Mensagens apontam atuação de Lulinha, lobista e Marcola em negociação de contrato com a Petrobras

Conversas analisadas pela Polícia Federal indicam articulações em favor da Unigel para obter um acordo com a estatal e, depois, financiamento do BNDES
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

A Polícia Federal investiga se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, participaram de articulações nos bastidores para favorecer os interesses da fabricante de fertilizantes Unigel em negociações com a Petrobras. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que o grupo teria atuado em torno de um possível contrato e de um acordo entre a empresa e a estatal. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino.

A PF encontrou mensagens que mostram conversas sobre a tentativa da Unigel de negociar um acordo com a Petrobras e, posteriormente, buscar financiamento do BNDES. Os diálogos também mencionam a participação de Lulinha, Roberta e Marcola nessas articulações. A partir desse material, os investigadores passaram a apurar qual teria sido o papel de cada um nas negociações e se houve atuação para beneficiar a empresa.

Segundo a investigação, Lulinha teria sido informado sobre as negociações e conversado diretamente com Leo Slezynger, diretor da Unigel. A polícia busca esclarecer se o filho do presidente participou de ações destinadas a aproximar a empresa de integrantes do governo ou a facilitar seus interesses junto à Petrobras.

No caso de Roberta, a apuração aponta que ela teria negociado com Slezynger um contrato de consultoria. O objetivo seria auxiliar a Unigel na tentativa de chegar a um acordo com a Petrobras e, em uma etapa posterior, conseguir financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Uma das mensagens citadas no inquérito trata de uma possível forma de aproximar Lulinha das negociações. Roberta teria sugerido que Slezynger oferecesse ao filho do presidente uma vaga remunerada em um conselho, com o objetivo de estreitar sua relação com integrantes do governo.

A PF também investiga pagamentos feitos à lobista. Conforme o inquérito, Slezynger teria repassado R$ 1,26 milhão a Roberta entre março de 2023 e julho de 2024. Os investigadores procuram esclarecer a finalidade dos valores e se existe relação entre os pagamentos e as articulações envolvendo a Unigel.

As mensagens e os pagamentos fazem parte de uma investigação ainda em andamento. A PF busca determinar se as conversas resultaram em ações concretas e se houve alguma irregularidade nas negociações envolvendo a empresa, a Petrobras e integrantes do governo.

A defesa de Lulinha afirma que não teve acesso ao procedimento e que não comentará alegações não verificadas. A defesa de Roberta classifica os vazamentos como criminosos e questiona o contexto das mensagens.

A Unigel, por sua vez, afirma que nunca manteve relação contratual com Roberta Luchsinger ou com empresas ligadas a ela.

O inquérito segue em tramitação no STF, e as suspeitas investigadas pela Polícia Federal ainda não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.

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