Flamengo recorre à Conmebol contra escalação de Marcos Rojo e tenta vaga na final da Libertadores

Foto: Reprodução.
Rubro-Negro pede a punição do Estudiantes por suposta escalação irregular do zagueiro argentino e se apoia em precedente envolvendo o Santos, em 2018, para tentar reverter a eliminação
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

Eliminado pelo Estudiantes nos pênaltis na semifinal da Copa Libertadores, o Flamengo tenta reverter o resultado fora de campo. O clube carioca acionou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para contestar a escalação do zagueiro Marcos Rojo na partida de ida, disputada no Maracanã, e solicita a aplicação de uma derrota por 3 a 0 ao adversário por suposta irregularidade na utilização do jogador.

O questionamento envolve a autorização concedida pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) para que Rojo pudesse atuar pelo clube argentino. A inscrição do defensor havia sido rejeitada anteriormente pela Conmebol, mas o Estudiantes recorreu à instância arbitral e conseguiu liberá-lo para entrar em campo.

A diretoria rubro-negra sustenta que a autorização não elimina a possibilidade de responsabilização do Estudiantes perante a entidade sul-americana. Por isso, pede que o caso seja analisado à luz do regulamento disciplinar da competição.

Entenda a situação de Marcos Rojo

Marcos Rojo chegou ao Estudiantes após uma transferência conturbada do Racing, clube com o qual tinha contrato até dezembro. A negociação ocorreu em meio a um desentendimento com o presidente do Racing, Diego Milito, que não pretendia facilitar a liberação do defensor para um rival argentino.

O Estudiantes desembolsou US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões, pela contratação. O acordo também previa bônus de US$ 250 mil em caso de classificação para a final da Libertadores e outros US$ 450 mil se a equipe conquistasse o título.

A contratação ganhou urgência porque o clube argentino perdeu os defensores Pirez e Tomás Palacios para a partida de ida da semifinal contra o Flamengo, ambos suspensos.

Rojo foi inscrito no Campeonato Argentino no lugar do lesionado Gabriel Neves. Entretanto, o período previsto para a recuperação do jogador não atendia aos critérios da Conmebol para abertura de uma vaga na lista da Libertadores. Por esse motivo, a inscrição do zagueiro na competição continental foi inicialmente rejeitada.

O Estudiantes recorreu à CAS e obteve autorização para utilizar o reforço no Maracanã. Rojo começou como titular, atuando na lateral esquerda, e permaneceu em campo até os 30 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Tomás Palacios.

Flamengo questiona responsabilidade do Estudiantes

Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a decisão da CAS permitiu a participação de Rojo, mas atribuiu ao Estudiantes a responsabilidade pela utilização do atleta diante de um eventual julgamento posterior.

É nesse ponto que se concentra o argumento do Flamengo. O clube entende que a autorização arbitral não impede a análise de uma possível infração ao regulamento da Conmebol, responsável pela organização da Libertadores.

O artigo 19 do Código Disciplinar da entidade prevê a possibilidade de derrota por 3 a 0 quando uma equipe é responsabilizada pela escalação indevida de um jogador. O Rubro-Negro utiliza esse dispositivo como fundamento para solicitar a alteração do resultado da partida.

A apresentação do recurso, entretanto, não significa que a Conmebol tenha reconhecido a irregularidade ou que o resultado será modificado. A decisão dependerá da análise dos argumentos jurídicos, das condições da autorização concedida ao Estudiantes e das normas aplicáveis ao caso.

Caso do Santos em 2018 serve de precedente

O Flamengo também tem como referência um episódio ocorrido na Libertadores de 2018, quando o Santos foi punido pela escalação do meia uruguaio Carlos Sánchez, então jogador do clube paulista.

Na partida de ida das oitavas de final, disputada na Argentina, Santos e Independiente empataram por 0 a 0. No dia seguinte, a equipe argentina apresentou uma reclamação à Conmebol alegando que Sánchez estava irregularmente escalado.

O jogador carregava uma suspensão decorrente de uma expulsão em 2015, quando defendia o River Plate. A punição original era de três partidas, mas havia sido reduzida para um jogo após uma anistia concedida pela Conmebol em 2016. A sanção restante deveria ser cumprida na primeira partida das oitavas de final da Libertadores de 2018.

A entidade aceitou a reclamação e transformou o empate em derrota do Santos por 3 a 0. Na partida de volta, no Pacaembu, as equipes empataram novamente sem gols, resultado que confirmou a eliminação do time brasileiro.

O precedente é citado pelo Flamengo para sustentar que a escalação irregular pode resultar na perda administrativa de uma partida. Há, porém, diferenças entre os casos: na situação de Sánchez, a controvérsia envolvia uma suspensão disciplinar pendente; no caso de Rojo, a discussão se concentra na inscrição do jogador e nos efeitos da autorização concedida pela CAS.

Outros casos geraram interpretações diferentes

A história da Libertadores também registra situações em que atletas atuaram apesar de questionamentos sobre suspensões anteriores, sem que a Conmebol aplicasse punições semelhantes.

Em 2018, o River Plate utilizou o volante Bruno Zuculini em partidas da competição, embora ele tivesse uma suspensão pendente de quando defendia o Racing. O clube argentino afirmou ter consultado a Conmebol no início daquela temporada e recebido a informação de que o jogador estava liberado.

Outro caso envolveu o atacante Ramón Ábila, que havia sido expulso quando atuava pelo Huracán. O Libertad, do Paraguai, contestou sua utilização, mas apresentou a reclamação depois do prazo previsto para questionar a escalação.

Esses episódios demonstram que a análise de cada situação depende das circunstâncias específicas, dos registros disciplinares, das autorizações existentes e dos prazos estabelecidos pelo regulamento.

Flamengo tenta mudar o desfecho da semifinal

Dentro de campo, Flamengo e Estudiantes empataram por 0 a 0 nos dois confrontos da semifinal. A vaga na decisão foi definida nos pênaltis, com vitória do clube argentino por 3 a 2.

Agora, o Flamengo busca uma decisão favorável nos tribunais para alterar o desfecho do confronto. O recurso tem como ponto central a validade da participação de Marcos Rojo na partida do Maracanã e a eventual responsabilidade do Estudiantes pela escalação do defensor.

Até que haja uma decisão oficial da Conmebol, o Estudiantes permanece classificado à final da Libertadores. O resultado do recurso dependerá da interpretação das regras da competição e dos efeitos jurídicos da autorização concedida ao jogador.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

Leia também:

Vasco e Corinthians fazem confronto decisivo contra o rebaixamento no Brasileirão

Rebeca Andrade conquista tricampeonato mundial no salto e chega à 10ª medalha em Mundiais

Daniel Vorcaro e outros 13 mil presos provisórios podem votar no 2º turno

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*