Ex-presidente apresenta melhora clínica após pneumonia bilateral, mas equipe jurídica alerta para riscos e pede mudança no regime de cumprimento da pena
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou que advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro realizem visita hospitalar nesta quarta-feira (18), em Brasília. A decisão ocorre em meio ao agravamento recente do quadro de saúde do ex-chefe do Executivo e à intensificação dos pedidos da defesa para que ele passe a cumprir pena em regime domiciliar.
Bolsonaro está internado desde a última sexta-feira (13) no Hospital DF Star, após ser diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral — condição caracterizada por inflamação simultânea nos dois pulmões, geralmente associada a infecções graves. Segundo boletim médico divulgado na terça-feira (17), o ex-presidente apresentou melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas, com redução dos marcadores inflamatórios, mas segue sob cuidados intensivos, incluindo antibioticoterapia intravenosa e fisioterapia respiratória.
A autorização judicial permite que os advogados Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser tenham acesso ao cliente durante o período de internação, respeitando as normas hospitalares. Inicialmente prevista para ocorrer na terça-feira (17), a visita foi remarcada por decisão do próprio Moraes.
Pressão por prisão domiciliar
Paralelamente à evolução do quadro de saúde, a defesa de Bolsonaro voltou a solicitar ao STF a concessão de prisão domiciliar. O pedido foi reforçado após reunião entre o ministro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que classificou o encontro como “tranquilo e objetivo”, mas sem definição de prazo para análise da solicitação.
Condenado a mais de 27 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de ruptura institucional — processo julgado no âmbito do próprio STF — Bolsonaro cumpre pena em unidade prisional em Brasília. Seus advogados sustentam que o atual estado de saúde exige acompanhamento contínuo e estrutura médica adequada, o que, segundo eles, não pode ser plenamente garantido no sistema prisional.
Em nota, a defesa argumenta que a prisão domiciliar não representa privilégio, mas uma medida necessária para evitar o agravamento do quadro clínico. Entre os pontos destacados estão a possibilidade de monitoramento permanente, acesso imediato a atendimento emergencial e redução de riscos associados a eventuais complicações respiratórias.
Estado de saúde e histórico recente
De acordo com informações médicas, Bolsonaro foi hospitalizado após apresentar sintomas como febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese intensa e calafrios — sinais compatíveis com infecções pulmonares severas. A broncopneumonia bilateral pode evoluir rapidamente, especialmente em pacientes com histórico clínico complexo, exigindo tratamento intensivo e acompanhamento rigoroso.
Apesar da melhora registrada, o quadro ainda inspira cuidados, e a equipe médica mantém vigilância constante para evitar recaídas ou novas complicações.
Próximos passos
A decisão sobre a eventual concessão de prisão domiciliar ainda não tem prazo definido. Caberá ao ministro Alexandre de Moraes avaliar os argumentos da defesa à luz dos relatórios médicos e das condições legais previstas para a mudança de regime.
Enquanto isso, a visita dos advogados ao hospital deve servir para alinhar estratégias jurídicas e acompanhar de perto a evolução do estado de saúde do ex-presidente, em um momento considerado sensível tanto do ponto de vista clínico quanto judicial.
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