Lula convida Ana Elisa para sua campanha, e posts sobre odiar pessoas brancas e fechar igrejas geram polêmica

Deputada federal eleita pelo PT-MG, Ana Elisa Santos Silva passou a integrar a estratégia digital da campanha de Lula para o segundo turno, e publicações atribuídas a ela vieram à tona nas redes sociais
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

Publicações feitas por Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), deputada federal eleita, em seu perfil no X, antigo Twitter, repercutiram nas redes sociais após ela ser chamada para ajudar na comunicação digital da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. As mensagens abordam temas como igrejas evangélicas, pessoas brancas, empresários, aborto e adversários políticos, e passaram a ser compartilhadas amplamente na internet.

Em nota divulgada, a equipe de Ana Elisa reconheceu parte das publicações que circulavam nas redes sociais, enquanto a autenticidade de outras mensagens foi contestada. A conta da parlamentar no X também foi desativada.

Publicações defendem retirada de isenção tributária de igrejas evangélicas

Entre as mensagens que voltaram a circular está uma publicação atribuída a Ana Elisa na qual ela defende que o governo Lula retire a isenção tributária das igrejas evangélicas.

O texto diz:

“Eu acho que a primeira coisa que o Lula podia fazer a partir de agora é tirar a isenção de imposto das igrejas evangélicas”

A declaração provocou críticas por defender uma medida que afetaria o tratamento tributário das instituições religiosas. A Constituição Federal prevê imunidade de impostos para templos de qualquer culto, conforme as condições estabelecidas pela legislação. Uma eventual mudança nesse cenário envolveria uma discussão jurídica e política sobre a proteção constitucional concedida às organizações religiosas.

Outra publicação atribuída à parlamentar eleita, supostamente feita em abril de 2023, também ganhou destaque:

“Lula para de fazer coisas boas para o Brasil, cadê o kit gay e o fechamento das igrejas? 😭”

A mensagem faz referência ao chamado “kit gay”, expressão utilizada em disputas políticas brasileiras envolvendo materiais relacionados à educação e à diversidade sexual, e menciona ironicamente o fechamento de igrejas.

A circulação do texto provocou indignação entre usuários que interpretaram a mensagem como uma manifestação hostil às instituições religiosas. O conteúdo também passou a ser utilizado por adversários políticos para questionar a posição da parlamentar eleita em relação à liberdade religiosa.

Uma terceira frase atribuída à conta, relacionada à avaliação do início do governo Lula, também circulou nas redes:

“7, até porque não fechou as igrejas como prometido.”

As três mensagens contribuíram para ampliar a controvérsia em torno das declarações atribuídas à deputada eleita e de suas posições sobre religião.

Publicação sobre pessoas brancas provoca críticas

Outra mensagem que ganhou repercussão trata de pessoas brancas e da questão racial. No texto atribuído à parlamentar eleita, ela escreveu:

“Vcs não entendem o tanto que é gratificante zooar um branco por ele ser branco dps de tantos anos de opressão e de pensarmos que o feio era ser negro”.

A declaração provocou críticas pela defesa expressa de ridicularizar alguém por sua cor da pele. A mensagem relaciona esse comportamento à história de opressão sofrida pela população negra, mas utiliza a identidade racial de pessoas brancas como justificativa para a zombaria.

O conteúdo foi compartilhado por usuários que questionaram a coerência da declaração com o debate sobre racismo e discriminação.

A repercussão ampliou a discussão sobre os limites das manifestações nas redes sociais e sobre a responsabilidade de figuras públicas pelo conteúdo que publicam.

Ana Elisa critica empresários e empreendedores

Empresários e empreendedores também foram mencionados em uma publicação feita no perfil de Ana Elisa. No texto, ela critica a relação do governo Lula com o setor empresarial e compara o tratamento dado ao grupo com a situação vivida durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

A mensagem diz:

“Tô nem aí pra empreendedor. Empresário é essa caralhada toda. Governo Bolsonaro não tava nem aí para nós subservientes. Por que que o do Lula tem que lamber esse povo? Que se foda, da mesma forma que a gente se fudeu no governo passado.”

A publicação utiliza linguagem ofensiva para se referir ao setor empresarial e questiona por que o governo petista deveria manter uma relação próxima com empresários.

O texto também expressa insatisfação com a maneira como, na avaliação da autora, o governo Bolsonaro tratava determinados grupos sociais. A comparação, porém, é apresentada em tom agressivo e generalizante, o que contribuiu para a repercussão da mensagem.

Mensagem sobre aborto critica bancada evangélica e PL

Outra publicação, registrada em 14 de junho de 2024, aborda o aborto após a 22ª semana de gestação, inclusive em casos de estupro. O texto, escrito em letras maiúsculas, contém palavrões e críticas à bancada evangélica e ao Partido Liberal (PL). A mensagem diz:

“F…-SE SE É DEPOIS DA 22ª SEMANA F…-SE SE É DE ESTUPRADOR, O ABORTO É LIVREEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! QUEM DECIDE É A VÍTIMA, P…, QUEIMA ESSA BANCADA EVANGÉLICA, QUEIMA ESSE PL, PQ NEM O CAPETA PODE COM ESSE POVOOOOO!!!!!!”

A mensagem provocou discussões sobre o posicionamento expresso e sobre o tom utilizado contra grupos religiosos e políticos que se opõem à ampliação do acesso ao aborto.

No Brasil, o aborto é permitido nas hipóteses previstas na legislação, incluindo a gravidez decorrente de estupro. A discussão sobre limites gestacionais envolve questões jurídicas, médicas e políticas, além de divergências entre parlamentares, organizações religiosas e grupos que defendem os direitos das mulheres.

Críticas ao uso de redes sociais por padres

As mensagens que circularam na internet também incluem críticas à presença de padres nas redes sociais. Em uma das publicações atribuídas à parlamentar, a autora escreveu:

“eu só quero saber quando o Vaticano vai PROIBIR padre de ter rede social? Não casar é o de menos, eles precisam começar a focar no que realmente importa, tipo os fiéis.”

O texto questiona a utilização de plataformas digitais por sacerdotes católicos e defende que a Igreja priorize a relação dos religiosos com os fiéis.

Assessoria reconhece parte das publicações

A equipe de Ana Elisa reconheceu a autenticidade de parte das mensagens antigas e afirmou que a deputada eleita se retratava pelas declarações que provocaram ofensas.

O comunicado também mencionou a idade da parlamentar na época de parte das publicações e citou dispositivos da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), relacionados à proteção da dignidade e da imagem de crianças e adolescentes.

A nota afirma:

“Ana assume o que escreveu, retrata-se e pede desculpas a quem se sentiu ofendido”

O comunicado também declarou que a parlamentar eleita, atualmente com 21 anos, “já não pensa como antes” e afirmou que ela é católica praticante edefende a liberdade religiosa, o Estado laico e a democracia.

Apesar do pedido de desculpas, as publicações continuaram repercutindo nas redes sociais e ganharam projeção nacional, ampliando a polêmica em torno de Ana Elisa em meio à sua participação na comunicação digital da campanha de Lula no segundo turno das eleições de 2026.

Confira os prints das publicações de Ana Elisa no X, antigo Twitter, incluindo as falas citadas nesta reportagem e outras declarações atribuídas a ela que circulam nas redes sociais.

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