o entendimento sobre como o cérebro feminino se adapta à maternidade.
“Mostramos pela primeira vez que o cérebro não muda apenas durante a primeira gravidez, mas também durante a segunda. Cada gestação provoca transformações semelhantes, porém únicas”, afirmou a pesquisadora em comunicado divulgado pela instituição.
Primeira gravidez reorganiza redes emocionais
Durante a primeira gestação, os pesquisadores observaram mudanças significativas em regiões do cérebro ligadas à chamada rede de modo padrão, responsável por processos como autorreflexão, percepção social e interpretação das emoções de outras pessoas.
De acordo com os cientistas, essa reorganização pode ajudar a mãe a interpretar melhor os sinais do bebê e fortalecer o vínculo entre mãe e filho após o nascimento.
Essas alterações cerebrais já haviam sido observadas em estudos anteriores sobre a primeira gravidez, mas o novo trabalho amplia o conhecimento ao mostrar que a segunda gestação também provoca adaptações importantes.
Segunda gravidez fortalece redes de atenção
Já na segunda gravidez, as mudanças cerebrais ocorreram com maior intensidade em circuitos ligados à atenção, ao processamento sensorial e à capacidade de reagir rapidamente a estímulos.
Para a coautora da pesquisa, Milou Straathof, essas transformações podem representar uma adaptação do cérebro à rotina de cuidar de mais de um filho.
Segundo ela, esse tipo de reorganização neural pode ajudar mães a administrar simultaneamente diferentes demandas do ambiente doméstico e familiar.
Relação com saúde mental materna
O estudo também analisou possíveis conexões entre as alterações cerebrais observadas durante a gravidez e sintomas de depressão perinatal — condição que pode ocorrer durante a gestação ou após o parto.
Os resultados indicam que as mudanças no córtex cerebral podem estar associadas ao estado emocional das mães. Nas mulheres que viviam a primeira gravidez, essa relação apareceu com maior intensidade após o nascimento do bebê. Já entre aquelas na segunda gestação, os sinais de associação surgiram com mais frequência ainda durante a gravidez.
Os pesquisadores destacam que compreender melhor essas transformações neurológicas pode contribuir para aprimorar estratégias de prevenção e tratamento de problemas de saúde mental ligados à maternidade.
Campo de estudo ainda é recente
Apesar dos avanços, os cientistas ressaltam que as pesquisas sobre o impacto da gravidez no cérebro feminino ainda são relativamente recentes. Nos últimos anos, porém, estudos utilizando técnicas modernas de neuroimagem têm permitido compreender com maior precisão como o cérebro se adapta às mudanças hormonais e comportamentais da maternidade.
Para os autores do estudo, os resultados reforçam a ideia de que o cérebro materno possui grande capacidade de adaptação — um fenômeno conhecido na ciência como plasticidade cerebral — e que esse processo pode ocorrer novamente a cada nova gravidez.
Além de ampliar o conhecimento sobre a biologia da maternidade, os pesquisadores acreditam que futuras investigações poderão ajudar médicos e especialistas a desenvolver estratégias mais eficazes de acompanhamento da saúde mental de gestantes e mães no período pós-parto.
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