Auditor teria recebido milhões para liberar mercadorias e acelerar processos; investigação apura lavagem de dinheiro
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (2) a Operação Benaia, uma ampla ação destinada a desarticular um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento indevido dentro da estrutura da Receita Federal em Santa Catarina. O principal alvo da investigação é um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí, suspeito de utilizar o cargo para beneficiar empresários que atuavam no terminal alfandegário da região.
Segundo as investigações, o servidor público teria recebido pelo menos R$ 2 milhões em propinas para facilitar a liberação de mercadorias importadas, acelerar procedimentos administrativos e garantir vantagens operacionais a empresas que atuavam no comércio exterior. A Justiça Federal determinou o afastamento imediato do investigado de qualquer função pública e autorizou o bloqueio de bens e valores vinculados ao suspeito.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e São Paulo. Os agentes recolheram computadores, celulares, documentos e mídias digitais que podem auxiliar na identificação de outros envolvidos no esquema.
De acordo com a PF, o investigado teria montado uma estrutura empresarial em nome de familiares para ocultar a origem dos recursos obtidos ilegalmente. Empresas registradas em nome de parentes eram utilizadas para receber e movimentar valores supostamente relacionados ao pagamento de propinas, dando aparência de legalidade ao patrimônio acumulado.
As autoridades afirmam que a investigação avançou após a análise de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. O cruzamento dessas informações com decisões e procedimentos realizados no âmbito alfandegário levantou suspeitas sobre a existência de um esquema estruturado de favorecimento.
A Receita Federal acompanhou a operação e deverá realizar auditorias complementares nos documentos apreendidos. O objetivo é verificar a extensão dos prejuízos causados à administração pública e identificar possíveis irregularidades fiscais associadas ao caso.
Os mandados foram cumpridos em endereços residenciais e comerciais localizados em Campinas, Guarulhos, Paulínia e na capital paulista, além de municípios catarinenses. A expectativa dos investigadores é que o material recolhido permita rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro e revelar a participação de outros agentes públicos ou empresários.
A Operação Benaia representa mais um capítulo no combate à corrupção e aos crimes financeiros envolvendo estruturas públicas estratégicas. Os investigados poderão responder por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa e outros delitos que venham a ser identificados ao longo das apurações.
As investigações continuam e novas medidas não estão descartadas.
Leia mais
DHS reclama de indulto concedido a estrangeiro condenado por roubo à mão armada em Minnesota
Vídeo de suposto OVNI no Paraná viraliza e intriga internautas

Faça um comentário