União Europeia propõe ampliar poderes de agência de fronteiras para acelerar deportações

Reforma prevê aumento do efetivo da Frontex para até 30 mil agentes, criação de uma força de resposta rápida e maior participação nas operações de retorno de migrantes

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira (27) uma proposta de reforma para ampliar a atuação da Frontex, agência responsável pelo controle das fronteiras externas da União Europeia (UE). A iniciativa busca reforçar a fiscalização migratória e acelerar a deportação de pessoas em situação irregular no bloco.

Entre as principais mudanças está a ampliação gradual do efetivo da agência para 30 mil agentes. O plano também prevê a criação de uma força de resposta rápida, que poderá ser mobilizada em situações de emergência em até 24 horas, com o objetivo de auxiliar os países europeus diante de crises nas fronteiras.

A proposta pretende dar à Frontex um papel mais amplo na organização dos procedimentos de retorno de migrantes, desde a orientação para a saída voluntária até a coordenação de operações de deportação. A agência também poderá prestar apoio a países que não fazem parte da União Europeia na transferência de migrantes para seus países de origem, conforme acordos e regras aplicáveis.

Outro ponto previsto é a criação de um centro de monitoramento para acompanhar conteúdos disponíveis publicamente nas redes sociais e identificar possíveis ameaças relacionadas à segurança das fronteiras. A reforma também prevê mudanças na fiscalização interna da agência, com encaminhamento de denúncias sobre direitos fundamentais às autoridades nacionais responsáveis pela análise.

A iniciativa surge em meio à pressão de governos europeus por políticas migratórias mais rígidas. A crise registrada em Ceuta, território espanhol no norte da África, após a entrada irregular de milhares de pessoas no fim de julho, contribuiu para intensificar o debate sobre o controle das fronteiras.

Apesar da justificativa de aumentar a eficiência e a capacidade de resposta do bloco, a proposta enfrenta críticas de representantes políticos e organizações de defesa dos direitos humanos. Os opositores alertam para os riscos de enfraquecimento dos mecanismos de fiscalização e de proteção dos migrantes.

A proposta ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia. Até que haja aprovação, as mudanças anunciadas não representam novas regras já implementadas.

O debate evidencia o desafio enfrentado pelo bloco europeu de conciliar o controle migratório e a segurança das fronteiras com o respeito aos direitos humanos e às garantias internacionais de proteção.

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