Dois moradores de New Jersey são monitorados após possível exposição ao vírus; passageiros denunciam demora nas medidas sanitárias, falta de transparência e caos dentro do Cruzeiro
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
O surto de hantavírus registrado a bordo do navio de expedição MV Hondius ganhou dimensão internacional ainda mais preocupante nesta sexta-feira após autoridades de saúde dos Estados Unidos confirmarem o monitoramento de dois moradores de New Jersey por possível exposição ao vírus ligado ao cruzeiro.
O caso, que já deixou ao menos três mortos, provocou alerta em diversos países e intensificou investigações sobre uma possível disseminação internacional da rara variante Andes do hantavírus, conhecida por apresentar, em situações raras, potencial de transmissão entre humanos.
Segundo autoridades sanitárias norte-americanas, os dois moradores de New Jersey não estavam no navio, mas teriam sido potencialmente expostos durante viagens aéreas internacionais após o desembarque de passageiros ligados ao cruzeiro.
O Departamento de Saúde de New Jersey informou que foi notificado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e que os dois residentes estão sendo monitorados preventivamente. Até o momento, nenhum deles apresenta sintomas compatíveis com hantavírus.
As autoridades reforçaram que o risco para a população geral continua sendo considerado muito baixo e destacaram que não existem casos confirmados atualmente no estado.
Cruzeiro virou foco de alerta internacional
O MV Hondius passou a ser monitorado internacionalmente após mortes registradas durante a expedição marítima pelo Atlântico Sul. Passageiros relataram medo, falta de informações claras e demora na adoção de medidas sanitárias rigorosas dentro da embarcação.
Segundo relatos divulgados por viajantes, a primeira morte ocorrida no navio teria sido inicialmente comunicada como “causa natural”, sem alerta imediato sobre possível risco infeccioso. Dias depois, exames laboratoriais identificaram a presença da variante Andes do hantavírus em passageiros ligados ao caso.
A descoberta aumentou o clima de tensão entre os ocupantes do navio e levantou questionamentos sobre a condução da crise sanitária a bordo.
Passageiros denunciam falhas e possível omissão
Com a repercussão internacional do caso, diversos passageiros passaram a denunciar publicamente supostas falhas na gestão do surto dentro do cruzeiro.
Entre as principais críticas estão:
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demora na implementação de protocolos sanitários;
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ausência inicial de isolamento rigoroso;
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informações consideradas insuficientes;
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continuidade de atividades sociais;
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insegurança sobre os riscos reais da doença.
Alguns passageiros relataram que eventos e confraternizações teriam continuado mesmo após pessoas apresentarem sintomas graves. Uma das denúncias mais comentadas nas redes sociais afirma que integrantes da tripulação teriam participado de um churrasco coletivo enquanto passageiros adoeciam.
Até o momento, porém, essa alegação específica ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades internacionais de saúde.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram passageiros usando máscaras improvisadas e demonstrando preocupação com a possibilidade de circulação do vírus em ambientes fechados do navio.
Autoridades tentam rastrear possíveis exposições
O caso desencadeou uma operação internacional de rastreamento de contatos envolvendo passageiros, tripulantes e pessoas que possam ter tido contato próximo com infectados durante viagens aéreas e deslocamentos internacionais.
Autoridades sanitárias de diferentes países trabalham para identificar possíveis exposições relacionadas ao cruzeiro.
Além do rastreamento de contatos, especialistas investigam:
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se o vírus sofreu mutações;
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como ocorreu a possível transmissão;
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se houve disseminação entre humanos;
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qual foi o nível real de exposição dentro do navio.
Especialistas lembram que os hantavírus normalmente são transmitidos pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores contaminados. Entretanto, a variante Andes, associada ao surto do MV Hondius, é considerada uma exceção rara por já ter apresentado transmissão entre pessoas em episódios anteriores registrados na América do Sul.

Navio enfrentou restrições para atracar
Durante os dias de crise sanitária, o MV Hondius enfrentou dificuldades para atracar em diferentes regiões devido ao risco epidemiológico.
Cabo Verde restringiu inicialmente o desembarque da embarcação. Posteriormente, após negociações envolvendo autoridades internacionais e órgãos sanitários europeus, a Espanha autorizou que o navio seguisse para as Ilhas Canárias sob rígido monitoramento médico.
Uma operação especial foi preparada para o desembarque controlado dos passageiros e tripulantes, incluindo:
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avaliação médica individual;
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rastreamento epidemiológico;
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protocolos de isolamento;
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monitoramento de sintomas;
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acompanhamento internacional de possíveis contatos.
OMS acompanha evolução do surto
A Organização Mundial da Saúde acompanha o caso em cooperação com autoridades europeias, africanas e norte-americanas.
Apesar da preocupação internacional, especialistas afirmam que o risco de uma pandemia global continua sendo considerado baixo devido à raridade da transmissão entre humanos.
Mesmo assim, epidemiologistas investigam se o ambiente fechado do navio e o contato prolongado entre passageiros podem ter favorecido a propagação da doença durante a viagem.
O episódio já é considerado uma das mais complexas emergências sanitárias marítimas desde a pandemia de Covid-19.
Empresa afirma que seguiu protocolos
A operadora holandesa do navio, Oceanwide Expeditions, informou que adotou medidas de acordo com orientações médicas disponíveis naquele momento e afirmou estar colaborando com autoridades internacionais.
Segundo a empresa:
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protocolos sanitários foram reforçados;
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autoridades de saúde foram notificadas;
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passageiros receberam suporte médico;
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investigações seguem em andamento.
Apesar disso, o caso continua gerando repercussão mundial e levantando debates sobre segurança sanitária em viagens marítimas internacionais.
O que é o hantavírus
O hantavírus é uma doença transmitida principalmente pelo contato com resíduos contaminados de roedores, incluindo urina, saliva e fezes.
Os sintomas iniciais podem incluir:
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febre;
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dores musculares;
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fadiga;
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tontura;
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náuseas;
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dificuldade respiratória.
Nos casos graves, a infecção pode evoluir rapidamente para insuficiência pulmonar severa.
Especialistas reforçam que casos humanos continuam sendo raros, mas alertam que a variante Andes permanece sob investigação devido ao potencial incomum de transmissão entre pessoas em situações específicas.
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