PF revela esquema com dinheiro público no caso Master e aponta três frentes de fraude

Investigações mostram uso do FGC e de aposentadorias de servidores em operações bilionárias

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master avança em múltiplas frentes e revela um possível esquema de grandes proporções envolvendo recursos públicos, fundos de previdência e suspeitas de corrupção. Dividida em três eixos principais, a apuração indica que o banqueiro Daniel Vorcaro seria o rosto da operação, enquanto outras pessoas atuariam nos bastidores como controladores de fato.

Segundo os investigadores, o banco teria captado recursos milionários por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com forte atuação junto a institutos de previdência estaduais e municipais, especialmente em São Paulo.

Captação com aposentadorias e peregrinação por municípios

Documentos da investigação apontam que representantes do banco realizaram uma verdadeira “peregrinação” por municípios, buscando investimentos de institutos de previdência.

Em diversos casos, os aportes teriam sido feitos com recursos de aposentadorias de servidores públicos, o que levanta forte preocupação sobre a segurança desses investimentos e a responsabilidade na gestão desses fundos.

Um dos exemplos citados pela PF envolve o instituto de previdência de Santo Antônio de Posse (SP), que realizou um aporte de:

R$ 13 milhões no Banco Master, em operação classificada como gestão temerária de recursos públicos.

Suspeita de propina bilionária no eixo BRB

O segundo eixo da investigação, conduzido no Distrito Federal, aprofunda as relações entre o Banco Master e o BRB (Banco Regional de Brasília).

Segundo a PF, as irregularidades nesse núcleo podem chegar a:

R$ 12 bilhões em operações suspeitas.

No centro desse eixo está o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi preso preventivamente. As investigações indicam que ele teria viabilizado aportes bilionários no Banco Master utilizando recursos ligados a servidores públicos.

Em troca, segundo a PF:

Paulo Henrique Costa receberia cerca de R$ 150 milhões em apartamentos de luxo como propina.

Mensagens trocadas entre ele e Daniel Vorcaro, já em posse dos investigadores, mostram detalhes das negociações e reforçam as suspeitas de corrupção.

Influenciadores, páginas de fofoca e guerra de narrativa

O terceiro eixo da investigação trata dos chamados “filhotes” — desdobramentos do caso principal.

Entre eles, a PF apura a existência de uma estratégia de comunicação para influenciar a opinião pública: contratação de influenciadores digitais e páginas de fofoca para defender o Banco Master e atacar o Banco Central.

A ofensiva teria ocorrido no momento em que o Banco Central se posicionava contra a aquisição do Master pelo BRB, indicando uma tentativa de pressionar decisões institucionais.

Outro ponto investigado envolve o vazamento de mensagens pessoais entre Vorcaro e Martha Graeff, que também gerou um inquérito específico.

Patrimônio sob suspeita e investigação em expansão

A investigação conduzida em São Paulo também analisa a evolução patrimonial de Daniel Vorcaro nos últimos seis anos, com suspeitas de crescimento incompatível com as atividades declaradas.

Apesar da divisão em diferentes frentes, os dados são compartilhados entre equipes em Brasília e São Paulo. Os materiais apreendidos — incluindo celulares e outros dispositivos — estão concentrados na capital paulista.

Dos oito celulares apreendidos de Vorcaro, apenas dois foram periciados até o momento, o que indica que novas revelações ainda podem surgir.

Conclusão

O caso Banco Master expõe um possível esquema que mistura uso de dinheiro público, influência política, atuação no sistema financeiro e tentativa de manipulação da opinião pública.

Com cifras bilionárias, envolvimento de autoridades e impacto direto sobre recursos de aposentadorias, a investigação da Polícia Federal ganha peso político e institucional — e pode ter desdobramentos ainda mais profundos nos próximos meses.

O avanço das apurações aumenta a pressão por responsabilização e reforça o debate sobre controle, transparência e limites na relação entre setor público e interesses privados no Brasil.

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