Reajuste começou a valer no dia 1º e ocorre após alta de 11,76% em outubro; aumento pressiona custos das companhias aéreas e pode refletir no preço das passagens
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
A Petrobras anunciou um novo aumento no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. O reajuste médio é de 7,2% e começou a valer neste domingo, 1º de novembro de 2026. Na prática, a elevação representa R$ 0,45 a mais por litro em comparação com o preço praticado em outubro.
A decisão ocorre em meio à valorização do combustível no mercado internacional, influenciada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em consequência do conflito entre os dois países.
O novo aumento amplia a pressão sobre o setor aéreo brasileiro, que já enfrenta custos elevados com combustíveis, manutenção, operações aeroportuárias e outros serviços necessários para manter os voos.
Segundo aumento consecutivo
O reajuste de novembro acontece depois de a Petrobras elevar o preço médio do querosene de aviação em 11,76% no mês de outubro.
Na ocasião, o litro do combustível passou, em média, de R$ 5,585 em setembro para R$ 6,242 nas refinarias da estatal.
Com a nova alta de 7,2%, o preço médio de referência chega a aproximadamente R$ 6,69 por litro, segundo levantamento divulgado pelo setor.
O querosene de aviação é utilizado principalmente em aviões comerciais e também em helicópteros com motores a turbina.
A Petrobras realiza atualizações mensais nos preços do produto comercializado com as distribuidoras, seguindo critérios estabelecidos em contratos.
Por que o combustível ficou mais caro?
Em comunicado, a Petrobras explicou que o reajuste reflete a elevação das cotações internacionais do querosene de aviação.
A companhia apontou dois fatores principais para a pressão sobre os preços: o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em decorrência da guerra entre os dois países.
Esses acontecimentos afetam a oferta internacional de derivados de petróleo e provocam oscilações nos preços dos combustíveis utilizados pela aviação.
A estatal também destacou que os preços brasileiros seguem uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que funciona como mecanismo de amortecimento das variações de curto prazo.
Segundo a empresa, esse modelo permite que os reajustes no Brasil sejam mais moderados do que os observados em mercados internacionais, onde os preços podem sofrer alterações diariamente.
Combustível representa mais de 45% dos custos das companhias aéreas
O aumento do querosene de aviação representa um desafio adicional para as empresas que operam no Brasil.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a participação do combustível nos custos operacionais das companhias passou de aproximadamente 30% para mais de 45% desde o início dos conflitos no Oriente Médio.
Isso significa que quase metade das despesas operacionais do setor pode estar relacionada ao abastecimento das aeronaves.
Quando o combustível fica mais caro, as companhias precisam avaliar medidas para compensar o aumento, como ajustes nas tarifas, revisão de rotas, mudanças na frequência de voos e estratégias de redução de custos.
Passagens aéreas podem ficar mais caras?
O aumento do querosene de aviação pode pressionar o preço das passagens, mas não significa que todas as tarifas serão reajustadas automaticamente na mesma proporção.
As empresas consideram diversos fatores para definir os valores cobrados dos passageiros, incluindo demanda, concorrência, ocupação das aeronaves, distância dos trajetos, câmbio e custos operacionais.
Entretanto, quando o combustível representa uma parcela maior das despesas, cresce a pressão para que parte desse custo seja incorporada aos preços dos bilhetes.
Em outubro, as passagens aéreas tiveram alta de 9,66%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. O encarecimento dos combustíveis está entre os fatores que pressionam o setor.
Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional
A Petrobras possui participação de aproximadamente 85% na produção brasileira de querosene de aviação.
Apesar da presença expressiva da estatal, o mercado nacional é aberto à concorrência. Outras empresas podem produzir ou importar o combustível, desde que cumpram as exigências regulatórias.
O produto é vendido pela Petrobras às distribuidoras, que posteriormente comercializam o combustível com aeroportos e empresas responsáveis pelo abastecimento das aeronaves.
Por isso, o reajuste anunciado pela estatal não representa necessariamente o preço final pago por todas as companhias aéreas, que também depende de condições comerciais, logística e custos de distribuição.
Alta do QAV mantém pressão sobre o setor aéreo
Com dois aumentos consecutivos, o querosene de aviação continua sendo um dos principais pontos de atenção para as companhias aéreas brasileiras.
A combinação de conflitos internacionais, restrições na capacidade de refino e oscilações nas cotações dos derivados de petróleo mantém o mercado sob pressão.
A Petrobras afirma que seu modelo de reajuste mensal ajuda a reduzir os impactos imediatos das variações internacionais.
Para os passageiros, o principal reflexo a ser acompanhado nos próximos meses será o comportamento das tarifas aéreas, que poderão sofrer influência dos custos adicionais enfrentados pelas empresas.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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