Aprovado primeiro tratamento específico contra malária para recém-nascidos e abre nova era no combate à doença

Medicamento adaptado para bebês de até 5 kg reduz riscos de dosagem inadequada e pode beneficiar milhões em regiões endêmicas, especialmente na África
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a pré-qualificação do primeiro tratamento contra a malária desenvolvido especificamente para recém-nascidos e bebês de baixo peso. A medida representa um avanço importante no combate à doença, que ainda atinge milhões de pessoas no mundo, e corrige uma lacuna crítica no atendimento a essa faixa etária, até então tratada com medicamentos adaptados de formulações para crianças mais velhas.

A nova terapia combina arteméter e lumefantrina — substâncias já utilizadas no tratamento da malária —, mas agora em uma formulação adequada para bebês que pesam entre dois e cinco quilos. Segundo a OMS, a pré-qualificação garante que o medicamento atende a padrões internacionais de qualidade, segurança e eficácia, permitindo sua aquisição por sistemas públicos de saúde e organizações internacionais.

Até então, recém-nascidos diagnosticados com malária recebiam medicamentos desenvolvidos para crianças maiores, o que aumentava os riscos de erros na dosagem, efeitos colaterais e até toxicidade. Com a nova formulação, a expectativa é reduzir complicações e ampliar a segurança no tratamento de um grupo considerado altamente vulnerável.

A iniciativa também tem potencial de impacto global. Estima-se que cerca de 30 milhões de bebês nasçam anualmente em regiões onde a malária é endêmica, principalmente na África. A falta de medicamentos específicos para essa faixa etária sempre foi apontada como um dos principais desafios no controle da doença.

Novos testes ampliam precisão no diagnóstico

Além do tratamento, a OMS também anunciou a pré-qualificação de três novos testes rápidos de diagnóstico. Esses exames identificam a proteína pf-LDH, associada ao parasita Plasmodium falciparum, responsável pelas formas mais graves da doença.

A atualização é considerada estratégica, já que muitos testes anteriores focavam na proteína HRP2. Em algumas regiões, o parasita tem apresentado mutações que reduzem a presença dessa proteína, o que compromete a eficácia dos exames tradicionais.

Malária segue como desafio global

Mesmo com avanços recentes, a malária continua sendo uma das doenças infecciosas mais preocupantes do mundo. Dados recentes da OMS indicam cerca de 282 milhões de casos e 610 mil mortes registradas em 2024, com maior concentração em países africanos.

Pesquisas recentes também apontam que a infecção pode gerar impactos de longo prazo, incluindo prejuízos cognitivos em crianças, mesmo anos após o tratamento.

Vacinas e limitações

Duas vacinas contra a malária já foram aprovadas nos últimos anos, marcando um avanço importante na prevenção. No entanto, a distribuição ainda é limitada e a eficácia varia conforme o tipo de parasita predominante em cada região.

No Brasil, a maior parte dos casos é causada pelo Plasmodium vivax, enquanto os imunizantes disponíveis atualmente têm como alvo principal o Plasmodium falciparum, o que limita sua aplicação no país.

Situação brasileira

A malária permanece endêmica na região amazônica e é transmitida pelo mosquito do gênero Anopheles, conhecido como mosquito-prego. Apesar de ser uma doença tratável, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado continuam sendo fatores decisivos para evitar complicações.

A aprovação de um tratamento específico para recém-nascidos representa um avanço significativo na resposta global à malária. Ainda assim, especialistas apontam que o enfrentamento da doença exige continuidade em investimentos, ampliação do acesso a tecnologias de diagnóstico e adaptação das estratégias às realidades regionais.

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