Nova escalada militar entre Washington e Teerã aumenta a tensão no Oriente Médio e ameaça a estabilidade do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Os Estados Unidos e o Irã voltaram a trocar ataques nesta segunda-feira (31), em uma das mais importantes escaladas militares do conflito dos últimos dias. A ofensiva começou após forças americanas atingirem lançadores de foguetes iranianos instalados na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), dois lançadores foram atingidos porque forças da Guarda Revolucionária Iraniana estariam se preparando para lançar foguetes e instalar minas marítimas na região. A ação representou o primeiro ataque militar americano contra território iraniano desde o fim de julho.
A resposta de Teerã veio horas depois. O governo iraniano afirmou ter realizado ataques contra instalações militares americanas na Jordânia, classificando a ação como uma resposta aos ataques realizados pelos Estados Unidos.
A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos contra bases americanas no território jordaniano. Autoridades da Jordânia, porém, informaram que os sistemas de defesa interceptaram os projéteis.
Estreito de Ormuz volta ao centro da crise
O principal ponto de preocupação internacional é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula uma parcela significativa do petróleo comercializado mundialmente.
A região já vinha sofrendo forte redução no tráfego marítimo devido à escalada militar. O temor agora é que novos ataques provoquem uma interrupção ainda maior no transporte de petróleo e gás.
A retomada dos confrontos também provocou reação imediata nos mercados. O petróleo Brent chegou a superar os US$ 90 por barril nesta segunda-feira, refletindo o receio de que a crise afete o fornecimento mundial de energia.
Trump aumenta a pressão sobre Teerã
Em meio à nova escalada, o presidente americano Donald Trump afirmou nas redes sociais que a ilha iraniana de Kharg, um importante centro de exportação de petróleo do país, estaria sendo destruída.
Trump publicou um vídeo com grandes explosões e afirmou que a ilha estava sendo “destruída”, mas não apresentou evidências que comprovassem um ataque americano contra Kharg.
A gravação publicada pelo presidente foi posteriormente identificada como material gerado por inteligência artificial. Até o momento, não havia evidências independentes de que Kharg estivesse sob ataque, e nem a Casa Branca nem o Pentágono confirmaram uma ofensiva contra a ilha.
A diferença é importante porque Kharg concentra uma parcela fundamental da infraestrutura de exportação de petróleo iraniana. Qualquer ataque real contra suas instalações poderia provocar uma reação ainda mais forte nos mercados internacionais.
Irã promete novas respostas
O governo iraniano condenou os ataques americanos e afirmou que continuará respondendo a qualquer nova ofensiva.
Teerã sustenta que possui o direito de retaliar contra instalações utilizadas pelos Estados Unidos para realizar operações militares contra o país. A escalada também levou países da região a reforçarem seus sistemas de defesa.
Além da Jordânia, autoridades dos Emirados Árabes Unidos também denunciaram ataques iranianos e classificaram a ofensiva como uma ameaça à segurança regional.
Confronto ameaça ampliar crise internacional
O novo ciclo de ataques ocorre depois de semanas de relativa redução das operações militares diretas entre Estados Unidos e Irã.
A retomada dos confrontos aumenta o risco de que o conflito ultrapasse as fronteiras dos dois países e envolva diretamente outras nações que mantêm bases militares ou interesses estratégicos no Oriente Médio.
A preocupação também é econômica. Uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz poderia elevar ainda mais os preços do petróleo, pressionar os custos de transporte e aumentar a inflação em diferentes partes do mundo.
Enquanto Washington mantém a pressão militar e econômica sobre Teerã, o governo iraniano sinaliza que não pretende recuar diante dos ataques.
O cenário deixa o Oriente Médio novamente diante do risco de uma escalada mais ampla, com o Estreito de Ormuz no centro da disputa e os mercados internacionais atentos a cada novo movimento das duas potências.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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