Quase 919 mil brasileiros votam no exterior; eleitores da Nova Zelândia são os primeiros a ir às urnas neste sábado (3)

Votação no exterior segue os diferentes fusos horários e termina no Canadá no domingo (4), enquanto brasileiros de 104 países estão aptos a participar da eleição presidencial

Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

As Eleições 2026 também mobilizam brasileiros que vivem fora do país. Ao todo, 918.876 eleitores estão aptos a votar no exterior, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa um crescimento de 31,82% em relação a 2022, quando aproximadamente 697 mil brasileiros estavam cadastrados para votar fora do território nacional.

A votação no exterior ocorre em um intervalo diferente do observado no Brasil por causa dos fusos horários. Pelo horário de Brasília, os primeiros brasileiros a votar são os que estão na Nova Zelândia, enquanto o encerramento ocorre no Canadá. Dessa forma, o processo eleitoral se estende por mais de 29 horas entre os diferentes países.

Estados Unidos concentram maior número de eleitores

Os Estados Unidos são o país que reúne a maior quantidade de brasileiros aptos a votar. O eleitorado brasileiro registrado no país supera 265 mil pessoas, o equivalente a cerca de 28,9% de todos os eleitores brasileiros cadastrados no exterior.

Portugal aparece na segunda posição, com aproximadamente 134,7 mil eleitores, seguido pelo Japão, com cerca de 88,4 mil. Somados, Estados Unidos, Portugal e Japão concentram mais da metade do eleitorado brasileiro que votará fora do Brasil.

Entre as cidades com maior concentração de eleitores estão Lisboa, Boston, Porto, Nagóia, Miami, Nova York, Londres, Tóquio, Paris e Orlando. Lisboa, na capital portuguesa, reúne mais de 78 mil brasileiros aptos a votar.

Boston também se destaca, com mais de 53 mil eleitores. A cidade norte-americana aparece entre os principais locais de votação do exterior e conta com uma das maiores comunidades brasileiras cadastradas.

A distribuição do eleitorado mostra que a votação brasileira fora do país está concentrada principalmente em grandes comunidades de imigrantes. Ao mesmo tempo, existem localidades com apenas alguns eleitores registrados.

Votação ocorre em 186 cidades

De acordo com o TSE, o eleitorado brasileiro no exterior está distribuído por 186 cidades. A estrutura eleitoral é organizada com participação da Zona Eleitoral do Exterior, vinculada ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, em conjunto com o TSE e o Ministério das Relações Exteriores.

A votação pode ocorrer em embaixadas, consulados e outros espaços definidos para atender à quantidade de eleitores de cada localidade. Quando a estrutura diplomática não é suficiente, outros imóveis podem ser utilizados para instalar as seções eleitorais.

Em junho, o TSE informou que os Estados Unidos concentravam 264.702 eleitores e Portugal, 134.325. Naquele levantamento, Boston aparecia com mais de 53 mil inscritos, enquanto Miami reunia mais de 42 mil.

Quem mora fora do Brasil vota apenas para presidente

Uma das principais diferenças entre o voto no exterior e o voto realizado em território brasileiro está nos cargos disponíveis.

O brasileiro com domicílio eleitoral no exterior vota exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. Não há votação para governador, senador ou deputados federal e estadual nesse cadastro eleitoral.

As regras gerais de obrigatoriedade do voto permanecem aplicáveis. São obrigados a votar os brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos. Para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos, o voto é facultativo.

Outra particularidade é que o eleitor com domicílio eleitoral no exterior que estiver no Brasil no dia da eleição não pode simplesmente votar em uma seção brasileira. Caso não compareça ao local correspondente ao seu cadastro no exterior, deverá observar as regras de justificativa eleitoral.

Mulheres são maioria entre os eleitores

O perfil do eleitorado brasileiro fora do país também apresenta predominância feminina. Cerca de 528 mil mulheres estão cadastradas para votar no exterior, representando aproximadamente 57% do total.

Os homens somam cerca de 391 mil eleitores, correspondendo a aproximadamente 43%. Apesar de continuarem em menor número, o eleitorado masculino apresentou crescimento proporcional superior ao feminino desde 2022.

A expansão do cadastro eleitoral, porém, não deve ser interpretada automaticamente como aumento equivalente da quantidade de brasileiros que passaram a morar no exterior. O próprio crescimento pode envolver novos alistamentos, transferências de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais.

Eleitorado de 40 a 44 anos é o mais numeroso

Entre as diferentes faixas etárias, o grupo de 40 a 44 anos é o que reúne a maior quantidade de eleitores brasileiros no exterior, com mais de 124 mil pessoas.

Na sequência aparece a faixa de 45 a 49 anos, que ultrapassa 116 mil eleitores. Também possuem participação expressiva os grupos de 35 a 39 anos e de 30 a 34 anos.

O TSE destaca ainda o crescimento registrado entre os eleitores mais jovens. Na faixa de 21 a 24 anos, o número de cadastrados aumentou de maneira significativa em relação a 2022.

Biometria ainda alcança parcela menor do eleitorado

Apesar da utilização da biometria no sistema eleitoral brasileiro, a identificação dos eleitores no exterior apresenta uma realidade diferente.

Dados do TSE indicam que aproximadamente 25% dos eleitores cadastrados fora do país possuem biometria registrada. Por isso, a ausência do cadastro biométrico não impede o eleitor habilitado de votar no exterior, desde que apresente a documentação necessária para identificação.

O cadastro eleitoral também reúne informações sobre eleitores com deficiência e pessoas que utilizam nome social. Essas estatísticas correspondem às informações declaradas à Justiça Eleitoral e podem não representar a totalidade da população brasileira que vive fora do país.

Crescimento do eleitorado acompanha expansão do cadastro

O número de brasileiros aptos a votar fora do país praticamente dobrou na última década. Em 2014, eram pouco mais de 354 mil eleitores; em 2022, o contingente chegou a aproximadamente 697 mil. Para 2026, são 918.876 pessoas habilitadas.

O aumento de mais de 221 mil eleitores desde 2022 representa crescimento de 31,82%. O eleitorado do exterior, contudo, continua representando uma parcela pequena do total nacional, que ultrapassa 158 milhões de pessoas em 2026.

A votação fora do Brasil, portanto, representa uma parcela específica do eleitorado nacional, mas está concentrada em comunidades brasileiras espalhadas por dezenas de países.

Eleição começa antes no exterior

Por causa da diferença de horários entre os países, a eleição brasileira não começa simultaneamente em todos os locais onde há eleitores cadastrados.

Enquanto o Brasil seguirá o horário oficial de Brasília para a votação, os brasileiros residentes em países situados em fusos mais adiantados iniciam o processo antes. A Nova Zelândia está entre os primeiros locais a abrir a votação, enquanto países da América do Norte aparecem entre os últimos a encerrá-la.

Mesmo com horários diferentes nos locais de votação, a apuração nacional dos votos segue o procedimento definido pela Justiça Eleitoral. O TSE informa que a divulgação da totalização dos votos começa após o encerramento da votação no Brasil, com os resultados do exterior integrados à totalização presidencial.

Para as Eleições 2026, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário segundo turno para a Presidência da República, a nova votação ocorrerá em 25 de outubro.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

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