Representação apresentada ao TSE aponta perfis com poucos seguidores e alto volume de anúncios patrocinados; investigação busca esclarecer a origem dos recursos utilizados
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma representação apresentada pelo Partido Liberal (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pede a investigação de uma suposta estrutura organizada para impulsionar anúncios contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Segundo a legenda, foram identificados perfis recém-criados, com poucos seguidores e baixa relevância nas redes sociais, que teriam investido valores elevados em publicidade patrocinada na plataforma Meta, controladora do Facebook e do Instagram.
O pedido foi entregue ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, e solicita a apuração da origem dos recursos utilizados, da eventual existência de uma estrutura coordenada e da identificação dos responsáveis pelos impulsionamentos.
O que diz o PL
De acordo com os advogados do partido, a campanha de Flávio Bolsonaro identificou, durante o monitoramento da biblioteca de anúncios da Meta, diversos perfis considerados atípicos.
Segundo a advogada Maria Claudia Bucchianeri, algumas contas possuíam cerca de 30 ou 40 seguidores, mas apareciam contratando campanhas publicitárias que, individualmente, chegavam a aproximadamente R$ 200 mil.
A defesa sustenta que esse padrão chamou atenção por ser incompatível com o perfil dessas contas. Segundo o partido, os indícios apresentados deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral, responsável por verificar a existência ou não de eventuais irregularidades.
Ainda segundo o partido, também foram identificados pagamentos realizados em diferentes moedas, incluindo:
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Real brasileiro;
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Dólar americano;
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Peso colombiano.
O PL afirma que a origem desses pagamentos ainda precisa ser esclarecida.
Levantamento apresentado ao TSE
Na ação protocolada perante a Justiça Eleitoral, o partido afirma ter identificado:
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51 páginas com características semelhantes;
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4.607 anúncios patrocinados;
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aproximadamente 250 milhões de visualizações entre março e o fim de junho deste ano.
Segundo a legenda, os perfis seriam temporários, possuiriam pouca audiência orgânica e seriam utilizados principalmente para impulsionar conteúdo patrocinado.
Na representação, o PL sustenta que a estrutura teria características de uma “rede digital criminosa” e pede que a Justiça Eleitoral identifique os responsáveis, caso as irregularidades sejam confirmadas.
Objetivo da investigação
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou que o principal objetivo da ação é descobrir quem financia a estrutura denunciada.
Segundo ele, a investigação deve identificar:
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quem criou os perfis;
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quem efetuou os pagamentos;
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quem autorizou os impulsionamentos;
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se existe coordenação entre as contas.
Até o momento, o processo representa uma alegação apresentada pelo PL, cuja veracidade e eventuais responsabilidades ainda dependerão da apuração da Justiça Eleitoral e, se necessário, de outros órgãos competentes.
Pontos que deverão ser esclarecidos durante a investigação
A representação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) coloca em evidência uma série de aspectos que deverão ser apurados pelas autoridades competentes para verificar a existência de eventuais irregularidades no financiamento e na contratação de publicidade digital.
Entre os principais pontos está a identificação dos responsáveis pelo financiamento dos anúncios patrocinados e a comprovação da origem dos recursos utilizados nos impulsionamentos. A investigação também deverá verificar se existe uma pessoa, grupo ou organização coordenando a atuação das contas mencionadas na representação.
Outro aspecto relevante será a confirmação da autenticidade dos perfis utilizados nas campanhas publicitárias, bem como a análise dos meios de pagamento empregados na contratação dos anúncios e da eventual utilização de documentos ou cadastros irregulares.
As autoridades também poderão apurar se os impulsionamentos observaram todas as exigências previstas na legislação eleitoral e se as plataformas digitais adotaram os mecanismos de verificação exigidos para a identificação dos anunciantes. Além disso, a investigação poderá esclarecer se houve participação de financiadores nacionais ou estrangeiros na estrutura apontada pelo partido.
Origem dos recursos deverá ser apurada
Até o momento, não há qualquer prova pública de que recursos públicos tenham sido utilizados para financiar os anúncios mencionados na representação apresentada pelo Partido Liberal.
Entretanto, uma das principais linhas de investigação deverá concentrar-se na identificação da origem dos recursos empregados nos impulsionamentos e na verificação da regularidade financeira das operações.
Nesse contexto, caberá às autoridades competentes analisar se os valores utilizados possuem origem lícita e devidamente identificada, se foram empregados recursos privados regularmente declarados e se há eventual participação de pessoas físicas, empresas ou outras organizações na contratação das campanhas publicitárias.
A apuração também poderá esclarecer se os recursos utilizados possuem origem privada regular, se foram devidamente declarados e se há eventual participação de pessoas físicas, empresas ou outras organizações na contratação das campanhas. Caso sejam identificados indícios de financiamento irregular ou utilização de recursos vedados pela legislação eleitoral, caberá às autoridades competentes adotar as medidas previstas em lei.
Especialistas defendem transparência
A ação protocolada pelo Partido Liberal ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Até o momento, não há decisão judicial reconhecendo a existência das irregularidades apontadas na representação. A eventual responsabilização de pessoas físicas ou jurídicas dependerá da produção de provas e da conclusão das investigações conduzidas pelos órgãos competentes, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a publicidade política na internet exige cada vez mais mecanismos de transparência, especialmente quando envolve grandes volumes de recursos e impulsionamentos em plataformas digitais.
A legislação eleitoral brasileira prevê regras para a contratação de propaganda na internet, identificação dos responsáveis e prestação de contas dos gastos de campanha. Caso sejam identificadas irregularidades, os responsáveis podem responder nas esferas eleitoral, cível e, conforme o caso, criminal.
A eventual confirmação ou descarte das alegações apresentadas pelo PL dependerá das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
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