R$ 599 MILHÕES: CPMI revela descontos massivos de sindicato ligado a irmão de Lula sobre aposentadorias do INSS

Foto: Ricardo Stuckert
Relatório aponta que 56% do total — R$ 339,5 milhões — foram descontados entre 2023 e 2025, além de indícios de documentos falsificados e irregularidades em autorizações
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS trouxe à tona um dos maiores volumes já registrados de descontos associativos sobre aposentadorias no país. Segundo o documento, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), ligado ao irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acumulou R$ 599,5 milhões em cobranças ao longo de 10 anos. A investigação aponta indícios de irregularidades, incluindo possível falsificação de autorizações.

 Valor total sob suspeita

R$ 599.520.490,37
Esse é o montante arrecadado pelo Sindnapi entre 2015 e março de 2025, conforme a CPMI.

O volume coloca a entidade como a terceira que mais realizou descontos diretamente na folha de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 Crescimento durante o atual governo

O relatório destaca que mais da metade dos valores foi registrada recentemente:

R$ 339,5 milhões (56%) entre 2023 e 2025

O período coincide com o atual governo federal, o que intensificou o debate político sobre a fiscalização dos acordos firmados com entidades sindicais.

 Milhões de descontos registrados

Segundo a CPMI:

  • 26.462.669 descontos foram realizados no período analisado
  • Média de milhões de lançamentos diretamente nos benefícios previdenciários
  • Indícios de que parte dessas cobranças ocorreu sem consentimento válido dos aposentados

 Envolvidos e indiciamentos

O vice-presidente do sindicato, José Ferreira da Silva — conhecido como Frei Chico — irmão de Luiz Inácio Lula da Silva, foi citado no relatório, mas não foi indiciado.

Já entre os indiciados estão:

  • Milton Baptista de Souza (presidente do Sindnapi)
  • Tonia Inocentini Galleti (ex-coordenadora jurídica)

 Indícios de fraude documental

Um dos pontos mais graves do relatório envolve suspeitas de falsificação de documentos.

A Controladoria-Geral da União identificou um caso em que:

  • Um termo de adesão foi datado de maio de 2023
  • Porém, os metadados indicam criação apenas em junho de 2024
  • O documento teria sido produzido por funcionária do próprio sindicato

 A conclusão da investigação aponta que autorizações podem ter sido fabricadas para justificar descontos já realizados.

 Irregularidade em declaração ao INSS

A CPMI também afirma que o Sindnapi teria omitido informações ao INSS sobre a ligação familiar entre Frei Chico e o presidente da República.

Pelas regras dos acordos com o Instituto Nacional do Seguro Social, entidades não podem ter dirigentes com parentesco direto com membros do poder público — o que, se confirmado, configura violação normativa.

 Origem dos acordos

O relatório detalha que:

  • O primeiro acordo com o INSS foi firmado em 2008
  • Renovado em 2013
  • Atualizado novamente em 2023

Esses acordos permitiram os descontos automáticos diretamente nos benefícios previdenciários.

 Bloqueio judicial bilionário

A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 500 milhões em bens e valores do sindicato, como medida preventiva diante das suspeitas.

 Contexto e impacto

O caso reforça preocupações estruturais sobre o modelo de descontos associativos no sistema previdenciário brasileiro, especialmente pela dificuldade de controle e validação de autorizações.

A CPMI conclui que há necessidade urgente de:

  • Revisão dos mecanismos de autorização
  • Auditoria completa nos descontos
  • Responsabilização de entidades e agentes públicos envolvidos

 

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