Fim do desconto na conta de luz, passagens aéreas mais caras e disparada de preços de alimentos como tomate e batata impulsionaram o IPCA; inflação acumulada em 12 meses chega a 4,58%
Por Gilvânia Alves|GNEWSUSA
A inflação oficial do Brasil acelerou em setembro de 2026 e voltou a pesar no orçamento das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% no mês, depois de registrar queda de 0,32% em agosto. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os principais responsáveis pela alta foram os grupos habitação, transportes e alimentação e bebidas. A elevação das tarifas de energia elétrica, o encarecimento das passagens aéreas e a disparada de alguns alimentos contribuíram para o avanço dos preços. Segundo os dados divulgados, todos os nove grupos pesquisados apresentaram variação positiva em setembro.
Com o resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses alcançou 4,58%. No período de janeiro a setembro de 2026, o índice acumula alta de 3,95%. O resultado mensal também foi apontado como o maior para setembro desde 2021.
Habitação lidera pressão sobre os preços
O grupo Habitação registrou a maior variação entre os segmentos pesquisados, com alta de 2,31%. O setor também teve o maior impacto sobre o índice geral: 0,35 ponto percentual.
O principal fator foi a energia elétrica residencial, cujas tarifas aumentaram 7,98% em setembro. A alta ocorreu após o fim do Bônus de Itaipu, desconto aplicado nas contas de luz em julho e agosto em razão do resultado positivo da Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu.
Com o encerramento do benefício, as famílias deixaram de contar com o abatimento que havia contribuído para reduzir a inflação no mês anterior. Assim, parte da queda observada em agosto foi revertida em setembro, pressionando novamente as despesas domésticas.
Transportes também encarecem
O grupo Transportes apresentou aumento de 0,89%, com impacto de 0,18 ponto percentual no IPCA.
Entre os destaques estão as passagens aéreas, que ficaram 9,66% mais caras no mês. Os combustíveis também registraram elevação média de 1,41%, com aumentos em diferentes produtos.
Confira as variações dos combustíveis em setembro:
- Etanol: alta de 3,16%;
- Óleo diesel: alta de 1,69%;
- Gasolina: alta de 1,21%;
- Gás veicular: alta de 0,10%.
O encarecimento dos transportes afeta diretamente quem precisa se deslocar diariamente e pode elevar os custos de atividades econômicas que dependem do transporte de pessoas e mercadorias.
Alimentos pesam no orçamento das famílias
O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,83% e também contribuiu com 0,18 ponto percentual para o resultado geral da inflação.
O avanço foi mais expressivo na alimentação consumida dentro de casa, que subiu 0,96%. Entre os produtos que mais encareceram estão alimentos bastante presentes na mesa dos brasileiros, como tomate, batata-inglesa, cebola e arroz.
Veja as principais altas registradas:
- Tomate: 37,76%;
- Batata-inglesa: 24,07%;
- Cebola: 10,14%;
- Arroz: 4,56%;
- Carnes: 0,63%.
As maiores elevações foram observadas no tomate e na batata-inglesa, produtos que tiveram aumentos expressivos em apenas um mês. Essas variações podem comprometer o orçamento doméstico, especialmente de famílias que destinam uma parcela significativa da renda à alimentação.
Apesar da pressão generalizada, alguns itens ficaram mais baratos. O frango inteiro apresentou queda de 1,96%, enquanto o frango em pedaços recuou 1,41%. Os preços das frutas também diminuíram, com variação negativa de 1,12%.
Confira a inflação por grupo em setembro
A tabela reúne as variações mensais dos nove grupos que compõem o IPCA:
| Grupo pesquisado | Variação |
|---|---|
| Alimentação e bebidas | +0,83% |
| Habitação | +2,31% |
| Artigos de residência | +0,27% |
| Vestuário | +0,71% |
| Transportes | +0,89% |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,08% |
| Despesas pessoais | +0,26% |
| Educação | +0,04% |
| Comunicação | +0,64% |
Os percentuais mostram que a alta não ficou restrita a um único segmento. Embora habitação tenha liderado a variação, transportes e alimentação também tiveram influência relevante no resultado do mês.
Inflação volta a pressionar o custo de vida
A aceleração do IPCA em setembro evidencia o peso de despesas essenciais no orçamento das famílias. A energia elétrica foi o principal fator de pressão, enquanto as passagens aéreas e os aumentos de alimentos importantes para o consumo cotidiano contribuíram para ampliar o índice.
O resultado também mostra como descontos temporários e oscilações de preços podem influenciar a inflação de um mês para outro. Em agosto, o bônus na conta de luz ajudou a reduzir o indicador; em setembro, o fim do benefício contribuiu para a alta.
Com o IPCA acumulado em 4,58% em 12 meses, acompanhar a evolução dos preços de serviços básicos, transportes e alimentos permanece fundamental para avaliar o custo de vida no país.
Fonte: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 9 de outubro de 2026.
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