Tarifa dos EUA faz empresas estudarem deixar o Brasil enquanto governo Lula não apresenta solução

Com a tarifa de 25% prestes a entrar em vigor, indústrias avaliam transferir operações e alertam para impactos nos empregos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros já provoca mudanças no planejamento de empresas exportadoras. A poucos dias da entrada em vigor da medida, marcada para 22 de julho, indústrias estudam reduzir a produção, renegociar contratos e até transferir parte de suas operações para países vizinhos para manter o acesso ao mercado norte-americano sem arcar com o novo custo.

Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue apostando nas negociações diplomáticas, mas ainda não apresentou uma solução concreta capaz de evitar os impactos da tarifa sobre o setor produtivo. A falta de uma definição aumenta a preocupação entre empresários, especialmente daqueles que dependem das exportações para os Estados Unidos.

Os segmentos mais afetados incluem a indústria madeireira, fabricantes de máquinas, calçados e empresas do setor de rochas naturais, que possuem pouca capacidade de direcionar rapidamente seus produtos para outros mercados.

Segundo João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), algumas empresas já começaram a mudar seus planos para preservar a competitividade.

“Tem indústrias que já estão se instalando em países vizinhos para conseguir produzir lá, transferir os equipamentos aqui do Brasil e, por meio desse país, acessar o mercado americano sem a tarifação”, afirmou em entrevista ao portal Times Brasil.

Na prática, isso significa que fábricas podem retirar investimentos do Brasil para produzir em países que não foram atingidos pela tarifa americana. Caso esse movimento ganhe força, o país poderá perder investimentos, produção industrial e postos de trabalho.

Empresas buscam alternativas

Outra estratégia analisada pelas empresas é adaptar parte da produção para atender outros mercados internacionais.

Uma indústria que atualmente fabrica molduras para os Estados Unidos, por exemplo, poderia direcionar sua produção para madeira serrada destinada à Europa. No entanto, especialistas do setor afirmam que essa mudança não ocorre de forma imediata.

Além da necessidade de adaptar processos industriais, os novos mercados já contam com fornecedores consolidados, aumentando a concorrência e reduzindo as margens de lucro.

As empresas também tentam negociar a divisão do custo da tarifa com importadores e consumidores norte-americanos. Porém, segundo representantes da indústria, essa alternativa não funciona em todos os segmentos.

No setor madeireiro, um dos mais afetados, a avaliação é de que absorver um aumento de 25% nos custos é economicamente inviável.

Paraná concentra os maiores impactos

De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), cerca de 75% das exportações paranaenses destinadas aos Estados Unidos podem ser atingidas pela nova tarifa. No restante do país, a média é de aproximadamente 30%.

Segundo a entidade, essa diferença ocorre porque o Paraná possui forte participação da indústria florestal em sua pauta de exportações, setor diretamente impactado pela medida americana.

Representantes da indústria afirmam que a situação coloca o Brasil em desvantagem diante de concorrentes internacionais.

Países como Chile, Canadá, Suécia, China e Malásia continuam exportando para os Estados Unidos sem a mesma sobretaxa, aumentando a competitividade desses produtos em relação aos brasileiros.

Risco para empregos

A preocupação das entidades empresariais vai além da queda nas exportações.

Segundo João Arthur Mohr, muitas empresas paranaenses concentram praticamente toda a produção no mercado norte-americano e possuem poucas alternativas para substituir esse destino em curto prazo.

Caso as exportações diminuam significativamente, o setor teme redução da atividade industrial, suspensão de investimentos e cortes de empregos.

A eventual transferência de fábricas para outros países também representa um desafio para a economia brasileira, já que parte da produção, da arrecadação de impostos e das vagas de trabalho poderá deixar o país.

Pressão sobre o governo

Com a tarifa entrando em vigor em 22 de julho, cresce a pressão sobre o governo Lula para apresentar uma resposta considerada eficaz pelo setor produtivo.

Até o momento, o Planalto tem defendido a continuidade das negociações diplomáticas e afirma buscar uma solução para reduzir os impactos da medida. No entanto, empresários afirmam que, diante da proximidade da entrada em vigor da tarifa e da ausência de um acordo, muitas empresas precisaram tomar decisões por conta própria para preservar seus negócios.

Para representantes da indústria, a insegurança gerada pelo cenário atual pode comprometer novos investimentos, reduzir a competitividade da produção nacional e acelerar a migração de operações para outros países, com reflexos diretos sobre a economia e o mercado de trabalho brasileiro.

Leia mais

Moraes proíbe visita de Milei a Bolsonaro e suspende recebimento de visitas por 30 dias

Governo Trump muda regras de vistos e limita tempo de permanência de estudantes e jornalistas estrangeiros

Gonorreia resistente a antibióticos avança na Europa e acende alerta para risco de disseminação internacional

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*