Surto de hantavírus em navio de cruzeiro leva Espanha a montar operação de emergência

Autoridades europeias e internacionais intensificam evacuação, rastreamento de contatos e medidas sanitárias enquanto embarcação segue para as Ilhas Canárias sob monitoramento rigoroso
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

As autoridades da Espanha estão mobilizando uma grande operação de emergência para receber os mais de 140 passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus que já deixou ao menos três mortos e vários infectados. A embarcação, de bandeira holandesa, deve chegar neste fim de semana à ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde passageiros serão retirados sob rígidos protocolos de isolamento e segurança sanitária.

O caso despertou alerta internacional após diferentes países iniciarem uma corrida para rastrear passageiros que desembarcaram antes da confirmação oficial do vírus. Apesar da preocupação crescente, especialistas e a Organização Mundial da Saúde reforçam que o risco de transmissão para a população geral continua sendo considerado baixo.

Segundo Virginia Barcones, chefe dos serviços de emergência da Espanha, os passageiros chegarão a uma área completamente isolada.

“O povo das Ilhas Canárias pode ficar tranquilo. Não haverá absolutamente nenhuma possibilidade de contato em nenhum momento”, declarou a autoridade espanhola.

O plano montado pelas autoridades prevê que os ocupantes do navio sejam retirados em veículos isolados e levados diretamente aos aeroportos para repatriação imediata aos seus países de origem. Áreas específicas dos terminais aeroportuários também serão temporariamente isoladas durante a operação.

O MV Hondius pertence à empresa holandesa Oceanwide Expeditions, que informou que nenhum novo passageiro ou tripulante apresentou sintomas até o momento.

O que é o hantavírus

O hantavírus é uma doença rara transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas provenientes de urina, saliva ou fezes de roedores infectados. Diferente da COVID-19, o vírus não apresenta alta transmissão entre humanos, segundo especialistas.

Os sintomas podem surgir entre uma e oito semanas após a exposição e incluem:

  • febre alta;

  • dores musculares;

  • fadiga intensa;

  • dificuldade respiratória;

  • insuficiência pulmonar em casos graves.

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, tentou conter o clima de medo após o episódio ganhar repercussão internacional.

“Isso não é uma nova COVID”, afirmou o representante da OMS, destacando que o risco de disseminação ampla permanece extremamente baixo.

Passageiros desembarcaram antes da confirmação do surto

O episódio ganhou dimensão internacional após autoridades confirmarem que dezenas de passageiros deixaram o navio antes da identificação oficial da doença.

De acordo com autoridades da Holanda, mais de duas dezenas de pessoas de pelo menos 12 países desembarcaram da embarcação em 24 de abril sem qualquer rastreamento sanitário, quase duas semanas após a primeira morte registrada a bordo.

Somente em 2 de maio o hantavírus foi oficialmente confirmado em um dos passageiros.

Agora, governos de diferentes continentes tentam localizar pessoas que tiveram contato com os viajantes potencialmente expostos ao vírus.

Reino Unido, Estados Unidos e África do Sul entram em alerta

Os Estados Unidos anunciaram o envio de uma aeronave às Ilhas Canárias para repatriar 17 cidadãos americanos que estavam a bordo.

O Reino Unido também informou que irá fretar um avião especial para evacuar cerca de 20 britânicos presentes no cruzeiro.

As autoridades britânicas investigam ainda um terceiro caso suspeito ligado ao navio em Tristão da Cunha, um remoto território ultramarino britânico onde o navio realizou parada em abril.

Já na África do Sul, equipes de saúde rastreiam passageiros que desembarcaram em voos vindos da ilha de Santa Helena para Joanesburgo.

Caso em voo internacional aumentou tensão

O episódio gerou preocupação adicional após uma passageira infectada embarcar brevemente em um voo da companhia aérea KLM entre Joanesburgo e Amsterdã.

A mulher, uma cidadã holandesa cujo marido morreu durante a viagem, apresentou agravamento do quadro de saúde e precisou deixar a aeronave ainda na África do Sul, onde morreu posteriormente.

Uma comissária de bordo que trabalhou nesse voo foi isolada em um hospital de Amsterdã após apresentar sintomas compatíveis com infecção viral. Nesta sexta-feira, porém, exames laboratoriais descartaram hantavírus na funcionária, aliviando parte das preocupações internacionais.

O serviço público de saúde holandês segue monitorando passageiros que tiveram contato próximo com a turista durante o trajeto aéreo.

Medidas extremas reacendem lembranças da pandemia

Embora especialistas insistam que o cenário atual seja muito diferente do início da pandemia de COVID-19 em 2020, as imagens de profissionais usando equipamentos de proteção, evacuações isoladas e aeroportos parcialmente fechados acabaram despertando apreensão entre moradores das Ilhas Canárias e internautas nas redes sociais.

Autoridades sanitárias europeias, no entanto, reforçam que o hantavírus possui dinâmica de transmissão muito mais limitada e controlável.

Mesmo assim, o episódio evidencia como surtos infecciosos em ambientes fechados, como navios de cruzeiro, continuam representando desafios globais de vigilância sanitária e resposta rápida internacional.

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