Regras mais rígidas para imigrantes ameaçam setor de cuidados de £ 15 bilhões no Reino Unido

Mudanças nas regras de vistos e na concessão de residência permanente preocupam empresas que dependem de profissionais estrangeiros e podem provocar demissões, redução de atividades e fechamento de negócios

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

O endurecimento das políticas migratórias no Reino Unido acendeu um alerta no setor de cuidados a adultos, avaliado em cerca de £ 15 bilhões (US$ 20 bilhões). Empresas do segmento temem que as novas exigências para trabalhadores estrangeiros comprometam suas operações e agravem a falta de profissionais.

De acordo com informações, os imigrantes representam aproximadamente um terço da força de trabalho dedicada aos cuidados de adultos no país. Entre fevereiro de 2022 e julho de 2025, cerca de 280 mil trabalhadores chegaram ao Reino Unido por meio do programa Health and Care Visa, posteriormente suspenso pelo governo diante de preocupações com possíveis irregularidades.

Entre as mudanças propostas está a exigência de que os atuais titulares desse tipo de visto migrem para a categoria Skilled Worker a partir de julho de 2028. A alteração pode impor requisitos salariais mais elevados, gerando preocupação entre empresas que dependem de contratos e repasses financeiros de autoridades locais para manter os serviços.

Outra proposta em discussão prevê ampliar de cinco para dez anos o período padrão necessário para solicitar residência permanente. Caso a medida seja implementada nos termos apresentados, parte dos profissionais contratados em 2022 e 2023 poderá enfrentar dificuldades para regularizar sua permanência antes do vencimento dos vistos atuais.

Empresas temem redução dos serviços

O cenário já provoca preocupação entre empresários do setor. Shweta Maulayah, diretora-executiva da empresa de cuidados Maucare, alertou que as novas exigências podem obrigá-la a reduzir as atividades ou até vender o negócio, diante das dificuldades financeiras para manter os funcionários.

A situação preocupa também pela dimensão social do serviço. O setor oferece assistência diária a mais de 650 mil pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo indivíduos que precisam de ajuda com atividades básicas e cuidados pessoais.

Governo ainda avalia possíveis exceções

As propostas enfrentam resistência de parlamentares trabalhistas, que defendem medidas de proteção para imigrantes que já vivem e trabalham no país. Mais de cem deputados já haviam pedido ao governo que reconsiderasse as reformas.

O primeiro-ministro Andy Burnham estaria avaliando a possibilidade de conceder exceções aos profissionais de cuidados, mas ainda não havia uma decisão definitiva sobre o assunto.

Enquanto o governo prepara novos detalhes das medidas, empresas do segmento afirmam que a contratação de trabalhadores britânicos continua sendo um desafio diante dos salários praticados atualmente.

A indefinição sobre as regras migratórias aumenta a insegurança entre empregadores e funcionários e levanta dúvidas sobre a capacidade do Reino Unido de manter a estrutura de atendimento a pessoas que dependem desses serviços.

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