Após pressão de Tarcísio no STF, governo Lula libera empréstimo de R$ 5,4 bilhões para SP

Financiamento estava parado desde julho e foi autorizado após governo paulista recorrer ao Supremo

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O governo federal autorizou, na noite desta quarta-feira (12), a contratação de um empréstimo de R$ 5,4 bilhões do Banco do Brasil pelo governo de São Paulo, comandado pelo governador Tarcísio de Freitas. A autorização foi assinada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, às 22h38.

A liberação ocorreu um dia após a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir uma decisão provisória que obrigasse o governo federal a autorizar a operação.

O financiamento estava parado no Ministério da Fazenda desde 16 de julho, segundo o governo paulista. A gestão Tarcísio vinha cobrando uma solução e afirmava que São Paulo não estava recebendo o mesmo tratamento concedido a outros Estados.

Recursos serão destinados a obras em São Paulo

Os R$ 5,4 bilhões serão destinados a projetos de mobilidade urbana e infraestrutura de transportes.

Entre as obras previstas estão novas estações da Linha 6-Laranja do Metrô e intervenções na Rodovia dos Tamoios. Ao todo, seis projetos dependiam da liberação do financiamento.

No despacho assinado nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda considerou manifestações da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que concluíram que São Paulo atendia aos requisitos necessários para contratar a operação de crédito.

Tarcísio levou a cobrança ao STF

A demora na autorização levou o governo paulista a buscar uma solução judicial.

A Procuradoria-Geral do Estado argumentou que a operação permanecia sem uma decisão definitiva e pediu ao STF uma medida provisória para obrigar a União a concluir o processo.

A iniciativa aumentou a pressão sobre o governo federal para liberar o financiamento.

Poucas horas depois, o Ministério da Fazenda assinou a autorização.

O episódio coloca em evidência a cobrança feita pela gestão Tarcísio, que vinha defendendo que o Estado tinha cumprido as exigências necessárias para obter o crédito.

Tarcísio já havia cobrado Haddad

A questão também foi levada ao debate político. Durante debate realizado no último domingo, Tarcísio de Freitas questionou Fernando Haddad sobre a demora na liberação de financiamentos para São Paulo.

O governador citou operações envolvendo o Banco Europeu de Investimento, o Banco Mundial e o Banco do Brasil e cobrou explicações sobre os recursos destinados ao Estado.

Prefeitura também cobra recursos

A demora na liberação de financiamentos também afeta a Prefeitura de São Paulo.

O prefeito Ricardo Nunes enviou ofícios ao Senado e ao Tribunal de Contas da União (TCU) para questionar a demora em três operações de crédito destinadas à eletrificação da frota de ônibus e à expansão da rede municipal de saúde.

Os financiamentos somam R$ 3,5 bilhões e já foram aprovados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Banco Mundial.

Segundo a Prefeitura, os processos estão parados desde abril e dependem da garantia da União para serem concluídos.

O município tem até 24 de agosto para conseguir o aval federal. Caso o prazo seja perdido, os procedimentos terão de ser reiniciados, o que poderá afetar o cronograma dos investimentos.

Pressão política aumenta

A autorização do empréstimo de R$ 5,4 bilhões ocorre em meio a uma crescente disputa política entre o governo de São Paulo e o governo federal sobre a liberação de recursos para investimentos no Estado.

No caso do financiamento estadual, a gestão Tarcísio decidiu recorrer ao STF após semanas de espera. A autorização acabou sendo assinada pelo Ministério da Fazenda na noite seguinte ao recurso apresentado pela Procuradoria-Geral do Estado.

Para São Paulo, a liberação representa o avanço de projetos de infraestrutura considerados estratégicos para o Estado.

O episódio também reforça a cobrança da gestão Tarcísio por maior agilidade na liberação de recursos e coloca novamente em evidência a relação entre o governo paulista e a administração Lula em um momento de forte disputa política.

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