Injeção contra o HIV terá preço máximo de R$ 20,9 mil por dose semestral no Brasil

Medicamento lenacapavir foi aprovado para prevenção do vírus, mas a chegada às farmácias ainda depende da organização da distribuição; oferta pelo SUS também precisa avançar nas etapas de avaliação e incorporação
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

O medicamento lenacapavir, uma nova opção de prevenção contra o HIV, teve seu preço máximo ao consumidor definido em R$ 20,9 mil por aplicação no Brasil. A injeção é administrada a cada seis meses e representa um avanço nas estratégias de prevenção da infecção pelo vírus, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário de medicamentos.

A definição do valor pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) representa mais uma etapa para a comercialização do produto no país. Entretanto, o estabelecimento do preço não significa que o medicamento já esteja disponível nas farmácias. A fabricante, Gilead Sciences, ainda precisa viabilizar a distribuição e a venda no mercado brasileiro.

Comercializado sob o nome Sunlenca, o lenacapavir recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em janeiro de 2026, para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP). A indicação contempla adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam sob risco de adquirir o HIV-1 por via sexual. Antes de iniciar a prevenção, é necessário apresentar resultado negativo para o vírus.

Avanço na prevenção

A principal característica do medicamento é a possibilidade de proteção com aplicações semestrais, reduzindo a necessidade de tomar comprimidos diariamente. A inovação pode facilitar a continuidade da prevenção, sobretudo entre pessoas que encontram dificuldades para seguir esquemas medicamentosos frequentes.

Estudos clínicos demonstraram resultados expressivos. Em uma das pesquisas, não foram registradas infecções entre as mulheres cisgênero que receberam o medicamento. Em outro estudo, realizado com homens cisgênero e pessoas de gênero diverso, o lenacapavir apresentou eficácia de 96% em comparação com a incidência esperada de HIV sem a intervenção e foi 89% mais eficaz do que a PrEP oral diária avaliada.

Apesar dos resultados, especialistas ressaltam a importância de ampliar o acesso à tecnologia, uma vez que o custo elevado pode representar uma barreira para parte da população.

Acesso pelo SUS ainda depende de avaliação

A disponibilização do lenacapavir pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não está automaticamente garantida pela aprovação da Anvisa nem pela definição do preço. Para integrar a rede pública, o medicamento precisa passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e receber uma decisão favorável do Ministério da Saúde.

A pasta já informou que estuda a possibilidade de oferecer o medicamento como alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão à prevenção diária. Negociações com a fabricante também envolvem a redução de custos e a possibilidade de transferência de tecnologia para o Brasil.

Enquanto essas etapas não são concluídas, a injeção semestral representa um avanço científico importante, mas ainda enfrenta o desafio de transformar a inovação em acesso efetivo. A ampliação da prevenção depende não apenas da eficácia do medicamento, mas também de condições de distribuição, financiamento e incorporação às políticas públicas de saúde.

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