Presidente dos Estados Unidos afirma que Mojtaba Khamenei ficou gravemente ferido e comenta os protestos, a guerra na Ucrânia e a atuação da CIA em Moscou
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (26) que acredita que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, esteja vivo, embora tenha ficado gravemente ferido. A declaração foi feita durante uma entrevista ao jornalista Glenn Beck, em meio à continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Trump deixou claro que não se tratava de uma confirmação sobre o estado de saúde de Khamenei, mas de sua avaliação diante das informações disponíveis.
“Não acho que ele esteja morto. Ele ficou gravemente ferido”, disse Trump.
A situação do líder iraniano ganhou importância diante das incertezas sobre seu estado de saúde e das discussões sobre os possíveis desdobramentos políticos do conflito. Durante a entrevista, Trump também comentou a possibilidade de uma mudança de regime em Teerã e explicou por que considera difícil que manifestações populares consigam avançar.
Trump explica dificuldade dos protestos no Irã
Segundo Trump, o risco de violência contra os manifestantes seria um dos principais fatores que impedem a formação de grandes mobilizações populares contra o governo iraniano.
O presidente americano afirmou que haveria atiradores posicionados no alto de prédios e que a morte de alguns participantes poderia fazer com que multidões deixassem as ruas.
“Mas, você sabe, eles realmente têm atiradores de elite no topo dos prédios, e as pessoas saem para protestar e são atingidas. E eles não precisam atingir muitos, mas quando você vê cinco, seis ou dez pessoas caírem, e você tem 100 mil ou 200 mil pessoas, elas vão embora. Não importa quem você seja; elas vão embora.”
Trump continuou explicando sua avaliação sobre a dificuldade de uma mobilização popular diante da ameaça de mortes.
“É muito difícil protestar quando há pessoas dispostas a atirar em você e matar você, e é por isso que elas não estão protestando”, continuou.
O presidente afirmou ainda que observadores estariam “muito surpresos que as pessoas não estejam reagindo”, mas atribuiu essa situação ao risco enfrentado por quem decide protestar.
Possível mudança de regime entra no debate
A possibilidade de uma mudança de regime no Irã foi levantada em diferentes momentos por integrantes do governo americano durante a guerra. Apesar disso, autoridades dos Estados Unidos também afirmaram que a derrubada do governo iraniano não seria o objetivo declarado das operações americanas.
Na segunda-feira (24), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que soldados iranianos deveriam questionar sua liderança militar e sugeriu que poderiam agir para derrubar o governo em Teerã.
A questão ocorre em meio à pressão exercida por Washington sobre o governo iraniano e às preocupações americanas relacionadas ao programa nuclear do país.
Trump fala sobre atuação da CIA em Moscou
Trump também foi questionado sobre a viagem do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou.
A missão provocou especulações sobre possíveis conversas envolvendo a guerra na Ucrânia e a relação entre Estados Unidos e Rússia. Trump, porém, afirmou que a viagem tinha caráter “semirotineiro” e negou que Ratcliffe tivesse ido à Rússia para alertar o presidente Vladimir Putin sobre um possível ataque contra o território da Otan.
“Ele está lá, você sabe, de uma maneira muito, meio que semirrotineira”, disse Trump a Glenn Beck em uma entrevista por telefone. “Eu odeio decepcionar as pessoas. Gostaríamos de ver a guerra na Ucrânia terminar.”
Trump também rejeitou a possibilidade de que a viagem tivesse como objetivo pedir ajuda russa para reabrir o Estreito de Ormuz.
“John Ratcliffe é um cara fantástico. Ele é o diretor da CIA e não está lá por nenhuma das coisas que você mencionou”, disse Trump. “Agora, alguma coisa pode surgir, você sabe, disso. Estamos trabalhando muito para acabar com essa guerra [na Ucrânia] e, francamente, os dois querem que ela termine neste momento.”
Presidente responsabiliza Biden pelos preços
Durante a mesma entrevista, Trump foi questionado sobre a economia americana e sobre a estratégia dos republicanos para as eleições de meio de mandato.
O presidente voltou a responsabilizar o ex-presidente Joe Biden pelos preços elevados e afirmou que herdou uma situação econômica difícil.
“O governo Biden foi um governo ruim — foi um governo incompetente, mas eu herdei preços altos”, disse Trump ao apresentador de rádio Glenn Beck. “E então, desde o primeiro dia, eles começaram a usar a palavra ‘acessibilidade’. Eles olharam para mim, ‘acessibilidade’; era uma palavra nova, ninguém nunca tinha ouvido a palavra.”
Trump reconheceu que os preços aumentaram durante a guerra com o Irã, mas afirmou que o conflito de seis meses deverá terminar em breve.
As declarações do presidente americano nesta quarta-feira abrangem três questões de grande impacto internacional: o conflito com o Irã, as negociações relacionadas à guerra na Ucrânia e as relações entre Washington e Moscou. Ao mesmo tempo, Trump mantém sua defesa de uma política de pressão sobre Teerã e afirma buscar o encerramento dos conflitos que envolvem os Estados Unidos.
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