Mesmo com aumento gradual das notificações neste ano, autoridades sanitárias e infectologistas dizem que o cenário não configura emergência de saúde pública, mas exige monitoramento contínuo
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O Brasil está próximo de atingir 150 casos registrados de mpox em 2026, segundo dados recentes do monitoramento epidemiológico do Ministério da Saúde. Apesar do crescimento no número de notificações ao longo das últimas semanas, especialistas afirmam que o cenário atual não caracteriza uma crise sanitária, embora exija vigilância constante por parte das autoridades de saúde.
Os registros da doença têm sido confirmados em diferentes estados do país, com maior concentração na região Sudeste, especialmente em São Paulo, que lidera o número de diagnósticos neste ano. Outros estados também apresentaram ocorrências, indicando circulação do vírus em diversas regiões, ainda que em níveis considerados controlados.
De acordo com infectologistas e pesquisadores da área de saúde pública, o aumento recente de casos já era esperado. Isso ocorre porque o vírus continua circulando em determinados grupos populacionais e porque a vigilância epidemiológica tem ampliado a capacidade de diagnóstico, o que permite identificar infecções com mais rapidez.
Perfil dos casos registrados
A análise dos casos confirmados mostra um padrão semelhante ao observado desde o início da circulação da doença fora da África, em 2022. A maioria das infecções ocorre em homens adultos, geralmente na faixa dos 30 anos, e grande parte envolve pessoas que têm relações sexuais com homens.
Especialistas destacam, no entanto, que qualquer pessoa pode contrair mpox, independentemente de gênero ou orientação sexual, principalmente em situações de contato físico próximo com alguém infectado.
Por que especialistas não veem risco de crise
Mesmo com o aumento de notificações, médicos afirmam que diversos fatores indicam que o Brasil não enfrenta uma emergência sanitária neste momento.
Entre os principais pontos destacados estão:
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baixo número de casos graves
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ausência de mortes relacionadas à doença neste ano
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capacidade do sistema de saúde para diagnóstico e acompanhamento
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maior conhecimento da doença entre profissionais de saúde e população
Outro fator importante é que as autoridades sanitárias mantêm protocolos de rastreamento e isolamento para evitar que cadeias de transmissão se ampliem.
Como ocorre a transmissão
A mpox é uma doença causada por um vírus da mesma família da varíola humana, embora normalmente provoque quadros menos graves.
A transmissão ocorre principalmente por:
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contato direto com lesões na pele de uma pessoa infectada
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contato com fluidos corporais
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contato prolongado e próximo entre pessoas
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compartilhamento de objetos contaminados, como roupas ou toalhas
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relações sexuais com pessoa infectada
O período de incubação pode variar entre alguns dias e até três semanas.
Principais sintomas
Os sintomas mais comuns da doença incluem:
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febre
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dores musculares
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dor de cabeça
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aumento dos gânglios linfáticos
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lesões ou erupções na pele
Essas lesões geralmente surgem alguns dias após os primeiros sintomas e podem aparecer em diferentes partes do corpo.
Na maioria dos casos, a doença apresenta evolução leve e os pacientes se recuperam após algumas semanas. No entanto, pessoas com imunidade comprometida podem apresentar complicações e precisam de acompanhamento médico.
Monitoramento continua no país
Desde que os primeiros casos foram detectados no Brasil, as autoridades de saúde mantêm um sistema de vigilância para identificar rapidamente novas infecções.
As estratégias incluem diagnóstico precoce, orientação à população, monitoramento de contatos e vacinação direcionada a grupos prioritários quando indicado.
Especialistas ressaltam que o aumento recente de notificações não significa que a doença esteja fora de controle. Para eles, o momento exige atenção e prevenção, mas não indica um cenário de emergência sanitária no país.
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