Aumento do fluxo migratório reforça a necessidade de facilitar o acesso de gestantes a consultas, exames e tratamento para evitar a transmissão de infecções ao bebê
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
O crescimento do número de imigrantes em Florianópolis tem levado a rede municipal de saúde a reforçar a atenção ao acompanhamento pré-natal, especialmente na identificação e no tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV e sífilis.
Dados do IBGE apontam que, em 2022, 15,7% da população da capital catarinense era formada por pessoas naturais de outros estados e 2% por estrangeiros. A estimativa é de que 84,6 mil pessoas tenham chegado à cidade nos cinco anos anteriores, aumentando a demanda sobre os serviços públicos.
Entre os pontos de atenção está a garantia de que gestantes que chegam recentemente ao município consigam rapidamente acessar uma unidade de saúde, realizar exames e iniciar ou dar continuidade ao pré-natal. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a ausência de histórico médico, documentos ou acompanhamento regular pode dificultar a identificação de infecções durante a gestação.
Em 2025, Florianópolis registrou um caso de transmissão vertical de HIV após dois anos sem ocorrências. Segundo a Secretaria de Saúde, a mãe envolvida não era imigrante. O episódio, porém, reforça a importância de manter o rastreamento das infecções durante toda a gestação.
As recomendações do Ministério da Saúde estabelecem a realização de testes para HIV e sífilis em diferentes etapas do atendimento. Os exames devem ser feitos durante o pré-natal e também no momento do parto, permitindo que eventuais casos sejam identificados e tratados o mais rapidamente possível.
Em Florianópolis, a rede pública disponibiliza testes rápidos e mantém estratégias para ampliar o acompanhamento das pacientes. Entre elas está o trabalho de profissionais responsáveis por localizar mulheres que precisam dar continuidade ao tratamento.
Acesso e combate ao preconceito
Além das dificuldades relacionadas à documentação e ao acesso aos serviços, profissionais da saúde alertam que o preconceito pode afastar imigrantes e pessoas diagnosticadas com ISTs da rede de atendimento.
Para reduzir essas barreiras, Florianópolis já utiliza iniciativas como materiais informativos em diferentes idiomas e recursos de tradução durante consultas. A intenção é facilitar a comunicação e garantir que mulheres, independentemente de sua origem, tenham acesso às informações e aos cuidados necessários.
A Secretaria de Saúde também reforça que HIV e sífilis não estão relacionados à condição de imigrante. O desafio está em garantir que qualquer gestante consiga realizar o pré-natal, fazer os exames indicados e, quando necessário, receber tratamento adequado.
O Ministério da Saúde destaca que o diagnóstico e o tratamento durante a gestação são fundamentais para reduzir o risco de transmissão de infecções ao bebê.
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