PCC manteve rede clandestina de combustíveis adulterados, diz Ministério Público

Investigação revela uso de empresas de fachada para lavar dinheiro do crime organizado

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou nesta quinta-feira (28) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) continuou operando um gigantesco esquema de adulteração de combustíveis mesmo após a operação Carbono Oculto, realizada em 2025. A nova ofensiva, batizada de Fluxo Oculto, expôs uma estrutura criminosa baseada em empresas-fantasmas, laranjas e fundos milionários usados para esconder dinheiro do crime organizado.

Segundo as investigações, a facção desviava nafta petroquímica e solventes para abastecer irregularmente postos de combustíveis na Grande São Paulo. O esquema utilizava falsificação de documentos e simulação de vendas para dar aparência de legalidade às operações ilegais.

De acordo com o Gaeco, os recursos obtidos com as fraudes eram enviados para fundos de investimentos e fintechs suspeitas de atuar como canais de lavagem de dinheiro. Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em R$ 205 milhões e apresentaram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano, levantando suspeitas sobre o uso do sistema financeiro para ocultar lucros do crime organizado.

As autoridades estimam que a estrutura criminosa tenha movimentado cerca de R$ 52 bilhões ao longo de quatro anos. Parte desse dinheiro teria sido lavada por meio de usinas, transportadoras, aplicações financeiras e empresas abertas em nome de parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade e até presos utilizados como laranjas.

As apurações também apontam que seis fintechs movimentaram aproximadamente R$ 26 bilhões para o esquema após outras empresas ligadas à facção serem bloqueadas pelas autoridades. O Ministério Público afirma que o PCC continuou utilizando mecanismos financeiros paralelos mesmo após restrições impostas pelo Banco Central.

Para investigadores, o caso evidencia como o crime organizado conseguiu infiltrar recursos no sistema financeiro brasileiro utilizando estruturas sofisticadas e explorando falhas de fiscalização. A operação desta quinta-feira cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Participam da ação o Gaeco, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda de São Paulo, Polícia Civil e Polícia Militar.

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