Pela terceira vez, política econômica de Lula volta a penalizar os mais pobres

Crescimento baseado em crédito, sem avanço em investimento e produtividade, antecipa consumo e aumenta o risco de endividamento das famílias

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O atual modelo econômico conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a ser alvo de críticas por parte de economistas e analistas alinhados a uma visão mais liberal da economia. O ponto central do debate gira em torno da estratégia adotada: crescimento impulsionado pelo consumo, sustentado por transferência de renda e expansão do crédito.

Embora os indicadores recentes apontem avanço do Produto Interno Bruto (PIB), especialistas questionam a qualidade desse crescimento e, principalmente, sua capacidade de se manter no médio e longo prazo.

Crescimento que não se sustenta

Em 2025, o Brasil registrou crescimento econômico, mas a composição desse avanço revela um dado importante: a maior parte da expansão foi puxada pelo consumo das famílias, e não pelo investimento produtivo.

Esse tipo de crescimento, segundo críticos, tem efeito limitado. A economia se movimenta no curto prazo, mas não amplia sua capacidade de produção, o que compromete o desenvolvimento sustentável.

Sem investimento consistente, não há aumento de produtividade — e sem produtividade, o crescimento tende a perder força rapidamente.

Endividamento recorde preocupa

Outro ponto que acende o alerta é o nível de endividamento das famílias brasileiras. Atualmente, mais de 80% dos lares possuem algum tipo de dívida, com parte significativa da renda comprometida com pagamentos mensais.

Na prática, isso significa que o dinheiro que entra já sai comprometido — reduzindo o poder real de consumo e a qualidade de vida da população.

A expansão do crédito, incentivada como forma de aquecer a economia, acaba criando um efeito colateral: famílias mais vulneráveis financeiramente e dependentes de crédito caro.

Juros altos anulam os ganhos

O cenário se agrava com o patamar elevado dos juros no país. Mesmo com estímulos ao consumo, o custo do crédito permanece alto, pressionado por incertezas fiscais e aumento da dívida pública.

Forma-se um ciclo preocupante: o governo incentiva o consumo via crédito, mas os juros elevados corroem exatamente essa renda que deveria impulsionar a economia.

Esse mecanismo, na visão de críticos, gera uma falsa sensação de prosperidade — que não se sustenta ao longo do tempo.

Modelo baseado em crédito gera efeito reverso

A inclusão financeira, frequentemente celebrada como avanço social, também entra no debate. Embora mais brasileiros tenham acesso ao sistema bancário, isso não significa necessariamente melhora patrimonial.

Em muitos casos, o acesso ao sistema financeiro tem significado acesso a dívidas — e não à construção de riqueza.

Sem poupança interna robusta e com juros elevados, o crédito deixa de ser ferramenta de crescimento e passa a ser um fator de pressão sobre a renda.

Déficit público e impacto nos juros

O aumento dos gastos públicos e a dificuldade de equilíbrio fiscal também influenciam diretamente o cenário econômico. Com a dívida pública em trajetória de alta, o país enfrenta dificuldades para reduzir os juros de forma consistente.

O resultado é direto: crédito caro, menor capacidade de investimento e maior pressão sobre o orçamento das famílias.

Medidas pontuais não resolvem o problema

Diante do avanço do endividamento, o governo tem discutido intervenções no sistema de crédito, especialmente em modalidades com juros elevados, como o rotativo do cartão.

Apesar disso, especialistas alertam que ações isoladas não atacam a raiz do problema.

Sem ajuste fiscal e aumento da confiança econômica, o custo do crédito tende a permanecer elevado — independentemente de medidas pontuais.

Impacto maior nos mais pobres

O efeito mais sensível desse modelo recai sobre as famílias de menor renda. São elas que mais dependem de crédito e que mais sofrem com juros elevados e inflação.

O que deveria ser política de inclusão pode acabar ampliando a vulnerabilidade financeira, criando um ciclo difícil de romper.

Conclusão

O Brasil volta a enfrentar um dilema econômico conhecido: crescer no curto prazo via consumo ou construir bases sólidas para um desenvolvimento sustentável.

Para críticos do atual modelo, a resposta ainda não veio. A dependência de crédito, o baixo investimento e o avanço do endividamento indicam que o crescimento atual pode ser mais frágil do que aparenta.

O debate segue aberto — mas os sinais de alerta já estão colocados sobre a mesa.

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