Laudo aponta custo de R$ 75,1 milhões e não identifica recursos públicos brasileiros na produção
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A perícia contratada pela GoUp Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL), apontou que o filme teve um custo total de R$ 75,1 milhões e que a produção norte-americana não recebeu recursos públicos brasileiros.
Segundo o laudo, não foram identificados recursos públicos brasileiros na produção.
Responsável pela análise, o perito Anísio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, explicou que seu trabalho teve como objetivo verificar quanto foi efetivamente gasto na produção e analisar os recursos movimentados pela produtora.
“O objeto nosso era responder a uma pergunta: quanto custou o filme? Quanto foi gasto no filme?”
Segundo o perito, quase 100% dos recursos enviados à GoUp foram repassados pelo fundo Havengate, nos Estados Unidos. Castelo Branco esclareceu, porém, que não fazia parte do fundo e que a origem dos recursos existentes no Havengate não fazia parte do trabalho contratado.
“Eu não sei quanto foi enviado do Brasil aos EUA, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo, eu não falo pelo fundo, eu não pertenço ao Havengate.”
O perito também afirmou que não tinha acesso às informações internas do fundo:
“São informações que fogem do nosso espectro, nós não trabalhamos no fundo Havengate, não temos nenhum contato com o fundo.”
Laudo aponta recursos privados
O ponto principal da perícia é que os recursos analisados no âmbito da produção foram classificados como privados, enquanto o custo efetivo do filme ficou em aproximadamente R$ 75,1 milhões.
O laudo, portanto, não aponta utilização de recursos públicos brasileiros na produção do longa.
A investigação da Polícia Civil de São Paulo apura uma possível relação entre o financiamento do filme e um contrato público de fornecimento de Wi-Fi. O perito, entretanto, refuta essa tese e afirma que a produção não recebeu dinheiro público brasileiro.
Flávio Bolsonaro afirma que recursos foram usados no filme
Flávio Bolsonaro afirmou que os recursos destinados à produção foram “integralmente” utilizados no filme.
A declaração reforça a versão apresentada pela produção sobre a destinação dos recursos utilizados na realização da cinebiografia.
A perícia apontou que o custo total da produção foi de R$ 75,1 milhões, valor correspondente aos gastos efetivamente realizados no filme.
Perícia tinha objetivo específico
O próprio perito deixou claro que seu trabalho não era investigar toda a estrutura financeira do Havengate, mas verificar as despesas do filme.
A ausência de uma auditoria sobre o fundo não significa, por si só, que a perícia tenha encontrado qualquer irregularidade na produção.
Significa apenas que a origem do dinheiro dentro do Havengate estava fora do objeto contratado.
Como resumiu Castelo Branco:
“O objeto nosso era responder a uma pergunta: quanto custou o filme? Quanto foi gasto no filme?”
E a resposta apresentada no laudo foi: R$ 75,1 milhões.
O que a perícia aponta
O resultado apresentado pela produtora estabelece três pontos importantes:
• R$ 75,1 milhões foram gastos na produção;
• A perícia não identificou recursos públicos brasileiros financiando o filme;
• Os recursos analisados pela perícia foram tratados como privados.
A origem dos recursos dentro do Havengate é uma questão separada, que continua sendo analisada pelas autoridades.
Até o momento, o laudo não aponta que “Dark Horse” tenha sido financiado com dinheiro público brasileiro ou que tenha ocorrido desvio de recursos públicos para a produção.
Assim, até que as investigações apresentem novas conclusões, não há fundamento para afirmar que Dark Horse tenha sido financiado com dinheiro público brasileiro ou que tenha ocorrido desvio de recursos para a produção.
A perícia contratada pela própria produtora apresenta justamente um contraponto às acusações: o filme teve seus gastos analisados, o custo foi calculado em R$ 75,1 milhões e não foi identificada utilização de dinheiro público brasileiro na produção.
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