Parte dos equipamentos será usada na votação, enquanto outra ficará destinada à reserva técnica
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Justiça Eleitoral preparou 563.910 urnas eletrônicas para as Eleições Gerais de 2026. O número inclui os equipamentos destinados diretamente à votação e aqueles mantidos como reserva para situações de contingência durante o pleito. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 499.248 urnas serão utilizadas na votação, enquanto 64.662 ficarão disponíveis para substituição caso seja necessário.
A quantidade total de equipamentos é resultado de uma estrutura logística que envolve o TSE, os 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e as zonas eleitorais de todo o país. A distribuição considera o número de eleitores, a quantidade de seções e as características de cada região.
Quatro modelos de urna estarão disponíveis
As 563.910 urnas pertencem a quatro modelos diferentes: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013.
A distribuição é a seguinte:
• 217.145 urnas do modelo UE2022;
• 222.323 urnas do modelo UE2020;
• 95.065 urnas do modelo UE2015;
• 29.377 urnas do modelo UE2013.
De acordo com o TSE, os modelos UE2020 e UE2022 representam aproximadamente 77% dos equipamentos utilizados no pleito. Apesar das diferenças entre as gerações, o tribunal afirma que os recursos utilizados para a votação são os mesmos nas diferentes versões.
Por que existem mais urnas do que seções eleitorais?
A existência de centenas de milhares de equipamentos além daqueles necessários para as seções de votação não significa que duas urnas serão utilizadas simultaneamente em cada seção.
A diferença está relacionada principalmente à contingência. Uma parcela das máquinas não é enviada imediatamente aos locais de votação e permanece disponível para eventual substituição de equipamentos que apresentem problemas.
Para 2026, o TSE informa que 64.662 urnas serão destinadas à contingência e à reserva técnica. Dessa forma, caso uma máquina utilizada em uma seção apresente algum problema durante a votação, outro equipamento poderá ser empregado conforme o planejamento da Justiça Eleitoral.
A logística também precisa considerar as características geográficas do país. Em áreas urbanas, o transporte das urnas ocorre principalmente por veículos. Já em regiões de difícil acesso, a operação pode envolver aviões, helicópteros e barcos.
Como as urnas são preparadas?
A preparação dos equipamentos ocorre antes da eleição e envolve diferentes etapas.
As urnas recebem os dados necessários para a realização da votação, passam por procedimentos de preparação e são submetidas a testes. Posteriormente, são aplicados os lacres de segurança previstos para o processo eleitoral.
A distribuição final é coordenada pelos TREs de acordo com as necessidades de cada zona eleitoral. Segundo o TSE, as urnas estão armazenadas em aproximadamente 1.100 locais no país antes da distribuição aos municípios e locais de votação.
As seções eleitorais são montadas antes do início da votação. As urnas são posicionadas e mantidas sob guarda até o momento de abertura dos trabalhos eleitorais.
Sistemas passam por etapas de segurança
Além da preparação física dos equipamentos, os sistemas utilizados nas urnas passam por procedimentos específicos de verificação.
O TSE informa que os softwares utilizados nas eleições são submetidos ao Teste Público de Segurança, além de serem posteriormente assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública.
Os códigos-fonte dos sistemas eleitorais também ficam disponíveis para inspeção pelas entidades fiscalizadoras dentro do calendário estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Outro mecanismo de verificação são os chamados resumos digitais, ou hashes. Segundo o TSE, esses arquivos permitem que partidos políticos comparem os códigos encontrados nas urnas com aqueles que foram assinados e lacrados pelo tribunal.
Fiscalização e conferência dos resultados
A transparência do processo eleitoral também envolve mecanismos de conferência depois do encerramento da votação.
Após o fechamento das seções, cada urna emite o Boletim de Urna (BU), documento que registra os votos contabilizados naquela seção. O resultado também pode ser conferido por meio do QR Code presente no boletim.
Para as Eleições 2026, o TSE informa que o aplicativo Boletim na Mão, integrado ao e-Título, permite consultar os dados registrados nos boletins e compará-los com os resultados divulgados pelo tribunal.
O eleitor também poderá acompanhar a totalização dos votos por estado e município. A divulgação dos resultados começa após o encerramento da votação, às 17h pelo horário de Brasília.
Uma operação nacional
A preparação de 563.910 urnas envolve uma operação de grande escala, que começa meses antes da votação e termina somente depois que os equipamentos utilizados nas seções são recolhidos.
Do armazenamento ao transporte, passando pela preparação, distribuição, votação, emissão dos boletins e posterior recolhimento das máquinas, diferentes etapas são coordenadas pela Justiça Eleitoral.
Para o primeiro turno de 2026, marcado para 4 de outubro, serão utilizados os quatro modelos de urnas eletrônicas, com equipamentos de diferentes gerações distribuídos conforme as necessidades de cada região.
A diferença entre o total de máquinas disponíveis e aquelas efetivamente destinadas às seções é, portanto, parte do planejamento operacional: além das urnas que estarão diante dos eleitores, a Justiça Eleitoral mantém equipamentos de contingência para situações que possam ocorrer durante a votação.
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