Brasileira brilha em Roterdã com média de 14,466 pontos, torna-se a primeira atleta do país tricampeã mundial em uma mesma prova e reforça seu lugar entre as lendas da ginástica artística
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
Rebeca Andrade voltou ao topo do pódio mundial neste sábado (24). A brasileira conquistou o ouro na final do salto sobre a mesa do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã, na Holanda, com média de 14,466 pontos. O resultado garantiu à campeã olímpica o terceiro título mundial no aparelho e sua décima medalha na história da competição.
Aos 27 anos, Rebeca fez uma final consistente, com dois saltos de alto nível técnico, e confirmou o favoritismo diante das principais adversárias. Com a conquista, tornou-se a primeira brasileira a vencer três vezes uma mesma prova em Mundiais de ginástica artística, consolidando ainda mais seu nome entre as grandes referências da modalidade.
Precisão garante o ouro em Roterdã
Rebeca abriu a decisão com um Yurchenko com dupla pirueta, conhecido como DTY, e recebeu 14,400 pontos. No segundo salto, executou um Lopez e marcou 14,133. Com a bonificação de 0,2 ponto, fechou a disputa com média de 14,466, suficiente para assegurar a medalha de ouro.
A brasileira optou por priorizar a execução e a regularidade, sem recorrer ao Cheng, um dos saltos mais difíceis de seu repertório. A estratégia funcionou: mesmo diante de adversárias que apresentaram séries de maior dificuldade, Rebeca se destacou pela qualidade técnica e pelo controle nas aterrissagens.
Após a conquista, a ginasta comemorou o resultado e valorizou o trabalho realizado durante sua preparação.
“Esse ouro mostra que tudo que a gente tem feito da melhor maneira possível está dando certo, né!? Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para trazer o ouro. Tô bem feliz e orgulhosa”, afirmou.
Norte-americanas completam o pódio
A norte-americana Claire Pease ficou com a prata, com média de 14,233 pontos. Apesar de apresentar o Cheng, salto de maior dificuldade, ela perdeu pontos ao aterrissar fora da área delimitada no segundo voo.
O bronze ficou com Skye Blakely, campeã do individual geral desta edição do Mundial, que obteve média de 14,166 pontos.
Uma das principais adversárias de Rebeca, a sul-coreana Yeo Seojeong, medalhista olímpica em Tóquio, começou a final com um salto de 14,600 pontos, mas sofreu uma queda na segunda apresentação. Com média de 13,716, terminou na sétima posição.
Tricampeonato coloca brasileira em grupo histórico
Com o ouro em Roterdã, Rebeca tornou-se a segunda ginasta da história a conquistar três títulos mundiais no salto sobre a mesa. Antes dela, apenas a chinesa Cheng Fei havia alcançado o tricampeonato no aparelho. Simone Biles, que acompanhou a final das arquibancadas, possui dois títulos mundiais nessa prova.
A brasileira já havia conquistado o ouro no salto em 2021 e 2023. Agora, soma três títulos no aparelho e quatro medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais, incluindo a vitória no individual geral em 2022.
No total, Rebeca chegou a dez medalhas em Mundiais. A marca se soma às seis medalhas olímpicas conquistadas ao longo da carreira, duas delas de ouro, e reforça sua posição entre as maiores ginastas de sua geração.
Retorno gradual com foco em Los Angeles 2028
O título também marca mais uma etapa do retorno de Rebeca às competições após uma pausa para recuperação física e mental. Depois de conquistar quatro medalhas nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a brasileira passou a conduzir sua preparação de maneira gradual, com o objetivo de chegar competitiva ao ciclo de Los Angeles 2028.
A decisão de não utilizar o Cheng nesta final está alinhada a esse planejamento. Em vez de aumentar o grau de dificuldade a qualquer custo, Rebeca apostou na execução dos saltos que vinha treinando e mostrou que a consistência continua sendo um diferencial decisivo em competições de alto nível.
Simone Biles acompanha a final
Convidada de honra do Mundial, Simone Biles assistiu à conquista da brasileira. A norte-americana, considerada a ginasta mais condecorada da história, soma 30 medalhas em Campeonatos Mundiais e 11 em Jogos Olímpicos.
Fora das competições desde Paris 2024, Biles ainda não confirmou se voltará a competir, mas também não descartou a possibilidade de disputar os Jogos de Los Angeles. Em Roterdã, acompanhou uma final em que Rebeca alcançou um feito que ela ainda não conseguiu no salto: três títulos mundiais no mesmo aparelho.
Flávia Saraiva disputa a final da trave
O Brasil ainda terá outra oportunidade de medalha neste Mundial. Flávia Saraiva compete na final da trave de equilíbrio neste domingo (25), a partir das 9h, pelo horário de Brasília.
Na disputa por equipes, a seleção feminina brasileira terminou na quinta colocação, ficando próxima do pódio. Apesar de quedas de Flávia e Lorrane Oliveira na trave, o conjunto brasileiro demonstrou competitividade diante das principais seleções do mundo.
Com o ouro de Rebeca, o Brasil volta ao pódio mundial e amplia sua presença entre os destaques da ginástica artística internacional. A conquista em Roterdã fortalece também a expectativa para o próximo ciclo olímpico, no qual a brasileira buscará manter o alto rendimento e ampliar uma trajetória já marcada por resultados históricos.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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