Presidente da Fifa diz que proposta será debatida pelos órgãos da entidade após o Mundial de 2026; formato pode marcar a edição centenária de 2030
Por Schirley Passos|GNEWSUSA
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, confirmou que a entidade vai analisar a proposta de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções após o encerramento da edição de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Caso avance, a mudança representará a inclusão de mais 16 equipes em relação ao formato atual, que estreou neste Mundial com 48 participantes.
Em entrevista, Infantino afirmou que o assunto será discutido pelos órgãos dirigentes da Fifa, mas ressaltou que qualquer decisão ficará para depois da atual edição do torneio.
“Algumas pessoas já sugerem ampliar o torneio para 64 seleções. Certamente esse assunto será analisado após esta Copa do Mundo e discutido pelos órgãos dirigentes da Fifa”, declarou.
Posteriormente, um porta-voz da Fifa esclareceu que a proposta surgiu durante uma reunião do Conselho da entidade, realizada em março de 2025.
Segundo o comunicado, a sugestão foi apresentada espontaneamente por um dos integrantes do Conselho, durante o item “assuntos diversos” da pauta, e será analisada porque a Fifa considera sua obrigação avaliar qualquer proposta apresentada por seus membros.
Expansão ganha força após estreia do formato com 48 equipes
A Copa do Mundo de 2026 marcou a estreia do torneio com 48 seleções, um aumento em relação às 32 equipes que participaram das edições entre 1998 e 2022. Para Infantino, o novo modelo demonstrou que é possível ampliar a competição sem comprometer sua qualidade.
O dirigente defendeu que a expansão oferece oportunidades para países tradicionalmente fora da elite do futebol internacional e contribui para o desenvolvimento da modalidade em diferentes continentes.
“Quando você organiza uma Copa do Mundo, organiza para o mundo inteiro. Todas as nações sonham em disputar uma Copa do Mundo. Se você impede que países menores se classifiquem, também reduz o incentivo para que eles continuem evoluindo”, afirmou.
Um dos exemplos citados durante o torneio foi Cabo Verde, que fez sua estreia em Copas do Mundo em 2026 e protagonizou uma das campanhas mais marcantes da competição.
Proposta mira a Copa do centenário
A possibilidade de um Mundial com 64 seleções está diretamente ligada à edição de 2030, que celebrará os 100 anos da primeira Copa do Mundo. O torneio será sediado por seis países distribuídos em três continentes: Argentina, Uruguai e Paraguai receberão as partidas inaugurais, enquanto Espanha, Portugal e Marrocos concentrarão a maior parte dos jogos.
Desde 2025, a Conmebol defende oficialmente a ampliação para 64 participantes. Segundo a entidade sul-americana, a medida permitiria uma celebração mais ampla do centenário e aumentaria a participação dos países que receberão partidas da competição.
A proposta foi apresentada inicialmente pelo dirigente uruguaio Ignacio Alonso e recebeu apoio do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, que classificou a ideia como um “sonho”. Apesar disso, o tema ainda não avançou nas reuniões da Fifa.
Resistência entre confederações
Embora a discussão permaneça aberta, a ampliação enfrenta resistência dentro do futebol internacional. Dirigentes da Uefa consideram que um torneio com 64 seleções aumentaria significativamente os desafios logísticos e o calendário da competição.
Outras confederações, como a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC), também já demonstraram oposição à proposta.
Caso seja aprovada, a nova expansão alteraria novamente o formato do Mundial. A fase de grupos passaria a contar com 16 grupos de quatro equipes, com os dois melhores de cada chave avançando ao mata-mata.
O modelo eliminaria a classificação dos melhores terceiros colocados, utilizada na Copa de 2026, mas elevaria o número de partidas da primeira fase de 72 para 96.
A Fifa ainda não estabeleceu prazo para decidir sobre a possível mudança, mas o debate deverá ocorrer após o término da Copa do Mundo de 2026.
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