Sarampo já soma 3.659 casos nos EUA e CDC confirma duas mortes em 2026

País enfrenta o maior número de casos de sarampo em décadas, enquanto a Pensilvânia registra quatro mortes associadas à doença e expõe uma divergência com a contagem federal
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Os Estados Unidos já registraram 3.659 casos confirmados de sarampo em 2026, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), referentes aos casos contabilizados até 24 de setembro. O número supera com folga os 2.289 casos registrados durante todo o ano de 2025 e coloca o país diante de um dos mais importantes surtos de sarampo das últimas décadas.

A situação ganhou ainda mais atenção nesta semana depois que o CDC passou a confirmar duas mortes relacionadas ao sarampo em 2026, segundo informações divulgadas em 29 de setembro. A atualização, porém, ocorre em meio a uma divergência com as autoridades da Pensilvânia, que já contabilizam quatro mortes associadas ao sarampo no estado.

A diferença entre os números federais e estaduais está relacionada à forma como os óbitos estão sendo classificados e confirmados. O CDC informou que trabalha com autoridades epidemiológicas estaduais para desenvolver uma definição padronizada para mortes atribuídas ao sarampo.

Número de casos ultrapassa todo o registrado em 2025

O levantamento do CDC mostra a dimensão do avanço da doença. Dos 3.659 casos confirmados até 24 de setembro, 3.642 foram notificados por 47 jurisdições, enquanto outros 17 casos foram registrados entre visitantes internacionais nos Estados Unidos.

Além disso, 95% dos casos, 3.478 pessoas, estão associados a surtos, sendo 2.094 relacionados a surtos iniciados em 2026 e 1.384 vinculados a surtos que começaram em 2025. O CDC contabilizou 40 novos surtos de sarampo no país neste ano.

O cenário representa uma mudança significativa em relação ao ano anterior. Em 2025, foram registrados 2.289 casos confirmados nos Estados Unidos. Portanto, o total de 2026 já é aproximadamente 60% maior do que o registrado em todo o ano passado  e o ano ainda não terminou.

Pensilvânia se tornou o principal foco da crise

A Pensilvânia está no centro da atual onda de sarampo. Segundo o Departamento de Saúde do estado, havia 890 casos confirmados em 39 condados até 25 de setembro, além de 173 hospitalizações e quatro mortes associadas ao sarampo.

O estado também informou que apenas quatro dos 890 casos haviam ocorrido em pessoas vacinadas, o equivalente a menos de 1% do total registrado. As autoridades estaduais continuam promovendo campanhas de vacinação e ações comunitárias para conter a transmissão.

Em 15 de setembro, o Departamento de Saúde da Pensilvânia confirmou duas novas mortes associadas ao sarampo. As vítimas, uma residente do condado de Jefferson e outra do condado de Mifflin, não eram vacinadas. Esses dois óbitos se somaram a outras duas mortes anteriormente confirmadas no condado de Lancaster.

O estado informou que suas investigações consideraram critérios epidemiológicos e registros médicos para determinar a associação das mortes com o sarampo.

Por que o número de mortes do CDC é diferente?

A divergência entre as estatísticas estaduais e federais se tornou um dos pontos mais controversos da atual epidemia.

Enquanto a Pensilvânia considera quatro mortes como associadas ao sarampo, o CDC passou a divulgar uma contagem federal baseada em dados do National Center for Health Statistics (NCHS), órgão responsável pelas estatísticas nacionais de mortalidade. A mudança de metodologia provocou questionamentos porque os registros estaduais podem identificar uma morte como associada ao sarampo antes que ela apareça nas estatísticas federais de mortalidade.

Reportagem da Reuters publicada em 29 de setembro informou que o CDC havia confirmado duas mortes relacionadas ao sarampo em 2026, mas que os quatro óbitos registrados pela Pensilvânia ainda não estavam incluídos integralmente na contagem federal.

O próprio CDC ressalta que sua contagem de mortes pode mudar à medida que novas informações sejam disponibilizadas e as revisões dos casos sejam concluídas. A agência também afirma estar trabalhando com o Council of State and Territorial Epidemiologists (CSTE) para estabelecer uma definição padronizada de mortes causadas pelo sarampo.

Assim, os números não devem ser interpretados simplesmente como se uma das autoridades estivesse necessariamente “errada”. Eles refletem diferentes processos de vigilância e confirmação, embora a discrepância tenha provocado críticas de autoridades e especialistas.

Uma doença que havia sido eliminada dos Estados Unidos

O sarampo foi declarado eliminado nos Estados Unidos em 2000, resultado de décadas de vacinação e de uma cobertura suficientemente alta para impedir a transmissão contínua do vírus na população.

A eliminação, entretanto, não significa que o vírus deixou de chegar ao país. Pessoas infectadas em outros países podem introduzir o sarampo nos Estados Unidos, onde o vírus pode voltar a circular em comunidades com menor cobertura vacinal.

O CDC destaca que o sarampo é extremamente contagioso e pode se espalhar pelo ar quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. Uma pessoa suscetível pode ser infectada simplesmente por permanecer em um ambiente onde esteve alguém contaminado.

Um surto é definido pelo CDC como três ou mais casos relacionados. Embora muitos surtos sejam pequenos, a transmissão pode crescer rapidamente quando o vírus entra em comunidades com baixa cobertura vacinal.

Cobertura da vacina MMR caiu abaixo da meta

Um dos fatores que preocupa as autoridades de saúde é a queda da cobertura vacinal entre crianças.

De acordo com o CDC, a cobertura nacional da vacina tríplice viral  contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR), entre crianças da pré-escola caiu de 95,2% no ano letivo de 2019–2020 para 92,4% em 2025–2026.

A diferença parece pequena em termos percentuais, mas tem impacto importante na proteção coletiva. O CDC estima que aproximadamente 280 mil crianças matriculadas no jardim de infância estavam potencialmente vulneráveis ao sarampo no ano letivo de 2025–2026.

A agência explica que, quando mais de 95% da população está vacinada, a chamada imunidade comunitária ajuda a impedir a circulação do vírus. Porém, a existência de bolsões com baixa vacinação pode permitir que o sarampo se espalhe mesmo em regiões onde a cobertura estadual geral é relativamente elevada.

Duas doses oferecem alta proteção

O CDC afirma que duas doses da vacina MMR são cerca de 97% eficazes na prevenção do sarampo, enquanto uma dose apresenta eficácia de aproximadamente 93%.

Isso significa que pessoas vacinadas ainda podem, em situações incomuns, desenvolver a doença após uma exposição, mas esses casos são muito menos frequentes.

Na Pensilvânia, por exemplo, as autoridades informaram que menos de 1% dos casos registrados até 25 de setembro ocorreram em pessoas vacinadas.

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo geralmente começa com sintomas que podem se parecer com os de outras infecções respiratórias.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • febre;
  • tosse;
  • coriza;
  • olhos vermelhos e lacrimejantes;
  • mal-estar;
  • posteriormente, o aparecimento de manchas vermelhas na pele.

Segundo o Departamento de Saúde da Pensilvânia, os sintomas podem aparecer entre 7 e 21 dias após a exposição. A erupção geralmente começa na região da cabeça e se espalha progressivamente pelo corpo.

Embora algumas pessoas apresentem apenas sintomas moderados, o sarampo pode provocar complicações graves, incluindo pneumonia, desidratação e encefalite, uma inflamação do cérebro.

O CDC informa que aproximadamente 20% dos casos de sarampo nos Estados Unidos podem exigir hospitalização, embora o risco individual varie conforme idade, condição de saúde e outros fatores.

Por que o surto preocupa autoridades de saúde?

O problema não está apenas no número absoluto de casos, mas na velocidade de transmissão e na possibilidade de o vírus atingir pessoas que não podem ser facilmente protegidas.

Bebês que ainda não atingiram a idade indicada para vacinação, algumas pessoas com determinadas condições médicas e indivíduos não vacinados podem estar particularmente vulneráveis quando o vírus começa a circular.

Além disso, quanto maior o número de pessoas infectadas, maior é a possibilidade de surgirem complicações graves e novos focos de transmissão.

O CDC afirma que a redução da cobertura vacinal, combinada ao aumento da circulação internacional do vírus, contribui para o aumento da atividade do sarampo nos Estados Unidos.

EUA vivem o maior surto em décadas

O número de 3.659 casos registrados até 24 de setembro coloca 2026 em uma situação excepcional. O total já supera o registrado em 2025 e representa um dos maiores números anuais desde a eliminação do sarampo no país.

A crise também chama atenção porque ocorre em um país que durante anos conseguiu manter a transmissão do vírus sob controle graças à vacinação.

A situação da Pensilvânia acrescenta uma dimensão ainda mais preocupante: além de concentrar centenas de casos e hospitalizações, o estado registrou quatro mortes associadas à doença, enquanto a contagem federal apresenta atualmente um número menor devido às diferenças no processo de confirmação dos óbitos.

Para o CDC, os números continuam sendo preliminares e sujeitos a alterações. A agência atualiza semanalmente os dados nacionais, e os departamentos estaduais podem apresentar números mais recentes em seus próprios sistemas de vigilância.

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