Pacientes monitorados em São Paulo e no Rio de Janeiro apresentaram diagnósticos de meningite e malária, porém seguem isolados até que exames laboratoriais concluam a investigação para ebola
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
As autoridades sanitárias brasileiras acompanham com atenção dois casos suspeitos de ebola registrados recentemente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Embora os pacientes já tenham recebido diagnósticos preliminares para outras doenças infecciosas, meningite meningocócica em São Paulo e malária no Rio, os protocolos internacionais de segurança exigem que a possibilidade de infecção pelo vírus Ebola seja completamente descartada antes da suspensão das medidas de isolamento.
A situação mobilizou equipes da vigilância epidemiológica federal, estadual e municipal, além de instituições de referência como o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o Instituto Adolfo Lutz e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Apesar da preocupação gerada pela notícia, especialistas reforçam que não há evidências de transmissão local da doença e que o risco de um surto no Brasil permanece extremamente baixo.
Quem são os pacientes investigados
O caso mais grave é acompanhado em São Paulo. O paciente é um homem de 37 anos, natural da República Democrática do Congo, país africano que enfrenta atualmente um surto da doença. Ele foi internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas após apresentar febre alta, diarreia intensa, desorientação mental e rápida piora do quadro clínico.
Antes da transferência para a unidade de referência, o paciente procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde exames iniciais para malária apresentaram resultados inconclusivos. Com o agravamento dos sintomas, ele precisou ser intubado e permanece em isolamento rigoroso.
No Rio de Janeiro, o caso envolve um viajante belga que retornou recentemente de Uganda, outro país africano que registra ocorrências de ebola. Diferentemente do paciente paulista, ele apresenta sintomas mais leves, incluindo tosse, calafrios e episódios de diarreia.
Diagnósticos preliminares não descartam ebola
Exames laboratoriais realizados em São Paulo identificaram a presença da bactéria Neisseria meningitidis, responsável pela meningite meningocócica. O resultado oferece uma explicação plausível para parte dos sintomas observados no paciente.
Já no Rio de Janeiro, um dos testes apontou infecção por malária, doença transmitida pela picada do mosquito Anopheles e comum em algumas regiões africanas.
Entretanto, os especialistas ressaltam que a confirmação dessas enfermidades não elimina automaticamente a possibilidade de coinfecção. Por essa razão, os dois pacientes permanecem sob observação e isolamento até que os exames específicos para ebola sejam concluídos.
Por que os casos despertaram preocupação
A investigação foi aberta porque ambos os pacientes estiveram recentemente em países que registram circulação ativa do vírus Ebola e apresentaram sintomas compatíveis com doenças infecciosas graves.
O protocolo internacional estabelece que qualquer pessoa com histórico recente de viagem para áreas afetadas e sintomas sugestivos deve ser considerada caso suspeito até a exclusão laboratorial da doença.
No caso do paciente paulista, as autoridades ainda tentam confirmar se ele esteve em regiões específicas da República Democrática do Congo onde a transmissão do vírus está concentrada. Essa informação ainda não foi obtida devido ao estado clínico do paciente.
Medidas de segurança adotadas
Em São Paulo, o paciente encontra-se internado em uma área de isolamento do Instituto Emílio Ribas, referência nacional para doenças infecciosas de alta complexidade.
As autoridades também iniciaram o rastreamento de pessoas que tiveram contato com ele durante a viagem aérea e nos primeiros atendimentos médicos. Esses indivíduos estão sendo monitorados preventivamente.
No Rio de Janeiro, o viajante belga foi encaminhado para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, onde permanece em observação até a conclusão dos exames.
Equipes especializadas utilizaram equipamentos de proteção individual durante todo o transporte e atendimento do paciente, seguindo protocolos internacionais de biossegurança.
Existe risco de surto no Brasil?
Especialistas ouvidos pelas autoridades sanitárias afirmam que não há motivo para pânico.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, o risco de introdução e disseminação do vírus Ebola no Brasil é considerado muito baixo.
Entre os fatores que contribuem para essa avaliação estão:
- Ausência histórica de transmissão local do vírus na América do Sul;
- Inexistência de voos diretos entre as regiões mais afetadas e o Brasil;
- Capacidade da rede brasileira de vigilância epidemiológica;
- Protocolos rigorosos de isolamento;
- Forma de transmissão do vírus, que exige contato direto com fluidos corporais contaminados.
O infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), destacou que mesmo uma eventual confirmação da doença não significaria automaticamente a ocorrência de um surto.
Segundo ele, o país possui estrutura laboratorial e hospitalar suficiente para identificar rapidamente os casos suspeitos e impedir cadeias de transmissão.
Como ocorre a transmissão do ebola
Diferentemente de vírus respiratórios como gripe ou Covid-19, o Ebola não é transmitido pelo ar.
A infecção ocorre por meio do contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas que já apresentam sintomas.
O risco de transmissão aumenta principalmente nas fases mais avançadas da doença, quando há maior carga viral no organismo do paciente.
Por esse motivo, profissionais de saúde utilizam equipamentos de proteção reforçados durante o atendimento de casos suspeitos.
Sintomas da doença
Os primeiros sinais do Ebola costumam surgir entre dois e 21 dias após a exposição ao vírus.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre alta repentina;
- Dor de cabeça intensa;
- Dores musculares;
- Fraqueza extrema;
- Náuseas e vômitos;
- Diarreia;
- Dor abdominal;
- Mal-estar generalizado.
Em casos graves, podem ocorrer falência de órgãos e hemorragias internas e externas.
Surto preocupa autoridades internacionais
Atualmente, os principais focos de preocupação estão localizados na República Democrática do Congo e em Uganda.
Dados divulgados por organismos internacionais de saúde apontam dezenas de casos confirmados e mortes associadas à doença, além de centenas de ocorrências ainda em investigação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha a evolução do cenário e alerta para a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, especialmente nas regiões fronteiriças e em áreas com infraestrutura médica limitada.
Organizações humanitárias também manifestaram preocupação com a velocidade de propagação do surto em algumas regiões africanas e defendem maior mobilização internacional para conter o avanço da doença.
Vigilância reforçada e monitoramento contínuo
Enquanto aguardam os resultados definitivos dos exames laboratoriais, as autoridades brasileiras mantêm os protocolos de segurança ativos nos dois estados.
O Ministério da Saúde, as secretarias estaduais e municipais e os centros de referência em infectologia seguem monitorando os casos e reforçando a importância da rápida identificação de viajantes provenientes de áreas afetadas.
Até o momento, não existe confirmação de casos de Ebola no Brasil, e os especialistas reforçam que o sistema de vigilância epidemiológica permanece preparado para responder a eventuais emergências sanitárias.
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