Autoridades ampliam área de alerta no Lower Basin do rio Charles e recomendam evitar contato com a água; exposição pode provocar desde irritações e problemas gastrointestinais até quadros graves
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Um alerta de saúde pública relacionado à presença de cianobactérias no Charles River Lower Basin, em Boston e Cambridge, foi ampliado pelas autoridades de Massachusetts. A recomendação agora abrange os pontos localizados a jusante do prédio do Boston University Duan Family Center for Computing and Data Sciences, conhecido como “Jenga Tower”, depois que avaliações identificaram uma concentração de cianobactérias acima das diretrizes estaduais para águas recreativas.
A medida coloca moradores e visitantes em alerta durante um período do ano especialmente favorável ao crescimento dessas bactérias. Segundo o Departamento de Saúde Pública de Massachusetts (DPH), as proliferações de cianobactérias nocivas, conhecidas como CyanoHABs, são mais frequentes no fim do verão e no início do outono.
O risco não está apenas no aspecto desagradável que a água pode apresentar. Algumas espécies de cianobactérias produzem cianotoxinas, substâncias capazes de causar problemas de saúde em seres humanos e animais. Por isso, a recomendação das autoridades é evitar o contato com a água quando houver um alerta.
Alerta foi ampliado no Charles River
A Comissão de Saúde Pública de Boston (BPHC) informou em 27 de agosto que o aviso existente para o Charles River Lower Basin foi ampliado. O DPH recomendou que a área sob orientação incluísse todos os pontos localizados abaixo da Massachusetts Avenue Bridge, a partir da região próxima ao edifício da Boston University conhecido como Jenga Tower.
O primeiro alerta relacionado à proliferação no trecho havia sido divulgado em 20 de agosto, depois que uma avaliação realizada por funcionários do Departamento de Saúde Pública de Massachusetts identificou cianobactérias em níveis superiores aos parâmetros estabelecidos para corpos d’água recreativos.
A atualização significa que atividades recreativas que envolvam contato direto com a água devem ser evitadas na área afetada.
O que são as cianobactérias?
As cianobactérias são organismos microscópicos encontrados naturalmente em ambientes aquáticos. Apesar de muitas espécies não representarem perigo, algumas podem se multiplicar rapidamente quando encontram condições favoráveis, formando grandes concentrações conhecidas como florações de algas nocivas ou CyanoHABs.
Essas proliferações podem alterar a aparência da água. Segundo o DPH, elas podem formar uma camada semelhante a sopa de ervilha, espuma, manchas ou uma espécie de tinta azul ou verde sobre a superfície. A coloração, porém, não é suficiente para determinar se uma proliferação é tóxica.
O órgão estadual alerta que não é possível saber visualmente se uma proliferação produz toxinas. Essa confirmação depende de análises específicas. Por isso, diante de uma suspeita, a recomendação é não entrar na água.
Como a exposição pode afetar a saúde
A exposição às cianobactérias e às toxinas produzidas por elas pode ocorrer de diferentes formas. Uma pessoa pode adoecer ao engolir água contaminada, tocar a água ou respirar pequenas gotículas ou aerossóis contaminados. A gravidade depende do tipo de toxina, da concentração presente e da forma e duração da exposição.
Entre os sintomas que podem aparecer estão:
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irritação da pele;
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irritação dos olhos e do nariz;
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dor de garganta;
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tosse;
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dor abdominal;
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náuseas;
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vômitos;
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diarreia;
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dor de cabeça;
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tontura;
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fraqueza muscular.
Em determinadas situações, a exposição a toxinas específicas pode provocar danos ao fígado, alterações neurológicas e outros problemas graves. O CDC destaca que as doenças associadas às florações de algas nocivas podem variar de manifestações leves a condições potencialmente fatais.
Crianças e animais exigem atenção especial
Embora qualquer pessoa possa ser exposta, crianças e animais de estimação merecem atenção especial.
O Departamento de Saúde Pública de Massachusetts destaca que crianças pequenas e pets podem ser mais suscetíveis aos efeitos das cianotoxinas. No caso dos cães, existe ainda o risco de ingerirem as toxinas ao lamber o pelo depois de nadar ou entrar em contato com água contaminada.
O CDC alerta que animais podem desenvolver quadros graves e até morrer depois de ingerirem determinadas toxinas produzidas pelas cianobactérias. Os sinais de intoxicação podem incluir vômitos, falta de energia, dificuldade para caminhar, salivação excessiva, tremores, convulsões e dificuldade respiratória.
Por esse motivo, cães não devem nadar, brincar ou beber água de um local onde exista suspeita ou confirmação de proliferação de cianobactérias.
O que fazer se houver contato com a água?
A recomendação das autoridades de Boston é evitar completamente atividades que envolvam contato direto com a água durante um alerta.
Isso inclui:
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natação;
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pesca;
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stand-up paddle;
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caiaque;
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canoagem;
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outras atividades recreativas que possam provocar contato com a água.
Pets também devem ser mantidos afastados da água e de possíveis concentrações de algas nas margens.
Se uma pessoa entrar acidentalmente na água, a orientação é enxaguar o corpo imediatamente com água limpa. No caso de animais, o pelo deve ser lavado antes que o pet tenha oportunidade de lambê-lo.
Se surgirem sintomas depois da exposição, o CDC recomenda procurar orientação médica. Em casos envolvendo animais que apresentem sinais de intoxicação após contato com água suspeita, a orientação é procurar um veterinário imediatamente.
Não basta confiar na aparência da água
Um dos principais problemas das florações de cianobactérias é que sua aparência pode variar bastante. A água pode apresentar coloração verde, azul, marrom ou outros tons, além de espuma, manchas ou uma camada semelhante a tinta.
Porém, algumas proliferações potencialmente perigosas podem não ser facilmente identificadas a olho nu. O CDC recomenda que as pessoas permaneçam afastadas de águas que apresentem descoloração, espuma, uma camada superficial suspeita ou odor incomum.
O DPH também ressalta que não é possível determinar visualmente se uma proliferação é tóxica ou não tóxica. A identificação depende de análises laboratoriais.
Por que essas proliferações aumentam no fim do verão?
As cianobactérias existem naturalmente nos ambientes de água doce, mas determinadas condições ambientais favorecem seu crescimento acelerado.
De acordo com o Departamento de Saúde Pública de Massachusetts, as florações nocivas são mais comuns durante o fim do verão e o começo do outono. O CDC também aponta que florações de cianobactérias tendem a se desenvolver com maior facilidade em águas quentes, especialmente quando há maior disponibilidade de nutrientes como nitrogênio e fósforo.
Isso ajuda a explicar por que as autoridades intensificam a vigilância durante essa época do ano.
Massachusetts possui outros alertas
O problema não está restrito ao Charles River.
A relação oficial do Departamento de Saúde Pública de Massachusetts, atualizada em 26 de agosto de 2026, inclui vários corpos d’água sob alertas de florações de cianobactérias nocivas. Entre eles estão o Charles River Lower Basin, em Boston/Cambridge, além de locais em cidades como Brewster, Chicopee, Chilmark, Marblehead, Milton, Needham, Plymouth, Stoughton e Tisbury.
A lista é dinâmica e pode mudar conforme novas avaliações sejam realizadas e os resultados das análises sejam divulgados.
O que fazer ao identificar uma possível proliferação
Moradores que encontrarem água com aparência suspeita devem evitar o contato e comunicar a ocorrência às autoridades locais.
O DPH orienta que a população informe o departamento ou conselho de saúde local, fornecendo o nome e a localização do corpo d’água. A autoridade local pode então acionar os órgãos estaduais responsáveis pela avaliação.
A orientação também vale para pessoas que frequentam rios, lagos e lagoas para atividades recreativas. Em caso de dúvida, a recomendação de segurança é simples: não entrar na água.
Como proteger a família e os pets
Para reduzir o risco de exposição:
1. Não entre na água quando houver alerta.
Respeite as sinalizações e recomendações das autoridades de saúde.
2. Não permita que crianças brinquem na água suspeita.
Crianças podem engolir água acidentalmente durante atividades recreativas.
3. Mantenha os animais longe da água.
Cães não devem nadar, beber ou brincar em áreas afetadas.
4. Não deixe o pet lamber o pelo após contato com água suspeita.
Lave imediatamente o animal com água limpa.
5. Não consuma água ou alimentos provenientes de áreas sob alerta sem orientação das autoridades.
6. Procure atendimento se surgirem sintomas.
Pessoas com sintomas após uma possível exposição devem procurar um profissional de saúde; animais doentes precisam de avaliação veterinária rápida.
Alerta reforça importância da prevenção
A presença de cianobactérias em níveis acima das diretrizes no Charles River Lower Basin não significa que toda a água da região esteja contaminada ou que todas as pessoas expostas necessariamente ficarão doentes. O alerta é uma medida preventiva baseada na identificação de uma proliferação que pode representar risco à saúde.
Enquanto as autoridades continuam monitorando o rio e outros corpos d’água de Massachusetts, a principal recomendação para a população permanece a mesma: seguir os avisos oficiais, evitar contato com águas sob alerta e manter crianças e animais afastados de possíveis florações.
Em Boston, onde o alerta do Charles River Lower Basin foi ampliado nesta semana, a prevenção é especialmente importante durante o fim do verão, período em que as condições ambientais podem favorecer novas proliferações de cianobactérias.
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