Surto de hantavírus em navio preocupa autoridades de saúde global

 Mortes em navio que partiu de Ushuaia levanta hipótese rara de contágio em ambiente fechado e mobiliza autoridades internacionais
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Um surto de hantavírus registrado a bordo de um cruzeiro internacional colocou especialistas em alerta e levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a investigar a possibilidade considerada incomum de transmissão entre pessoas em ambientes de contato próximo. O caso, que já resultou em mortes e pacientes em estado grave, está sendo analisado com base em evidências epidemiológicas, exames laboratoriais e rastreamento de contatos.

Surto em alto-mar e investigação internacional

De acordo com informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde, sete casos de infecção foram identificados entre passageiros e tripulantes de um navio que partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, e percorreu regiões do Atlântico Sul.

Entre os casos, dois foram confirmados por exames laboratoriais, enquanto outros cinco seguem sob investigação. Até o momento, três mortes foram registradas. Parte dos pacientes apresentou evolução clínica rápida, com agravamento respiratório característica compatível com a forma mais severa da doença.

Os primeiros sintomas surgiram ainda durante a viagem, entre o início e o fim de abril, o que levanta dúvidas sobre o momento exato da exposição ao vírus.

Transmissão entre humanos: hipótese rara, mas possível

A principal linha de investigação considera que os passageiros possam ter sido infectados antes do embarque. No entanto, a OMS avalia indícios de possível transmissão entre pessoas dentro do navio — cenário considerado raro, mas já documentado em episódios anteriores, especialmente na América do Sul.

Em ambientes confinados, como embarcações, o contato próximo e prolongado entre indivíduos pode favorecer a disseminação de agentes infecciosos. Ainda assim, especialistas ressaltam que o hantavírus não costuma se propagar com facilidade entre humanos, diferentemente de vírus respiratórios mais comuns.

O que é o hantavírus e como ele age

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. A infecção ocorre, em geral, pelo contato com urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente quando partículas contaminadas são inaladas.

A doença pode se manifestar de duas formas principais:

  • Síndrome pulmonar por hantavírus, mais comum nas Américas, com evolução para insuficiência respiratória grave

  • Febre hemorrágica com síndrome renal, mais frequente na Europa e Ásia

Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, mal-estar e, em alguns casos, manifestações gastrointestinais. A progressão pode levar a falta de ar, comprometimento pulmonar severo ou alterações renais.

Não existe tratamento antiviral específico amplamente eficaz. Por isso, o diagnóstico precoce e o suporte médico intensivo são determinantes para aumentar as chances de sobrevivência.

Casos graves e rastreamento de contatos

Entre os infectados, há relatos de pacientes que evoluíram rapidamente para quadros críticos. Um dos casos confirmados exigiu internação em unidade de terapia intensiva. Outros seguem com sintomas leves, sob monitoramento.

As autoridades de saúde também investigam o caso de uma passageira que deixou o navio e morreu após ser atendida em um hospital na África do Sul. O rastreamento de contatos já foi iniciado para identificar possíveis novas infecções e conter qualquer cadeia de transmissão.

Risco global é considerado baixo, mas vigilância continua

Apesar da gravidade dos casos, a Organização Mundial da Saúde avalia que o risco global associado ao surto é, até o momento, baixo. Ainda assim, o episódio é tratado com cautela devido à possibilidade — ainda não confirmada de transmissão interpessoal.

Especialistas reforçam que a investigação em curso será essencial para esclarecer se houve, de fato, contágio entre passageiros e tripulantes, ou se todos os casos estão relacionados a uma fonte comum anterior ao embarque.

Alerta para prevenção

Autoridades sanitárias destacam a importância de medidas preventivas, especialmente em regiões onde há circulação de roedores silvestres. Entre as recomendações estão:

  • Evitar contato com ambientes infestados por roedores

  • Manter alimentos armazenados adequadamente

  • Higienizar locais fechados antes de ocupá-los

  • Buscar atendimento médico ao surgirem sintomas compatíveis

O caso segue sob análise internacional e pode trazer novas evidências sobre o comportamento do hantavírus em ambientes de confinamento — um fator que, se confirmado, pode impactar protocolos de segurança sanitária em viagens marítimas e outras situações semelhantes.

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