PF analisa mensagens sobre suposta obra de arte destinada a integrante do gabinete de Lula

DIARIO 360
Investigação apura conversas de lobista com agentes públicos e possíveis tentativas de intermediação de negócios no Ministério da Saúde; citado nega ter recebido a obra
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A Polícia Federal analisa mensagens que fazem parte de uma investigação sobre possíveis tentativas de intermediação de negócios privados junto ao governo federal. Entre os diálogos examinados estão conversas atribuídas à lobista Roberta Luchsinger que mencionam Swedenberger do Nascimento Barbosa, que ocupou a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde e atualmente exerce função na estrutura do Palácio do Planalto.

Um dos pontos analisados pelos investigadores envolve uma obra de arte que, segundo as mensagens, teria sido destinada a Swedenberger Barbosa. O caso, entretanto, ainda está sob investigação, e não há confirmação pública suficiente para afirmar que o agente público tenha efetivamente recebido a obra.

Mensagens entram no radar da investigação

As conversas analisadas pela Polícia Federal fazem parte de uma apuração mais ampla sobre contatos mantidos por Roberta Luchsinger com pessoas próximas ao governo e sobre possíveis tentativas de facilitar negócios junto a órgãos públicos.

Em uma das conversas atribuídas à lobista, aparece referência a uma obra de arte que estaria sendo preparada para entrega. Posteriormente, segundo os elementos divulgados sobre a investigação, teria ocorrido comunicação relacionada ao quadro.

A apuração também registra referência a um valor de 100 mil euros associado à obra. Esse dado, porém, precisa ser tratado com cautela: trata-se de um valor mencionado no contexto das conversas e não de uma avaliação oficial ou de uma comprovação independente do preço da obra.

Por esse motivo, não é possível afirmar, como fato, que Swedenberger Barbosa tenha recebido um presente no valor de R$ 600 mil.

Swedenberger Barbosa ocupou cargo estratégico na Saúde

A relação de Swedenberger Barbosa com o Ministério da Saúde é documentada oficialmente.

Documentos publicados pelo próprio Ministério da Saúde mostram Barbosa como secretário-executivo da pasta em 2024. Ele aparece, por exemplo, em documentos oficiais da Comissão Intergestores Tripartite e em atos administrativos do ministério.

Em abril de 2024, o Ministério da Saúde também registrou oficialmente a participação de Barbosa, então secretário-executivo, na assinatura de um acordo de cooperação técnica com a Universidade de Brasília.

A posição era considerada estratégica dentro da estrutura administrativa da pasta, o que explica o interesse dos investigadores nas mensagens que fazem referência a contatos com Barbosa.

Investigação também examina negócios no Ministério da Saúde

A apuração da Polícia Federal não se limita à suposta obra de arte.

Os investigadores analisam também conversas relacionadas a possíveis tentativas de intermediação de negócios envolvendo produtos e serviços destinados ao Ministério da Saúde.

Entre as propostas mencionadas na investigação estão negociações relacionadas a produtos à base de canabidiol, testes para diagnóstico de dengue e projetos envolvendo o laboratório público de Goiás, Iquego.

Uma das propostas teria envolvido o fornecimento de aproximadamente 1,2 milhão de frascos de produtos à base de canabidiol, em uma operação estimada em cerca de R$ 627 milhões.

Outra frente investigada envolve testes para dengue, em uma negociação estimada em aproximadamente R$ 1 bilhão.

Segundo os elementos divulgados sobre a apuração, as negociações não resultaram nos contratos pretendidos.

Esse ponto é fundamental para a precisão da reportagem: a investigação apura possíveis tentativas de influência e intermediação, mas não se deve afirmar que os contratos foram efetivamente firmados.

Mensagens fazem referência a Lulinha

As conversas também mencionam Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo os elementos investigativos divulgados, Roberta Luchsinger teria buscado a atuação de Lulinha em assuntos relacionados aos negócios que pretendia encaminhar junto ao governo.

Em uma das mensagens atribuídas à lobista aparece a expressão “colocar Fábio em cima do Berge”, em referência a Lulinha e a Swedenberger Barbosa.

A existência da mensagem, contudo, não permite concluir, isoladamente, que tenha ocorrido uma intervenção ilegal ou que Lulinha tenha praticado crime.

As circunstâncias, o contexto dos diálogos e eventual atuação dos envolvidos são justamente objetos da investigação.

Relação com propostas envolvendo o chamado “Careca do INSS”

Parte das negociações analisadas pela PF estaria relacionada a interesses comerciais de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, personagem que já havia aparecido em investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades envolvendo descontos em benefícios previdenciários.

Segundo a apuração, empresas ligadas a Antunes aparecem em algumas das propostas comerciais examinadas pelos investigadores.

A investigação busca esclarecer se houve tentativa de utilização de relações pessoais e políticas para facilitar o acesso a autoridades ou acelerar negociações dentro da administração pública.

Pagamentos a ex-integrante do gabinete presidencial

Outro núcleo da investigação envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete do presidente Lula.

A Polícia Federal também analisa pagamentos e despesas atribuídos à relação entre Ribeiro e Roberta Luchsinger.

Os valores mencionados nos elementos investigativos chegam a aproximadamente R$ 217 mil.

A defesa de Ribeiro afirma que os valores tinham natureza de empréstimo pessoal e nega que ele tenha atuado de maneira irregular para favorecer contratos ou negociações no governo.

Esse episódio é diferente da apuração sobre a obra de arte mencionada nas mensagens envolvendo Swedenberger Barbosa e deve ser tratado separadamente.

Barbosa nega ter recebido a obra

Swedenberger Barbosa nega ter recebido a obra de arte mencionada nas conversas e afirma que as suspeitas relacionadas ao episódio não procedem.

Essa negativa é especialmente relevante porque, até o momento, a existência de uma mensagem sobre uma suposta entrega não é suficiente para comprovar que a obra foi efetivamente recebida pelo destinatário.

Também não há, nas informações públicas disponíveis, comprovação independente de que o quadro tivesse valor de 100 mil euros.

Ministério da Saúde afirma que propostas não avançaram

O Ministério da Saúde informou que as iniciativas mencionadas na investigação não tiveram encaminhamento e que as compras realizadas pela administração pública seguem os procedimentos previstos na legislação.

A existência de uma proposta comercial, reunião ou contato com integrantes do governo também não significa, por si só, que tenha ocorrido irregularidade.

Para que uma eventual conduta seja caracterizada como ilícita, é necessário verificar as circunstâncias concretas, a finalidade dos atos praticados e a existência de elementos que demonstrem eventual vantagem indevida ou utilização irregular da função pública.

Investigação ainda está em andamento

O caso permanece sob investigação e parte dos elementos está submetida a sigilo.

A análise de mensagens, pagamentos e contatos faz parte da apuração conduzida pelas autoridades, mas investigação não equivale a condenação.

Até que haja uma conclusão definitiva das autoridades competentes e eventual decisão judicial, os envolvidos devem ser tratados como investigados ou pessoas citadas na apuração, sem atribuição antecipada de responsabilidade criminal.

No caso da obra de arte, a formulação mais precisa, diante das informações disponíveis, é que a Polícia Federal analisa mensagens sobre uma suposta entrega de obra a Swedenberger Barbosa, e não que a PF tenha comprovado a entrega de um presente de R$ 600 mil.

A investigação deverá esclarecer a natureza dos contatos, a eventual existência da obra, seu valor, se houve efetivamente entrega e se os diálogos tiveram alguma relação concreta com as negociações comerciais examinadas pelos investigadores.

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