Rogério Marinho é cotado para a disputa, enquanto PL prioriza anistia do 8 de Janeiro e amplia bancada no Senado
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirmou sua posição favorável ao lançamento de uma candidatura própria do Partido Liberal à presidência do Senado Federal em fevereiro de 2027. A estratégia descarta o apoio à tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atual presidente da Casa, e busca ampliar a influência da oposição no Congresso Nacional.
A posição foi manifestada por Bolsonaro em conversas com familiares após o segundo turno das eleições. O ex-presidente defende que o maior partido da próxima legislatura dispute diretamente o comando do Senado, em vez de apoiar a permanência de Alcolumbre.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já havia anunciado publicamente que a legenda não apoiará a recondução do senador amapaense. Valdemar também apontou Rogério Marinho (PL-RN) como o principal nome do partido para a disputa.
Rogério Marinho é o nome defendido pelo PL
Rogério Marinho reúne apoio de importantes lideranças da direita e já possui experiência na disputa pela presidência do Senado. Em 2023, enfrentou Rodrigo Pacheco e recebeu 32 votos, mas acabou derrotado.
Agora, com uma bancada maior, o parlamentar volta a aparecer como principal aposta do PL para assumir o comando da Casa.
Valdemar considera Marinho preparado para exercer a função e trabalha para construir uma aliança com outras legendas. A intenção é reunir votos suficientes para superar Alcolumbre na eleição interna.
A oficialização do nome está prevista para uma reunião partidária marcada para 4 de novembro, quando também deverão ser discutidas as estratégias do PL para a composição da Mesa Diretora e o comando de comissões importantes.
Anistia do 8 de Janeiro entra entre as prioridades
Outro ponto defendido por Bolsonaro é a aprovação de uma anistia geral e irrestrita aos envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
O ex-presidente quer que a bancada do PL coloque o tema entre as prioridades do início da próxima legislatura. A pauta é uma das principais bandeiras defendidas por setores da oposição, que questionam as condenações e as penas aplicadas aos envolvidos nos episódios.
Além da anistia, o partido pretende conquistar posições estratégicas em comissões como a de Constituição e Justiça (CCJ), Relações Exteriores e Segurança Pública.
Esses espaços são considerados importantes para a fiscalização do Executivo, a discussão de propostas legislativas e a atuação parlamentar da oposição.
PL terá 28 senadores e precisará ampliar alianças
A partir de 2027, o PL deverá contar com 28 das 81 cadeiras do Senado Federal, formando a maior bancada da Casa.
Apesar da força numérica, o partido não consegue eleger sozinho o presidente do Senado. São necessários pelo menos 41 votos, o que torna indispensável a construção de alianças com outras legendas.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece como um nome com interesse na disputa, e as articulações entre os partidos poderão definir uma candidatura unificada da oposição.
Disputa pode mudar a correlação de forças em Brasília
A eleição para a presidência do Senado será um dos principais acontecimentos políticos de fevereiro de 2027. O resultado terá impacto direto na relação entre o Congresso, o governo federal e o Supremo Tribunal Federal.
O presidente da Casa possui influência sobre a pauta de votações, a condução dos trabalhos legislativos e a distribuição de espaços estratégicos nas comissões.
Com Bolsonaro defendendo uma candidatura própria, Valdemar articulando o nome de Rogério Marinho e uma bancada de 28 parlamentares, o PL pretende transformar sua força eleitoral em maior protagonismo político no Legislativo.
A disputa promete mobilizar as lideranças partidárias e será um teste importante para a capacidade de articulação da oposição no início da nova legislatura.
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