Rebeca Andrade brilha no salto, tira maior nota, mas fica fora da final no Brasileiro

Foto: Reprodução.
Ginasta faz a melhor apresentação do aparelho na classificatória, mas não avança à decisão por conta do regulamento da competição
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

Rebeca Andrade voltou a impressionar no Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística. Na última sexta-feira (8), em Brasília, a campeã olímpica e mundial executou um Yurchenko com dupla pirueta (DTY) praticamente perfeito e recebeu 14,800 pontos, a maior nota registrada em um salto feminino no mundo em 2026.

Apesar do desempenho, Rebeca não poderá disputar a final do salto no Brasileiro. Para se classificar à decisão do aparelho, é necessário apresentar dois saltos diferentes. Como a ginasta realizou apenas um voo nesta competição, sua nota foi contabilizada exclusivamente para a disputa por equipes do Flamengo.

Rebeca e o clube carioca agora aguardam o encerramento das apresentações desta sexta-feira para saber o resultado definitivo da competição por equipes. A competição tem transmissão ao vivo, nesta sexta-feira (7), enquanto as finais por aparelhos serão realizadas no fim de semana.

Nota histórica

A nota de 14,800 coloca Rebeca Andrade isolada no topo da lista das melhores marcas do salto em 2026. A brasileira recebeu 9,700 pontos pela execução, somados aos 5,000 de dificuldade do Yurchenko com dupla pirueta e a um bônus de 0,100 pela chegada cravada.

Embora a ginástica artística não tenha um ranking mundial oficial de notas, já que existem pequenas diferenças nos critérios de julgamento entre as competições é possível comparar os resultados da temporada com base no Código de Pontuação.

Antes do Brasileiro, Rebeca já aparecia entre as principais marcas do ano. Ela dividia a liderança do ranking de salto único com a japonesa Aiko Sugihara, ambas com 14,533 pontos. Agora, com os 14,800 obtidos em Brasília, a brasileira passou a liderar a lista de forma isolada.

A marca, no entanto, ainda pode ser superada nesta sexta-feira, durante a abertura do Campeonato Americano.

Retorno após período afastada

Rebeca Andrade voltou às competições em junho, no Campeonato Pan-Americano, depois de passar mais de um ano longe das disputas em um período sabático.

Na ocasião, ela também competiu somente no salto e conquistou o título do aparelho. A brasileira terminou com média de 14,549 pontos nos dois saltos, considerando o bônus de 0,2 pela apresentação de entradas diferentes.

Seu melhor salto naquela competição foi justamente um Yurchenko com dupla pirueta, que recebeu 14,533 pontos.

A média de 14,549 também colocou Rebeca na liderança da temporada entre as atletas que disputaram dois saltos.

 “Foi muito bom. Sou uma pessoa que gosta muito mais de competir do que de treinar. Agora, junto com meu clube, acho que é muito importante não só para mim, mas para todas as meninas que estão me acompanhando todos os dias, vendo toda a minha evolução, minha vontade de voltar, de vencer. Poder ajudar mesmo só com um aparelho foi maravilhoso”,  afirmou Rebeca.

Foco no Mundial de Roterdã

A decisão de apresentar apenas um salto no Campeonato Brasileiro faz parte do planejamento de Rebeca para a temporada. Em conjunto com as comissões técnicas da seleção brasileira e do Flamengo, a ginasta optou por preservar seu programa de competição enquanto se prepara para o Mundial de Roterdã, na Holanda.

A competição será realizada entre 17 e 25 de outubro e terá importância especial para o ciclo olímpico. O Mundial será a primeira competição pré-olímpica, e o Brasil buscará terminar entre as equipes que garantem a classificação antecipada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Durante os treinamentos em Brasília, Rebeca também apresentou exercícios nas barras assimétricas e na trave, aumentando a expectativa sobre a possibilidade de competir em mais aparelhos no Mundial.

Rebeca ainda guarda saltos de maior dificuldade

No Brasileiro, a campeã olímpica ainda não apresentou seu salto mais difícil, o Cheng, que possui nota de dificuldade 5,6. Ela também tem no repertório o Amanar, um Yurchenko com dupla pirueta e meia, avaliado em 5,4.

Os dois saltos fizeram parte da apresentação de Rebeca nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, quando ela conquistou a medalha de prata no salto, ficando atrás apenas da americana Simone Biles.

Mesmo sem avançar à final do aparelho em Brasília, Rebeca deixou o Campeonato Brasileiro com uma marca expressiva: 14,800 pontos, a maior nota de um salto feminino registrada no mundo em 2026 até o momento.

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