Inluriyo®, desenvolvido pela Eli Lilly, é indicado para pacientes com mutação genética específica e doença que já não responde adequadamente à terapia hormonal
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento oral para o tratamento do câncer de mama avançado ou metastático, oferecendo uma nova alternativa terapêutica para pacientes que apresentam características genéticas específicas da doença. O Inluriyo® (tosilato de inlunestranto), desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, é destinado a adultos que já foram submetidos à terapia endócrina e possuem tumores com receptor de estrogênio positivo (ER+), HER2 negativo (HER2-) e mutação no gene ESR1, associada à resistência aos tratamentos hormonais convencionais.
A aprovação foi publicada pela Anvisa no Diário Oficial da União nesta semana e representa mais um avanço no tratamento personalizado do câncer de mama, uma das doenças que mais afetam mulheres em todo o mundo.
Segundo a agência reguladora, o medicamento é indicado para pacientes com câncer de mama localmente avançado, quando a doença não pode ser removida cirurgicamente, ou metastático, quando já se espalhou para outras partes do organismo. O tratamento é administrado por via oral e utilizado como monoterapia, ou seja, sem a necessidade de associação obrigatória a outros medicamentos.
Tratamento direcionado a uma mutação genética específica
O diferencial do Inluriyo® está em sua atuação sobre tumores que apresentam mutação no gene ESR1 (Estrogen Receptor 1), alteração genética frequentemente associada à progressão da doença e à perda de eficácia de terapias hormonais utilizadas anteriormente.
Essa estratégia faz parte da chamada medicina de precisão, abordagem que busca oferecer tratamentos personalizados com base nas características moleculares do tumor de cada paciente.
A aprovação brasileira acompanha decisões regulatórias internacionais. Em setembro de 2025, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) também aprovou o imlunestranto para pacientes com câncer de mama avançado ou metastático portadores da mutação ESR1 após progressão da doença durante tratamento endócrino.
Câncer de mama continua sendo o mais frequente entre mulheres
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama permanece como a neoplasia maligna de maior incidência na população feminina brasileira.
As estimativas apontam para 73.610 novos casos anuais da doença no período entre 2023 e 2025, número que corresponde a aproximadamente 30,1% de todos os diagnósticos de câncer entre mulheres no país.
Especialistas destacam que o avanço das terapias-alvo e dos medicamentos personalizados tem contribuído para aumentar as opções de tratamento e melhorar a qualidade de vida de pacientes com doença avançada, especialmente nos casos em que os tratamentos tradicionais deixam de apresentar resultados satisfatórios.
Avanço para a oncologia brasileira
A chegada do Inluriyo® ao mercado brasileiro reforça uma tendência crescente na oncologia moderna: a utilização de terapias cada vez mais específicas para diferentes perfis genéticos do câncer.
Embora a aprovação regulatória represente um passo importante, especialistas ressaltam que a indicação do medicamento dependerá de avaliação médica individualizada e da confirmação laboratorial da mutação ESR1.
A expectativa é que a nova terapia amplie as alternativas disponíveis para pacientes com câncer de mama avançado, oferecendo uma opção adicional em um cenário onde a personalização do tratamento tem se mostrado fundamental para melhores resultados clínicos.
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