Conhecida como “cirurgia metabólica”, técnica semelhante à bariátrica reorganiza o intestino para estimular a produção natural de insulina e já está disponível pelo SUS
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma cirurgia considerada “prima” da bariátrica está transformando a vida de pacientes com diabetes tipo 2 ao proporcionar controle duradouro da doença em até 89% dos casos. Conhecido como cirurgia metabólica, o procedimento atua diretamente nos mecanismos hormonais do organismo, estimulando a produção natural de insulina e reduzindo a necessidade de medicamentos. Realizada por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, a técnica dura cerca de 1h20, exige apenas uma noite de internação e já é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes que atendem aos critérios médicos.
O diabetes tipo 2 afeta milhões de brasileiros e representa uma das principais causas de doenças cardiovasculares, insuficiência renal, amputações e perda da visão. Embora medicamentos, alimentação equilibrada e atividade física sejam fundamentais para o tratamento, parte dos pacientes não consegue atingir um controle adequado da glicemia apenas com essas medidas.
Nesse cenário, a cirurgia metabólica tem se consolidado como uma importante alternativa terapêutica.
Como funciona a cirurgia metabólica
Apesar de ser frequentemente comparada à cirurgia bariátrica, a cirurgia metabólica possui um objetivo diferente. Enquanto a bariátrica é indicada principalmente para o tratamento da obesidade, a metabólica tem como foco o controle do diabetes tipo 2.
O procedimento promove uma reorganização do trânsito intestinal, fazendo com que os alimentos alcancem mais rapidamente determinadas regiões do intestino. Essa mudança estimula a liberação de hormônios conhecidos como incretinas, especialmente o GLP-1, que aumentam a produção de insulina pelo pâncreas e melhoram a sensibilidade do organismo ao hormônio. Estudos demonstram que muitos pacientes apresentam melhora significativa dos níveis de glicose poucos dias após a cirurgia, antes mesmo de ocorrer perda importante de peso.
Taxas de sucesso impressionam especialistas
Diversas pesquisas científicas apontam taxas elevadas de remissão ou controle do diabetes após a cirurgia metabólica. Revisões de estudos clínicos mostram índices que podem chegar a aproximadamente 89% ou até 90% em determinados grupos de pacientes, especialmente quando o procedimento é realizado antes que a doença provoque danos irreversíveis ao pâncreas.
Especialistas destacam que o termo mais adequado é “remissão” e não “cura”, já que o diabetes pode retornar ao longo dos anos, principalmente em casos de recuperação de peso ou progressão natural da doença. Ainda assim, muitos pacientes conseguem permanecer por longos períodos sem a necessidade de medicamentos ou com doses significativamente menores.
Disponível pelo SUS
O Sistema Único de Saúde passou a realizar cirurgias metabólicas para pacientes selecionados após a aprovação do procedimento pelo Conselho Federal de Medicina. A indicação contempla pessoas com diabetes tipo 2 de difícil controle e que atendam aos critérios clínicos estabelecidos pelos especialistas.
Nos últimos anos, as diretrizes médicas foram ampliadas, permitindo que pacientes com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35 e diabetes tipo 2 também possam ser avaliados para o procedimento, dependendo do quadro clínico e da resposta aos tratamentos convencionais.
Cirurgia robótica amplia segurança
O avanço da cirurgia robótica tem contribuído para tornar o procedimento ainda mais preciso. A técnica permite movimentos cirúrgicos de alta precisão, menor trauma aos tecidos, recuperação mais rápida e redução do tempo de internação.
Em muitos centros especializados, os pacientes recebem alta no dia seguinte à operação e retomam gradualmente suas atividades habituais após acompanhamento médico multidisciplinar.
Diabetes continua crescendo no Brasil
Segundo estimativas de organizações internacionais de saúde, o número de pessoas com diabetes tipo 2 continua aumentando em todo o mundo, impulsionado principalmente pelo sedentarismo, alimentação inadequada e aumento dos índices de obesidade.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que a cirurgia metabólica não substitui hábitos saudáveis, mas representa uma ferramenta poderosa para pacientes que não conseguem controlar a doença apenas com tratamento clínico.
Para médicos e pesquisadores, a expansão do acesso à cirurgia metabólica pode representar um importante avanço no combate às complicações do diabetes e na melhoria da qualidade de vida de milhares de brasileiros.
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