Mais de 100 venezuelanos deportados dos EUA estão desaparecidos após terremotos devastarem La Guaira

Grupo havia sido deportado dos Estados Unidos poucas horas antes dos terremotos atingirem a Venezuela. Familiares denunciam falta de informações sobre o paradeiro dos migrantes e cobram respostas das autoridades

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

O drama enfrentado por dezenas de famílias venezuelanas ganhou novos contornos após os terremotos que devastaram a região costeira de La Guaira, na Venezuela. Mais de 100 migrantes deportados dos Estados Unidos continuam desaparecidos depois que o hotel onde estavam hospedados foi atingido pelo desastre, aumentando a angústia de parentes que ainda aguardam notícias.

Os venezuelanos haviam desembarcado no país em um voo de deportação vindo de Miami poucas horas antes dos fortes tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem a região. Ao chegarem, as autoridades os encaminharam para um hotel em La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos terremotos. O edifício desabou durante o desastre, deixando dezenas de pessoas soterradas.

Sobreviventes relataram momentos de desespero enquanto tentavam escapar dos escombros e ajudar outras vítimas. Alguns conseguiram sair com vida graças ao auxílio de outros deportados, mas muitos permanecem desaparecidos. Entre os sobreviventes está Lisbeth Portillo, que contou ter escapado do desabamento ao lado de cerca de 20 pessoas antes de conseguir reencontrar a família.  

Familiares afirmam que enfrentam enormes dificuldades para localizar os parentes desaparecidos. Segundo relatos, muitos deportados tiveram celulares e documentos recolhidos ao chegarem à Venezuela, o que dificultou ainda mais a identificação das vítimas e a comunicação após a tragédia. A falta de informações oficiais tem aumentado o desespero das famílias, que percorrem hospitais, abrigos e centros de resgate em busca de qualquer notícia.  

As operações de busca continuam em meio às dificuldades provocadas pela destruição causada pelos terremotos. Moradores e voluntários têm participado ativamente dos resgates, muitas vezes utilizando apenas as próprias mãos para remover escombros diante da escassez de equipamentos pesados e da demora na resposta das autoridades.  

Enquanto o número de mortos e desaparecidos segue aumentando, parentes dos migrantes deportados cobram transparência das autoridades venezuelanas e respostas sobre o destino dos passageiros que retornaram ao país poucas horas antes da tragédia.

O caso evidencia o drama vivido por centenas de famílias que ainda esperam reencontrar seus entes queridos.

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