Equipe brasileira conquista dois ouros inéditos em Frankfurt, crava 29,450 pontos nas duas finais e confirma o melhor desempenho mundial da temporada em 2026
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
O Brasil fez história no Mundial de Ginástica Rítmica, em Frankfurt, na Alemanha. No último domingo (16), o conjunto brasileiro conquistou duas medalhas de ouro inéditas nas finais por aparelhos e confirmou o crescimento da modalidade no cenário internacional.
Ao som de “Feeling Good”, as brasileiras venceram a final de cinco bolas com 29,450 pontos, a maior nota do mundo na temporada de 2026. Horas depois, repetiram a pontuação na série mista, com três arcos e dois pares de maças, ao som de “Abracadabra”, de Lady Gaga.
Com os resultados, Duda Arakaki, Sofia Madeira, Nicole Píricio, Mariane Gonçalves, Maria Paula Caminha e Julia Kurunczi entraram para a história da ginástica rítmica brasileira como campeãs mundiais.
A conquista veio um dia depois de o Brasil garantir o bronze na prova geral e, de forma antecipada, uma vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. O conjunto voltou à quadra determinado a transformar a evolução dos últimos anos em títulos mundiais. E conseguiu, em dose dupla.
Ouro nas cinco bolas
O Brasil chegou à final da série simples com a oitava e última vaga, depois de cometer uma falha em uma colaboração durante a classificatória. A situação, porém, não abalou as brasileiras.
Na decisão, o conjunto foi o terceiro a se apresentar e executou uma rotina praticamente perfeita ao som de “Feeling Good”. A comemoração das ginastas logo após a apresentação já indicava a confiança no resultado.
A nota confirmou a grande atuação: 29,450 pontos.
O resultado superou os 26,800 pontos obtidos pelo Brasil na prova geral do sábado e também os 29,250 pontos registrados no Campeonato Pan-Americano, que até então representavam a maior nota mundial da temporada na série de cinco bolas.
A China, atual campeã olímpica, também fez uma boa apresentação, mas terminou com 28,900 pontos e ficou com a prata. A Bulgária somou 28,400 e completou o pódio.
A Espanha, campeã da prova geral e líder da classificatória, sofreu uma falha e terminou com 27,450 pontos. A Alemanha, última equipe a se apresentar, teve um erro grave e ficou com 25,400.
O ouro brasileiro estava confirmado.
“A gente vai cantar o hino!” Logo após a apresentação das cinco bolas, a técnica Camila Ferezin não conteve a emoção. “A gente vai cantar o hino!”, disse a treinadora, em lágrimas.
O choro representava também um desabafo após anos de trabalho e evolução do conjunto brasileiro.
Capitã da equipe, Duda Arakaki destacou a confiança das ginastas no próprio trabalho e afirmou que a medalha é consequência de todo o processo.
“A gente acreditava muito que era possível. Esse é um dos pontos mais importantes da nossa equipe. É acreditar antes de acontecer. Isso é ter fé. A gente tinha muita fé que a gente poderia fazer ainda melhor as nossas séries. A medalha é consequência. A gente está muito feliz. O mais importante é quando cravamos a série. A gente trabalha muito pra isso. Acima de medalha, de resultado, a gente quer entrar lá e fazer nosso melhor e sair feliz com o nosso trabalho. Todo mundo está orgulhoso do nosso trabalho. Muita alegria. Estamos muito emocionadas. Sempre foi um sonho. Poder ver a bandeira do Brasil no lugar mais alto, poder representar nosso povo, nossa família, não tem preço”.
Segundo ouro vem na série mista
Com o título das cinco bolas já garantido, o Brasil voltou à quadra para disputar a final da série mista.
Ao som de “Abracadabra”, de Lady Gaga, as brasileiras novamente apresentaram uma rotina sem falhas. Mais uma vez, o conjunto foi o terceiro a se apresentar e recebeu 29,450 pontos.
O Brasil já havia obtido a segunda maior nota da prova no sábado, com 28,700 pontos. Na final, porém, conseguiu elevar novamente seu desempenho e igualar a maior pontuação mundial da temporada.
A Espanha, campeã da prova geral e líder da classificatória com 28,950 pontos, também cravou sua apresentação na final, mas terminou com 29,050, ficando com a medalha de prata.
A Bulgária acertou a rotina e somou 28,750 pontos, garantindo o bronze.
O Japão, terceiro colocado na classificatória, cometeu pequenas falhas e acabou fora do pódio. Já a Ucrânia, atual campeã mundial da série mista e responsável por tirar o ouro do Brasil no ano passado, teve duas quedas de maças e também ficou sem medalha. Desta vez, o título era brasileiro.
Evolução que começou com duas pratas
A transformação do conjunto brasileiro foi construída ao longo de vários anos.
Até o Mundial do ano passado, uma medalha mundial ainda era tratada como um grande sonho para o Brasil. Na edição realizada no Rio de Janeiro, em casa, o conjunto conquistou duas medalhas de prata, uma na prova geral e outra na série mista.
Em Frankfurt, o bronze na prova geral já havia garantido ao Brasil um resultado histórico: a vaga antecipada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Faltava o título mundial para completar a trajetória de crescimento. Ele veio de maneira ainda mais expressiva, com duas medalhas de ouro no mesmo dia.
Para Camila Ferezin, o resultado é fruto de aproximadamente 15 anos de trabalho.
“Essa medalha representa que todo o sacrifício valeu a pena. Foram longos anos correndo atrás dessa medalha. Mesmo não acreditando lá atrás, a gente trabalhou como se fosse possível. Esse possível foi chegando e veio nesse momento, depois de 15 anos de muito trabalho, muita dedicação. A gente tá sem acreditar!”
Brasil termina o Mundial no topo
Com os dois títulos conquistados nas finais por aparelhos, o Brasil encerrou sua participação entre os grandes protagonistas do Mundial de Ginástica Rítmica.
Além do bronze na prova geral, o conjunto brasileiro terminou a competição com dois ouros, consolidando a melhor campanha de sua história na modalidade.
Na série simples, o Brasil terminou à frente de China e Bulgária. Na série mista, superou Espanha e Bulgária.
Medalhistas do Mundial de Ginástica Rítmica
Conjunto geral
- Espanha — 57,450 pontos
- Japão — 56,700
- Brasil — 55,500
Conjunto simples — cinco bolas
- Brasil — 29,450 pontos
- China — 28,900
- Bulgária — 28,400
Conjunto misto — três arcos e dois pares de maças
- Brasil — 29,450 pontos
- Espanha — 29,050
- Bulgária — 28,750
Individual geral
- Darja Varfolomeev (Alemanha) — 119,500
- Stiliana Nikolova (Bulgária) — 117,600
- Sofia Raffaeli (Itália) — 117,550
Arco individual
- Taisiia Onofriichuk (Ucrânia) — 30,700
- Sofia Raffaeli (Itália) — 30,500
- Darja Varfolomeev (Alemanha) — 30,400
Bola individual
- Darja Varfolomeev (Alemanha) — 30,350
- Sofiia Ilteriakova (Rússia) — 29,800
- Mariia Borisova (Rússia) — 29,150
Maças individual
- Stiliana Nikolova (Bulgária) — 30,150
- Taisiia Onofriichuk (Ucrânia) — 30,050
- Mariia Borisova (Rússia) — 30,050
Fita individual
- Darja Varfolomeev (Alemanha) — 30,500
- Stiliana Nikolova (Bulgária) — 30,450
- Mariia Borisova (Rússia) — 29,900
Equipe — conjunto + individual
- Rússia — 278,300
- Bulgária — 276,050
- China — 275,400
Com os dois ouros em Frankfurt e a classificação antecipada para Los Angeles 2028, o Brasil deixa o Mundial com um novo status na ginástica rítmica. O que durante anos parecia distante agora se tornou realidade: o país é campeão mundial por duas vezes em uma mesma edição e chega aos próximos Jogos Olímpicos como uma das principais forças da modalidade.
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