Nova York registra surto da doença dos legionários e reforça alerta sobre bactéria que causa pneumonia

Infecção causada pela bactéria Legionella voltou a chamar atenção após um surto em Nova York. Especialistas explicam como ocorre a transmissão, quem faz parte do grupo de risco, quais são os sintomas e por que a manutenção de sistemas de água é a principal forma de prevenção
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A doença dos legionários voltou ao centro das atenções após um surto registrado no bairro do Upper East Side, em Manhattan, Nova York, deixar duas pessoas mortas e outras 72 infectadas, segundo autoridades de saúde locais. Embora seja relativamente rara, a infecção pode evoluir para uma pneumonia grave e reforça a importância da manutenção adequada de sistemas de água para prevenir novos casos.

A enfermidade é conhecida desde 1976, quando um surto durante uma convenção da Legião Americana, na cidade da Filadélfia, levou dezenas de pessoas a desenvolverem uma pneumonia até então desconhecida. Desde então, a bactéria passou a ser amplamente estudada e monitorada por autoridades sanitárias em diversos países.

Especialistas alertam que a doença não é transmitida entre pessoas. A infecção ocorre pela inalação de pequenas gotículas de água contaminada que ficam suspensas no ar, tornando a manutenção adequada de sistemas de água uma das principais medidas para evitar novos surtos.

O que é a doença dos legionários?

A doença dos legionários é a forma mais grave da legionelose, uma infecção causada por bactérias do gênero Legionella, sendo a espécie Legionella pneumophila a principal responsável pelos casos em humanos.

Essas bactérias vivem naturalmente em rios, lagos e reservatórios de água doce. O risco à saúde surge quando encontram condições ideais para se multiplicar em sistemas artificiais de água aquecida ou parada, como:

  • torres de resfriamento de edifícios;

  • sistemas centrais de ar-condicionado;

  • caixas d’água;

  • redes hidráulicas;

  • spas e banheiras de hidromassagem;

  • fontes ornamentais;

  • chuveiros e encanamentos pouco utilizados.

Quando a água contaminada é pulverizada em pequenas partículas, chamadas aerossóis, a bactéria pode ser inaladas e atingir os pulmões.

Como acontece a transmissão?

Ao contrário de muitas doenças respiratórias, a doença dos legionários não é contagiosa.

A transmissão acontece exclusivamente pela inalação de gotículas de água contaminadas com a bactéria. Também não há evidências de transmissão pelo consumo de água potável ou pelo contato direto entre pessoas.

Por isso, surtos costumam estar relacionados à contaminação de equipamentos que utilizam água e geram névoa ou vapor.

Quais são os sintomas?

Os sintomas geralmente aparecem entre dois e dez dias após a exposição à bactéria.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • febre alta;

  • tosse seca ou com secreção;

  • falta de ar;

  • dores musculares;

  • dor de cabeça;

  • fadiga intensa.

Em casos mais graves, também podem surgir:

  • diarreia;

  • náuseas e vômitos;

  • confusão mental;

  • sonolência;

  • alterações da consciência.

Sem tratamento adequado, a infecção pode evoluir para insuficiência respiratória, necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e até morte.

Quem corre maior risco?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver a doença, alguns grupos apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves.

Entre eles estão:

  • pessoas com mais de 50 anos;

  • fumantes e ex-fumantes;

  • portadores de doenças pulmonares crônicas;

  • diabéticos;

  • pacientes com insuficiência renal;

  • pessoas em tratamento contra o câncer;

  • transplantados;

  • indivíduos com imunidade comprometida.

Já adultos jovens e saudáveis tendem a apresentar menor risco de complicações, embora a infecção também possa ocorrer nesse grupo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser desafiador porque os sintomas se parecem com os de outras pneumonias.

Os médicos utilizam uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e testes específicos, como:

  • teste de antígeno urinário para Legionella;

  • cultura de secreções respiratórias;

  • exames moleculares, como PCR;

  • radiografia ou tomografia do tórax.

A confirmação rápida é importante para que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

Tratamento

A doença dos legionários é tratada com antibióticos específicos, sendo que a recuperação costuma ser significativamente melhor quando a terapia é iniciada precocemente.

Dependendo da gravidade, alguns pacientes necessitam de:

  • internação hospitalar;

  • oxigenoterapia;

  • suporte respiratório;

  • monitoramento intensivo.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), aproximadamente uma em cada dez pessoas diagnosticadas com a doença pode morrer em decorrência das complicações. Entre pacientes hospitalizados ou com imunidade comprometida, essa taxa pode ser ainda maior.

Como prevenir novos surtos?

A prevenção depende principalmente da manutenção adequada dos sistemas que armazenam ou circulam água.

Especialistas recomendam:

  • limpeza periódica de torres de resfriamento;

  • desinfecção de caixas d’água;

  • controle da temperatura da água;

  • monitoramento microbiológico em grandes instalações;

  • manutenção preventiva de sistemas de climatização;

  • inspeções regulares em hospitais, hotéis, condomínios e edifícios comerciais.

Quando a bactéria é identificada durante uma investigação sanitária, os equipamentos contaminados devem ser imediatamente limpos, desinfetados e submetidos a novos testes antes de voltarem a funcionar.

Vigilância é a melhor defesa

Embora a doença dos legionários seja considerada rara, especialistas ressaltam que ela continua sendo um importante desafio para a saúde pública devido ao potencial de provocar surtos em ambientes urbanos.

A rápida identificação dos casos, aliada à investigação epidemiológica e à manutenção preventiva de sistemas de água, é fundamental para interromper a circulação da bactéria e evitar novas infecções.

O episódio recente em Nova York reforça que a vigilância constante e o cumprimento das normas de higiene em equipamentos de climatização e abastecimento de água continuam sendo as medidas mais eficazes para proteger a população contra essa forma grave de pneumonia.

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