Programa busca ampliar oportunidades de capacitação profissional, mas especialistas defendem critérios rigorosos de seleção diante do crescente uso criminoso de drones por facções
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O lançamento de cursos gratuitos de pilotagem de drones voltados para moradores de comunidades do Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre segurança pública e controle do uso dessas aeronaves no Brasil. Embora o objetivo do programa seja ampliar oportunidades de qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho, especialistas em segurança alertam que a expansão do conhecimento técnico exige mecanismos rigorosos de fiscalização para evitar que tecnologias de alto potencial sejam utilizadas por organizações criminosas.
Programa pretende ampliar qualificação profissional
A iniciativa, apoiada pelo Governo Federal em parceria com instituições públicas e organizações locais, busca oferecer formação em operação de drones para ampliar as oportunidades de emprego em setores como:
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agricultura de precisão;
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construção civil;
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mapeamento territorial;
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inspeções industriais;
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produção audiovisual;
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jornalismo;
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monitoramento ambiental;
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logística.
O mercado de drones cresce de forma acelerada no Brasil e no exterior, aumentando a demanda por operadores capacitados.
Segundo os organizadores, o objetivo do curso é promover inclusão produtiva e oferecer uma nova alternativa de geração de renda para moradores de comunidades.
Cresce preocupação com uso criminoso da tecnologia
Apesar da finalidade educacional, o anúncio despertou questionamentos entre especialistas em segurança pública.
Nos últimos anos, facções criminosas passaram a utilizar drones para diversas atividades ilícitas.
Investigações das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, além de operações da Polícia Federal, já identificaram drones empregados para:
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monitorar movimentações policiais;
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vigiar entradas de comunidades;
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transportar pequenas cargas de drogas;
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registrar operações policiais;
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auxiliar na logística do tráfico.
Também existem registros oficiais de ocorrências envolvendo drones adaptados para lançar artefatos explosivos contra forças de segurança, embora esses episódios ainda sejam considerados pontuais.
Especialistas afirmam que a tendência preocupa porque a tecnologia está cada vez mais acessível.
Especialistas defendem critérios mais rígidos
Para profissionais da área de segurança pública, a expansão do ensino sobre drones deveria ser acompanhada de critérios mais rigorosos para seleção dos participantes.
Entre as sugestões frequentemente apresentadas estão:
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verificação de antecedentes criminais;
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controle de frequência e certificação;
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cadastro dos operadores;
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rastreabilidade dos equipamentos utilizados durante os cursos;
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integração entre órgãos de segurança e instituições de ensino.
Segundo esses especialistas, o objetivo não seria restringir o acesso ao conhecimento, mas reduzir riscos de utilização indevida da tecnologia.
Setores estratégicos já enfrentam falta de profissionais
Diversos segmentos da economia brasileira convivem atualmente com escassez de operadores certificados de drones.
Entre eles estão:
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Forças Armadas;
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polícias;
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Corpo de Bombeiros;
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Defesa Civil;
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empresas de engenharia;
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agronegócio;
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inspeção de linhas de transmissão;
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mineração;
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emissoras de televisão;
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produtoras de vídeo;
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empresas de publicidade;
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veículos de imprensa.
Especialistas afirmam que a formação técnica é essencial para garantir operações seguras e dentro da legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Debate divide opiniões
A iniciativa também gerou diferentes posicionamentos nas redes sociais.
Enquanto defensores do programa argumentam que oferecer qualificação profissional reduz desigualdades e amplia oportunidades de emprego, críticos sustentam que tecnologias sensíveis deveriam priorizar profissionais que atuam diretamente em áreas estratégicas ou pessoas submetidas a critérios mais rigorosos de habilitação.
Alguns analistas defendem que cursos dessa natureza poderiam estabelecer exigências como apresentação de certidão negativa de antecedentes criminais, além de acompanhamento dos alunos durante a formação.
Especialistas em políticas públicas, por outro lado, alertam que antecedentes criminais, por si só, não são um indicador absoluto de risco e que restringir cursos profissionalizantes com base nesse critério envolve questões legais e constitucionais. Eles defendem que medidas de segurança devem ser combinadas com fiscalização, rastreabilidade dos equipamentos e responsabilização pelo uso ilegal.
Drones têm aplicações cada vez mais amplas
Atualmente, drones são utilizados em dezenas de atividades legais, incluindo:
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monitoramento ambiental;
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combate a incêndios;
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busca e salvamento;
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inspeção de pontes;
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agricultura de precisão;
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levantamento topográfico;
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perícias policiais;
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cobertura jornalística;
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produção cinematográfica;
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entrega experimental de produtos.
Ao mesmo tempo, autoridades brasileiras reconhecem que o uso indevido dessas aeronaves representa um desafio crescente para a segurança pública, especialmente diante da facilidade de aquisição dos equipamentos.
Desafio é equilibrar inclusão e segurança
O avanço da tecnologia coloca o poder público diante de um desafio complexo: incentivar a formação profissional e ampliar oportunidades de emprego sem abrir espaço para que conhecimentos técnicos sejam utilizados em atividades criminosas.
Especialistas concordam que o fortalecimento da fiscalização, a cooperação entre órgãos de segurança e a aplicação rigorosa da legislação serão fatores decisivos para garantir que os drones continuem sendo uma ferramenta de desenvolvimento econômico e inovação, e não um instrumento a serviço do crime organizado.
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