Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem concluir a educação básica

Levantamento aponta que 37,3% da população com 15 anos ou mais não terminou os estudos; Educação de Jovens e Adultos atende apenas 1,5% desse público
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

O Brasil tem cerca de 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que deixaram a escola sem concluir a educação básica. O número corresponde a 37,3% da população nessa faixa etária, segundo levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, divulgado em outubro de 2026.

Entre essas pessoas, 44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental, enquanto 19,3 milhões não terminaram o ensino médio. Apesar da grande demanda, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade destinada a quem deseja retomar os estudos, atende apenas 1,5% desse público potencial.

O estudo também evidencia desigualdades raciais. Pessoas pretas e pardas representam 63,9% dos brasileiros que não concluíram a educação básica, proporção superior à participação desses grupos na população brasileira, estimada em 55,5%, conforme o Censo de 2022.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a relação entre escolaridade e condições de vida. A renda domiciliar mensal por pessoa entre aqueles que não concluíram a educação básica é de R$ 1.427, enquanto chega a R$ 2.777 entre os que finalizaram essa etapa. A pesquisa também aponta que a taxa de pobreza é 1,8 vez maior entre as pessoas com escolaridade incompleta.

Embora o número de brasileiros sem educação básica completa tenha diminuído 16% entre 2012 e 2025, a redução não ocorreu exclusivamente pela conclusão dos estudos. Segundo o relatório, 51% dessa queda está relacionada à morte de pessoas mais velhas que não tiveram acesso à escola.

O levantamento reforça a necessidade de ampliar as oportunidades para jovens e adultos que desejam voltar a estudar. Entre as medidas apontadas estão a oferta de horários flexíveis, currículos adaptados à realidade dos estudantes e políticas que facilitem a conciliação entre trabalho, família e educação.

Os dados mostram que garantir o acesso à escola continua sendo um desafio no país, especialmente para quem precisa retomar a formação enquanto enfrenta dificuldades econômicas e responsabilidades familiares.

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