Grupos criminosos usavam pequenas embarcações para transportar migrantes de Ceuta até a Península Ibérica; travessias eram realizadas em condições precárias e com alto risco à vida
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
A Polícia Nacional da Espanha prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar duas organizações criminosas envolvidas no transporte clandestino de migrantes de Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, até a parte continental do país.
Segundo as autoridades, os grupos cobravam valores que chegavam a 9 mil euros por pessoa para realizar a travessia pelo Estreito de Gibraltar. O transporte era feito em pequenas embarcações, muitas vezes durante a noite e sem equipamentos básicos de segurança.
As prisões ocorreram durante duas investigações realizadas paralelamente em Ceuta e em La Línea de la Concepción, na província de Cádiz, região próxima ao Estreito de Gibraltar.
Travessias perigosas
De acordo com as investigações, uma das organizações utilizava embarcações rápidas para buscar migrantes em Ceuta e levá-los até a costa espanhola. Os suspeitos também mantinham as pessoas escondidas temporariamente em imóveis e garagens antes das travessias.
Os pilotos escolhidos pelas quadrilhas tinham experiência em navegação rápida e eram encarregados de realizar manobras para tentar escapar dos controles policiais.
Em uma das operações investigadas, sete migrantes fizeram uma travessia em uma embarcação de aproximadamente cinco metros, sem coletes salva-vidas ou equipamentos adequados de emergência. O grupo teria pago cerca de € 8 mil por pessoa pelo transporte.
A embarcação ficou sem combustível durante o percurso e os passageiros permaneceram horas no mar antes de conseguirem chegar à costa espanhola. O responsável pela travessia acabou preso preventivamente devido ao risco imposto à vida dos ocupantes.
Crise migratória aumenta a atuação das redes criminosas
As investigações acontecem em meio a uma grave crise migratória em Ceuta. A região recebeu uma entrada em massa de migrantes no fim de julho, aumentando significativamente a pressão sobre os serviços públicos e sobre as estruturas de acolhimento.
Embora grande parte das pessoas já tenha deixado o território e retornado ao Marrocos, milhares ainda permanecem em Ceuta, incluindo mais de 2 mil menores, segundo estimativas divulgadas pelas autoridades espanholas.
O aumento da procura por formas clandestinas de chegar à Espanha continental acabou sendo explorado pelas organizações criminosas, que elevaram os valores cobrados pelos trajetos.
Polícia intensifica combate ao tráfico de migrantes
As autoridades espanholas afirmam que as operações fazem parte de um esforço maior para combater redes de tráfico de pessoas e imigração irregular na região do Estreito de Gibraltar.
Além do transporte, as investigações buscam identificar outros integrantes das organizações e compreender toda a estrutura utilizada para captar, esconder e transportar os migrantes.
A polícia também apura possíveis agravantes relacionados ao lucro obtido pelas quadrilhas e à situação de vulnerabilidade das pessoas transportadas.
O caso evidencia como a crise migratória pode ser explorada por grupos criminosos que transformam a necessidade e a esperança de milhares de pessoas em uma atividade altamente lucrativa, mesmo quando as travessias são realizadas em condições capazes de colocar vidas em risco.
Enquanto as autoridades ampliam a fiscalização na região, a situação em Ceuta continua sendo acompanhada de perto pelo governo espanhol, diante dos desafios humanitários, migratórios e de segurança provocados pelo aumento das chegadas.
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