Agência determina apreensão imediata de lote falsificado de somatropina e de medicamento oncológico proveniente de carga furtada na Europa; pacientes e profissionais de saúde são orientados a verificar os números dos lotes antes do uso
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sanitário de alcance nacional e determinou a apreensão imediata de dois medicamentos que representam riscos à saúde pública: um lote falsificado do hormônio do crescimento Criscy (somatropina) e unidades do medicamento oncológico Kimmtrak, identificadas como provenientes de uma carga furtada na Europa. As medidas foram publicadas nesta segunda-feira (15) no Diário Oficial da União e têm como objetivo impedir que produtos sem garantia de procedência, segurança e eficácia continuem circulando no país.
Segundo a Anvisa, os dois casos apresentam graves irregularidades que comprometem a rastreabilidade dos medicamentos e podem expor pacientes a riscos imprevisíveis, especialmente porque envolvem tratamentos de alta complexidade e condições clínicas delicadas.
Hormônio do crescimento falsificado
O alerta referente ao hormônio do crescimento envolve o medicamento Criscy (somatropina), fabricado pela empresa farmacêutica Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos.
A medida atinge especificamente o lote 22030133, identificado pela própria fabricante como falsificado após a detecção de unidades no mercado com características incompatíveis com o produto original.
De acordo com a Anvisa, as irregularidades encontradas incluem:
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Datas de fabricação divergentes das registradas pela empresa;
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Datas de validade incompatíveis com o produto legítimo;
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Número de lote inexistente nos registros da fabricante.
Em resolução publicada no Diário Oficial da União, a agência afirmou que as discrepâncias “caracterizam, portanto, falsificação do produto”.
A somatropina é utilizada no tratamento de pacientes com deficiência do hormônio do crescimento, distúrbios de desenvolvimento e outras condições endócrinas específicas. O uso de produtos falsificados pode comprometer a eficácia terapêutica, provocar efeitos adversos desconhecidos e colocar em risco a saúde dos pacientes.
Diante da constatação da fraude, a Anvisa proibiu imediatamente a comercialização, distribuição e utilização do lote falsificado em todo o território nacional, além de determinar sua apreensão. A empresa Cristália ainda não havia se manifestado oficialmente até a publicação das primeiras informações divulgadas pela imprensa.
Medicamento contra câncer foi desviado após furto de carga na Europa
A segunda medida sanitária envolve o medicamento Kimmtrak, indicado para o tratamento de pacientes com melanoma uveal metastático, um tipo raro de câncer ocular que pode se disseminar para outras partes do organismo.
A proibição se refere ao lote 4A010AA27.
Segundo a Anvisa, a empresa Medison Pharma Brasil, responsável pelo registro do medicamento no Brasil, informou que unidades desse lote encontradas no mercado brasileiro têm origem em uma carga furtada na Europa.
Em razão do roubo, tornou-se impossível garantir as condições adequadas de armazenamento, transporte e conservação do medicamento. A perda da rastreabilidade compromete a segurança do produto e impede a certificação de sua integridade, tornando-o impróprio para uso.
Por esse motivo, a agência sanitária determinou:
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A apreensão das unidades identificadas;
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A proibição da comercialização;
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A suspensão da importação;
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A vedação do uso do lote em todo o território nacional.
Especialistas alertam que medicamentos biológicos e oncológicos exigem condições rigorosas de temperatura e armazenamento. Qualquer falha nesse processo pode alterar a composição do produto, reduzir sua eficácia ou até gerar riscos adicionais aos pacientes.
Orientações da Anvisa
A agência recomenda que pacientes, hospitais, clínicas, farmácias e distribuidores verifiquem imediatamente os números dos lotes antes de utilizar os medicamentos.
Os lotes proibidos são:
Criscy (somatropina): lote 22030133
Kimmtrak: lote 4A010AA27
Caso sejam identificadas unidades desses produtos, a orientação é:
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Não utilizar o medicamento;
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Isolar o produto;
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Comunicar imediatamente a vigilância sanitária local;
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Informar o caso à Anvisa pelos canais oficiais de denúncia.
A agência também reforçou a importância de adquirir medicamentos exclusivamente por meio de canais autorizados e distribuidores regularizados, medida considerada essencial para reduzir o risco de exposição a produtos falsificados, desviados ou sem garantia de procedência.
Risco à saúde pública
A ocorrência de medicamentos falsificados ou provenientes de cargas furtadas acende um alerta para a segurança da cadeia de distribuição farmacêutica. Segundo a Anvisa, a rastreabilidade dos medicamentos é um dos principais mecanismos de proteção ao paciente, permitindo identificar a origem dos produtos, monitorar seu transporte e assegurar que mantenham suas características de qualidade, eficácia e segurança até chegarem ao consumidor final.
A agência segue monitorando os casos e orienta que qualquer suspeita de irregularidade envolvendo medicamentos seja imediatamente comunicada aos órgãos de vigilância sanitária.
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