Osteoporose pode avançar sem sintomas; veja os fatores de risco e como proteger os ossos

Menopausa precoce, histórico familiar, sedentarismo e uso prolongado de corticoides podem aumentar o risco da doença; alimentação adequada, exercícios e prevenção de quedas ajudam a preservar a saúde óssea
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

A osteoporose é uma doença caracterizada pela redução progressiva da massa óssea, que compromete a resistência dos ossos e aumenta o risco de fraturas. Como o enfraquecimento ósseo pode ocorrer sem sinais evidentes nas fases iniciais, reconhecer os fatores de risco e adotar medidas preventivas é fundamental para preservar a mobilidade e a qualidade de vida. Segundo informações do Ministério da Saúde e da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), alterações hormonais, baixo peso corporal, histórico familiar, sedentarismo, alimentação pobre em cálcio e determinados tratamentos medicamentosos estão entre as condições que merecem atenção.

O que é osteoporose e por que a doença preocupa?

A osteoporose ocorre quando os ossos perdem densidade e resistência, tornando-se mais suscetíveis a fraturas. Essas lesões podem acontecer após quedas ou impactos leves e, em casos mais graves, comprometer a autonomia, especialmente entre pessoas idosas.

A doença está associada a fatores que não podem ser modificados, como a idade e o histórico familiar, mas também a condições relacionadas ao estilo de vida e à saúde que podem ser acompanhadas e, em alguns casos, controladas.

Por isso, a prevenção envolve cuidados contínuos com a alimentação, a prática de atividade física, a avaliação médica e a redução dos riscos de acidentes domésticos.

Quais fatores aumentam o risco de osteoporose?

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Histórico familiar: ter pais ou familiares próximos com osteoporose ou fratura de quadril pode indicar maior predisposição.
  • Baixo peso corporal: pessoas com índice de massa corporal inferior a 19 kg/m² apresentam maior risco, segundo a IOF.
  • Sedentarismo: a falta de exercícios pode prejudicar a manutenção da massa óssea e da força muscular.
  • Baixa ingestão de cálcio: o consumo insuficiente desse mineral pode comprometer a saúde dos ossos.
  • Deficiência de vitamina D: níveis inadequados podem dificultar a absorção de cálcio.
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool: hábitos associados a prejuízos à saúde óssea e, no caso do álcool, a maior risco de quedas.
  • Quedas recorrentes: sofrer quedas repetidas aumenta a preocupação com a possibilidade de fraturas.

A presença de um ou mais desses fatores não significa, necessariamente, que a pessoa tenha osteoporose. A avaliação profissional é importante para identificar o risco individual e definir a necessidade de exames.

Menopausa precoce pode acelerar a perda óssea?

As alterações hormonais têm influência importante sobre a saúde dos ossos. Nas mulheres, o estrogênio contribui para a proteção do tecido ósseo, e a redução desse hormônio durante a menopausa pode acelerar a perda de massa óssea.

De acordo com a IOF, mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos apresentam maior risco de desenvolver osteoporose. A retirada dos ovários antes dessa idade, especialmente sem terapia hormonal quando indicada, também pode aumentar a vulnerabilidade.

Nos homens, níveis reduzidos de testosterona podem estar relacionados à perda de massa óssea. Alterações hormonais devem ser investigadas por profissionais de saúde, que podem avaliar a necessidade de exames e acompanhamento.

Quais doenças e medicamentos podem enfraquecer os ossos?

Além das alterações hormonais, algumas condições clínicas podem comprometer a saúde óssea. Entre elas estão artrite reumatoide, diabetes, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo e doenças digestivas que dificultam a absorção de nutrientes, como doença celíaca, doença de Crohn e colite ulcerativa.

O uso prolongado de determinados medicamentos também merece atenção. Segundo a IOF, os glicocorticoides, conhecidos como corticoides, podem provocar perda de massa óssea quando utilizados por períodos prolongados, inclusive por mais de três meses consecutivos.

Alguns tratamentos contra o câncer de mama e de próstata também podem afetar os ossos ao interferir na produção ou na ação de hormônios.

Quem utiliza esses medicamentos deve conversar com o profissional responsável pelo tratamento sobre os riscos e as medidas de acompanhamento. Medicamentos prescritos não devem ser interrompidos por conta própria.

Como prevenir a osteoporose?

A prevenção depende de hábitos que favoreçam a manutenção da massa óssea e da força muscular ao longo da vida.

Alimentação rica em cálcio

Leite, iogurte e queijo são fontes de cálcio. Vegetais de folhas escuras, como couve e brócolis, também podem contribuir para a ingestão do mineral. Pessoas com intolerância ou alergia a laticínios podem buscar alternativas alimentares adequadas com orientação profissional.

Vitamina D

A vitamina D auxilia na absorção do cálcio pelo organismo. A avaliação dos níveis desse nutriente pode ser importante em pessoas com fatores de risco, e a suplementação deve ser considerada conforme a necessidade individual e a orientação de um profissional de saúde.

Exercícios físicos

Atividades que envolvem sustentação do peso corporal e fortalecimento muscular, como caminhadas e exercícios de resistência, podem contribuir para a saúde dos ossos e melhorar o equilíbrio. A escolha da atividade deve considerar a idade, a condição física e a presença de limitações ou osteoporose já diagnosticada.

Evitar cigarro e excesso de álcool

Não fumar e limitar o consumo de bebidas alcoólicas são medidas que favorecem a saúde geral e ajudam a reduzir fatores associados à fragilidade óssea.

Por que evitar quedas é fundamental?

Em pessoas com osteoporose, uma queda pode provocar fraturas com consequências importantes para a mobilidade e a independência. Por isso, tornar a casa mais segura faz parte da prevenção.

Entre as medidas recomendadas estão retirar tapetes soltos, instalar corrimãos nas escadas, utilizar superfícies antiderrapantes em áreas molhadas e manter os ambientes bem iluminados. Também é importante deixar interruptores próximos à cama e evitar móveis instáveis que possam se deslocar quando usados como apoio.

Exercícios para melhorar a força muscular e o equilíbrio podem complementar essas medidas. Pessoas que sofrem quedas repetidas devem procurar avaliação profissional para investigar as causas e reduzir o risco de novas ocorrências.

Quando procurar avaliação médica?

Pessoas com histórico familiar de fraturas, menopausa precoce, baixo peso, doenças associadas à perda óssea ou uso prolongado de corticoides devem conversar com um profissional de saúde sobre a avaliação do risco de osteoporose.

A densitometria óssea é um exame utilizado para avaliar a densidade mineral dos ossos e auxiliar no diagnóstico. A indicação e o momento de realizá-lo dependem das características clínicas e dos fatores de risco de cada pessoa.

O diagnóstico precoce permite discutir medidas de prevenção e, quando necessário, tratamento adequado. A avaliação individualizada é essencial, pois nem todas as pessoas apresentam o mesmo risco ou precisam das mesmas intervenções.

Preservar a saúde óssea exige cuidados ao longo da vida. Alimentação equilibrada, atividade física regular, acompanhamento de condições clínicas e prevenção de quedas são medidas importantes para reduzir a vulnerabilidade a fraturas e manter a qualidade de vida.

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